Todos são aptos para ler a Meguilá, exceto o surdo-mudo, o louco e o menor. Rabi Yehudá considera apto o menor. — Qualquer pessoa — inclusive mulheres, segundo a maioria das opiniões — pode ler a Meguilá para cumprir a obrigação pública, com exceção daqueles que não têm capacidade plena de compreensão e de obrigação nos preceitos: o surdo-mudo, o que não tem juízo, e o menor de idade que ainda não atingiu a maioridade religiosa. Rabi Yehudá discorda quanto ao menor e o considera apto.
Não se lê a Meguilá, nem se circuncida, nem se imerge, nem se asperge, e do mesmo modo a que guarda dia por dia não deve imergir, até que o sol tenha nascido. E todos esses que os fizeram desde que subiu a coluna da alva, são válidos. — A leitura da Meguilá, a circuncisão, a imersão ritual e a aspersão da água de purificação só são válidas depois do nascer do sol; e, do mesmo modo, a mulher que aguarda um dia limpo após um fluxo não pode imergir antes do nascer do sol. Contudo, se qualquer uma dessas ações foi realizada já a partir do primeiro clarear da alva — antes mesmo do nascer do sol propriamente dito —, é considerada válida, pois esse momento já é tido como parte do dia.
A Guemará deriva a exigência de que a circuncisão ocorra somente depois do nascer do sol por analogia com o oitavo dia do animal recém-nascido, aplicando o princípio de que um "dia" completo, no cômputo dos preceitos, começa apenas com a luz do dia — e não antes. Para a Meguilá, a imersão e a aspersão, a Guemará estende o mesmo princípio: toda mitzvá cujo tempo próprio é "o dia" exige que se aguarde ao menos o alvorecer, o primeiro sinal de luz — "עַמּוּד הַשַּׁחַר" —, para que a ação seja considerada realizada dentro do dia, e não ainda dentro da noite anterior.
Rambam explica que "todos" inclui as mulheres, e detalha o motivo de cada exceção listada na mishná.
Bartenura identifica a opinião subjacente à mishná sobre o surdo-mudo; Rashi explica a diferença entre "o nascer do sol" e "a coluna da alva".
"Todos" — vem para incluir as mulheres, que também estão obrigadas na leitura da Meguilá, tal como os homens, por também terem feito parte do milagre de Purim.
"Exceto o surdo-mudo" — esta mishná segue a opinião de Rabi Yossei, que sustenta que mesmo quem lê corretamente mas não faz seus próprios ouvidos escutarem as palavras não cumpre a obrigação; por isso o surdo-mudo, que não escuta o que fala, está excluído de ler em nome dos outros — e a mesma lógica, segundo essa opinião, invalidaria até mesmo sua própria leitura para si mesmo.
"Nem se imerge" — quando chega o sétimo dia para quem contraiu impureza do fluxo ou do contato com um cadáver, não se diz que, já ao entardecer do início desse sétimo dia, é apropriado imergir; embora normalmente a noite seja considerada o início do dia seguinte, aqui exige-se especificamente "dia" — luz plena — e não apenas a entrada formal da noite.
"Até que o sol tenha nascido" — para que se saia completamente da dúvida de ainda estar na noite anterior; mas quem agiu já a partir do "עַמּוּד הַשַּׁחַר", o primeiro clarear visível do céu antes do nascer do sol propriamente dito, já é considerado ter agido de dia, pois esse momento, embora anterior ao nascer do sol, não deixa mais dúvida quanto a pertencer ao novo dia.