Leram a Meguilá no primeiro Adar e o ano foi intercalado, leem-na no segundo Adar. — Se a comunidade já cumpriu a leitura da Meguilá no primeiro dos dois meses de Adar de um ano bissexto, e apenas depois o tribunal declara oficialmente que o ano será intercalado — acrescentando um segundo Adar —, essa primeira leitura não vale: é preciso lê-la novamente no segundo Adar, o mês que realmente carrega a data de Purim.
Não há entre o primeiro Adar e o segundo Adar senão a leitura da Meguilá e os presentes aos pobres. — Fora do caso específico de Purim — a leitura da Meguilá em si e a distribuição de presentes aos pobres, que só se cumprem no segundo Adar —, os dois meses de Adar de um ano bissexto são idênticos em todas as outras leis: o lamento fúnebre e os jejuns, por exemplo, são igualmente proibidos ou permitidos em ambos.
É a partir da contagem dos meses estabelecida por este versículo — o mês de Nissan como referência — que se resolve por que é o segundo Adar, e não o primeiro, que carrega a data de Purim num ano bissexto. Um ano é intercalado precisamente para manter Pêssach, o mês de Nissan, na estação correta, corrigindo o desvio entre o calendário lunar e o solar. Como Nissan é fixo como referência e vem logo após Adar, os Sábios estabeleceram que a data de Purim se conta a partir de Nissan retroativamente: o Adar imediatamente anterior a Nissan — o segundo, num ano intercalado — é o Adar "verdadeiro" para todos os efeitos práticos, enquanto o primeiro Adar existe apenas para absorver o mês extra necessário à correção do calendário. Por isso a leitura feita antes de se saber que o ano seria intercalado simplesmente não conta: foi feita no mês errado.
Rambam parafraseia a mishná precisando que a equivalência entre os dois Adares vale também para o lamento fúnebre e o jejum, que são proibidos em ambos.
Bartenura precisa exatamente quais dias estão sendo comparados; Rashi explica que quem já leu no primeiro Adar não cumpriu sua obrigação.
O sentido desta mishná é o seguinte: não há diferença entre os dias catorze e quinze do primeiro Adar e os mesmos dias do segundo Adar, exceto quanto à leitura da Meguilá e aos presentes aos pobres — que só se cumprem no segundo Adar. Mas em ambos os dias, tanto do primeiro quanto do segundo Adar, é igualmente proibido o lamento fúnebre e o jejum.
"Não há entre o primeiro Adar e o segundo Adar, etc.": a mishná quer dizer o seguinte — não há diferença entre os dias catorze e quinze do primeiro Adar e os dias catorze e quinze do segundo Adar, exceto a leitura da Meguilá e os presentes aos pobres, que só se aplicam ao segundo; mas quanto ao lamento fúnebre e ao jejum, um e outro são iguais — ambos os dias catorze e quinze, em qualquer dos dois Adares, ficam isentos dessas restrições, ainda que a leitura da Meguilá em si só valha no segundo.
"Não há... senão a leitura da Meguilá" — ou seja, quem cumpriu a leitura no primeiro Adar não saiu de sua obrigação: precisa lê-la novamente no segundo Adar, pois apenas o segundo Adar é considerado seu tempo verdadeiro.
"Este e aquele são iguais" — quanto ao lamento fúnebre e ao jejum: se a comunidade os observou, ou deixou de observá-los, no primeiro Adar, não precisa repetir o mesmo procedimento no segundo — a equivalência entre os dois Adares, nesse ponto, é completa, ao contrário do que ocorre com a própria leitura da Meguilá.