A Mishná · הַמִּשְׁנָה
A mishná passa das leis do Templo para as leis de luto e aparência pessoal — práticas pagãs de automutilação em sinal de luto que a Torá proíbe explicitamente.
Aquele que faz calvície em sua cabeça, e aquele que arredonda o canto de sua cabeça, e aquele que destrói o canto de sua barba, e aquele que faz um corte sobre um morto, é responsável. Fez um corte sobre cinco mortos, ou cinco cortes sobre um morto, é responsável por cada um deles. Pela cabeça, duas — uma daqui e uma dali. Pela barba, duas daqui e duas dali e uma debaixo. Rabi Eliezer diz: se a removeu toda de uma vez, não é responsável senão uma vez. E não é responsável a menos que a remova com navalha. Rabi Eliezer diz: mesmo que a tenha arrancado com pinça ou com plaina, é responsável. — Estas quatro proibições — calvície pelo morto, arredondar os cantos da cabeça, destruir os cantos da barba, e cortar a pele em luto — eram, no mundo antigo, práticas comuns de luto pagão, e a Torá as veda explicitamente a Israel. A mishná então detalha a contagem precisa dos açoites: como a cabeça tem dois "cantos" (perto de cada orelha) e a barba tem cinco (dois de cada lado do rosto e um no queixo), quem arredonda toda a cabeça de uma vez recebe dois conjuntos de açoites, e quem destrói toda a barba de uma vez pode receber até cinco. Rabi Eliezer discorda quanto à barba: se removida toda de uma só ação contínua, é uma única transgressão, um único açoite — não cinco. E quanto ao instrumento: a opinião anônima exige especificamente uma navalha (tar); Rabi Eliezer estende a proibição a qualquer instrumento que produza o mesmo efeito de destruição, incluindo pinça e plaina.
הַקּוֹרֵחַ קָרְחָה בְרֹאשׁוֹ, וְהַמַּקִּיף פְּאַת רֹאשׁוֹ, וְהַמַּשְׁחִית פְּאַת זְקָנוֹ, וְהַשּׂוֹרֵט שְׂרִיטָה אַחַת עַל הַמֵּת, חַיָּב. שָׂרַט שְׂרִיטָה אַחַת עַל חֲמִשָּׁה מֵתִים אוֹ חָמֵשׁ שְׂרִיטוֹת עַל מֵת אֶחָד, חַיָּב עַל כָּל אַחַת וְאֶחָת. עַל הָרֹאשׁ, שְׁתַּיִם, אַחַת מִכָּאן וְאַחַת מִכָּאן. עַל הַזָּקָן, שְׁתַּיִם מִכָּאן וּשְׁתַּיִם מִכָּאן וְאַחַת מִלְּמָטָּה. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, אִם נְטָלוֹ כֻלּוֹ כְאַחַת, אֵינוֹ חַיָּב אֶלָּא אֶחָת. וְאֵינוֹ חַיָּב עַד שֶׁיִּטְּלֶנּוּ בְתָעַר. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, אֲפִלּוּ לִקְּטוֹ בְמַלְקֵט אוֹ בִרְהִיטְנִי, חַיָּב:
Fontes bíblicas · מְקוֹרוֹת בַּתּוֹרָה
Vayikrá 19:27-28 — os cantos da cabeça, da barba e os cortes pelo morto
לֹא תַקִּפוּ פְּאַת רֹאשְׁכֶם, וְלֹא תַשְׁחִית אֵת פְּאַת זְקָנֶךָ. וְשֶׂרֶט לָנֶפֶשׁ לֹא תִתְּנוּ בִּבְשַׂרְכֶם.
"Não arredondareis o canto de vossa cabeça, e não destruirás o canto de tua barba. E corte pelo morto não fareis em vossa carne."
Aplicação na mishná: este é o versículo central de toda a mishná — proíbe, em três cláusulas sucessivas, arredondar os cantos da cabeça, destruir os cantos da barba, e fazer cortes na carne em luto por um falecido. A proibição de calvície pelo morto está em Devarim 14:1: "não fareis calvície entre vossos olhos, pelo morto".
Halachot · הֲלָכוֹת
Rambam · Perush HaMishná, Makot 3:5
הַקּוֹרֵחַ קָרְחָה בְּרֹאשׁוֹ כו': אֵלֶּה כֻּלָּם לָאוִין גְּרֵידִין, שֶׁאֵין בָּהֶם צַד מִן הַצְּדָדִים שֶׁמָּנַעְנוּ בָּהֶם הַמַּלְקוּת. וַהֲלָכָה כְּתַנָּא קַמָּא, שֶׁאֵינוֹ חַיָּב עַל הַשְׁחָתַת פְּאַת הַזָּקָן עַד שֶׁיִּטְּלֶנּוּ בְּתַעַר, וְלֹא כְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר.
Rambam confirma que todas essas proibições pertencem à categoria de proibições simples que geram açoite. Quanto à disputa sobre o instrumento, a halachá segue o Tanna anônimo: só há responsabilidade quando o pelo é removido com navalha, não com pinça ou plaina — Rabi Eliezer é rejeitado nesse ponto.
Bartenura · Makot 3:5
וְאֵינוֹ חַיָּב עַד שֶׁיִּטְּלֶנּוּ בְתַעַר. וְהִלְכְתָא כְּווֹתֵיהּ, וְלֹא כְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר דְּמַחְמִיר בְּמַלְקֵט וּרְהִיטְנִי. אֲבָל אִם נָטַל כֻּלּוֹ כְאַחַת, הִלְכְתָא כְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר, שֶׁאֵינוֹ חַיָּב אֶלָּא אֶחָת.
Bartenura confirma que a halachá segue o Tanna anônimo quanto ao instrumento — exige-se navalha —, mas segue Rabi Eliezer quanto à ação simultânea: se toda a barba foi removida em um único gesto contínuo, há apenas um açoite, não cinco.
Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים
Rashi · רש״י
Makkot 20a, s.v. מתני' הקורח קרחה בראשו; והמקיף פאת ראשו; שרט; חייב על הראש; שתים מכאן
מַתְנִי' הַקּוֹרֵחַ קָרְחָה בְּרֹאשׁוֹ — עַל הַמֵּת, כִּדְמְפָרֵשׁ בַּגְּמָרָא: שָׂרַט — עוֹשֶׂה חַבּוּרָה בְּעַצְמוֹ מִשּׁוּם צַעַר מֵתוֹ: חַיָּב עַל הָרֹאשׁ — עַל הַקָּפַת הָרֹאשׁ חַיָּב שְׁתֵּי מַלְקִיּוֹת, דִּשְׁתֵּי פֵּאוֹת יֵשׁ לוֹ לָרֹאשׁ... וּמִתְחַבְּרוֹת זוֹ עִם זוֹ בְּצַד הָאֹזֶן: שְׁתַּיִם מִכָּאן — חָמֵשׁ פֵּאוֹת יֵשׁ לוֹ לַזָּקָן, אַחַת לְמַטָּה מִן הָאֹזֶן, שְׁתֵּי שִׁבֳּלִים מֵאֵלֶּה הַצְּדָדִים וְאַחַת מִלְּמַטָּה, מְקוֹם חִבּוּר שְׁנֵי הַלְּחָיַיִם.
Rashi contextualiza que a calvície mencionada é especificamente pelo morto, explicada mais adiante na Guemará. O "corte" é uma ferida que a pessoa faz em si mesma como expressão de dor pelo falecido. Rashi então mapeia fisicamente os "cantos" do corpo: a cabeça tem dois cantos, unindo-se um ao outro junto às orelhas; a barba tem cinco — um abaixo de cada orelha (onde o maxilar se articula), dois nas "espigas" laterais do queixo, e um no ponto central de baixo, onde os dois lados do maxilar se encontram.