Seder Nezikin · Massechet Makot · Perek Guimel · Mishná 6 de 16

A marca gravada na pele

הַכּוֹתֵב כְּתֹבֶת קַעֲקַע
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Uma mishná técnica e concisa sobre a proibição bíblica da tatuagem — definindo com precisão o que configura a transgressão completa.

Aquele que escreve uma marca gravada — escreveu e não gravou, gravou e não escreveu, não é responsável, a menos que escreva e grave com tinta, ou com kohl, ou com qualquer coisa que deixe marca. Rabi Shimon ben Yehudá, em nome de Rabi Shimon, diz: não é responsável a menos que escreva ali o Nome, como está dito: "E marca gravada não poreis em vós; Eu sou Hashem."A proibição bíblica da tatuagem, segundo a leitura simples, tem dois componentes técnicos distintos: "escrever" (aplicar um pigmento sobre a pele) e "gravar" (perfurar ou incisar a pele para que o pigmento penetre permanentemente). A mishná estabelece que apenas a combinação plena das duas ações — escrever e gravar, usando qualquer substância que deixe marca visível permanente — configura a transgressão completa; fazer apenas uma das duas não gera responsabilidade de açoite. Rabi Shimon ben Yehudá, citando Rabi Shimon, propõe uma leitura mais restritiva ainda: lendo o versículo em conjunto com sua conclusão — "Eu sou Hashem" —, ele entende que a proibição visa especificamente gravar o nome de uma divindade pagã na pele, um ato de idolatria disfarçado de automutilação, e não qualquer marca gravada.

הַכּוֹתֵב כְּתֹבֶת קַעֲקַע, כָּתַב וְלֹא קִעֲקַע, קִעֲקַע וְלֹא כָתַב, אֵינוֹ חַיָּב, עַד שֶׁיִּכְתֹּב וִיקַעֲקֵעַ בִּדְיוֹ וּבִכְחֹל וּבְכָל דָּבָר שֶׁהוּא רוֹשֵׁם. רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן יְהוּדָה מִשּׁוּם רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, אֵינוֹ חַיָּב עַד שֶׁיִּכְתּוֹב שָׁם הַשֵּׁם, שֶׁנֶּאֱמַר (ויקרא יט) וּכְתֹבֶת קַעֲקַע לֹא תִתְּנוּ בָּכֶם אֲנִי ה':

Fontes bíblicas · מְקוֹרוֹת בַּתּוֹרָה

Vayikrá 19:28 — a marca gravada na pele
וּכְתֹבֶת קַעֲקַע לֹא תִתְּנוּ בָּכֶם, אֲנִי ה׳.
"E marca gravada não poreis em vós; Eu sou Hashem."
Aplicação na mishná: a justaposição de "Eu sou Hashem" ao final do versículo é a base textual da leitura restritiva de Rabi Shimon — para ele, essa assinatura Divina no fim do versículo assinala que a proibição visa marcas associadas à idolatria.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Makot 3:6
הַכּוֹתֵב כְּתֹבֶת קַעֲקַע כו': וְהִלְכְתָא כְּתַנָּא קַמָּא, דְּכָל כְּתָב שֶׁכּוֹתֵב וּמְקַעֲקֵעַ אָסוּר, וְלֹא דַּוְקָא שֵׁם עֲבוֹדָה זָרָה.

Rambam confirma que a halachá segue a opinião do primeiro Tanna, não a de Rabi Shimon: toda escrita gravada permanentemente na pele é proibida e gera açoite, não apenas a gravação de um nome idólatra. A restrição de Rabi Shimon é rejeitada como minoritária.

Bartenura · Makot 3:6
עַד שֶׁיִּכְתֹּב וִיקַעֲקֵעַ. שֶׁיַּעֲשֶׂה שְׂרִיטָה בַּבָּשָׂר וְיִתֵּן בָּהּ אֶחָד מִדְּבָרִים הַצּוֹבְעִים: אֵינוֹ חַיָּב עַד שֶׁיִּכְתּוֹב שָׁם הַשֵּׁם. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן.

Bartenura descreve o processo técnico: primeiro faz-se uma incisão na pele, depois insere-se ali uma substância que deixe cor permanente. A halachá não segue Rabi Shimon; qualquer escrita gravada é proibida.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi · רש״י
Makkot 21a, s.v. מתני' כתובת קעקע; את השם; גמ' עד שיכתוב אני ה' ממש
מַתְנִי' כְּתֹבֶת קַעֲקַע — כּוֹתֵב תְּחִלָּה עַל בְּשָׂרוֹ בְּסַם אוֹ בְסִקְרָא, וְאַחַר כָּךְ מְקַעֲקֵעַ הַבָּשָׂר בְּמַחַט אוֹ בְסַכִּין, וְנִכְנָס הַצֶּבַע בֵּין הָעוֹר לַבָּשָׂר, וְנִרְאֶה בּוֹ כָּל הַיָּמִים: אֶת הַשֵּׁם — מְפָרֵשׁ בַּגְּמָרָא דְּשֵׁם עֲבוֹדַת כּוֹכָבִים קָאָמַר: גמ' עַד שֶׁיִּכְתּוֹב "אֲנִי ה'" מַמָּשׁ — עַל תֵּבוֹת הַלָּלוּ "אֲנִי ה'" אַתָּה מְחַיְּיבוֹ מִשּׁוּם כְּתֹבֶת קַעֲקַע.

Rashi descreve o processo em detalhe: primeiro se escreve na pele com um corante ou tinta vermelha, depois se grava a pele com agulha ou faca, de modo que o pigmento penetre entre a derme e a carne, permanecendo visível para sempre. Confirma que o "Nome" mencionado por Rabi Shimon refere-se ao nome de uma divindade idólatra. E nota, sobre a versão textual mais estrita da posição de Rabi Shimon: a leitura literal exigiria que a própria frase "Eu sou Hashem" fosse gravada na pele para gerar responsabilidade — posição rejeitada pela halachá.