Aquele que toma a mãe junto com os filhotes — Rabi Yehudá diz: é açoitado, e não [precisa] enviá-la. E os sábios dizem: envia-a, e não é açoitado. Esta é a regra: todo mandamento negativo que contém em si um "levanta-te e faze", não são responsáveis por ele. — O caso é o célebre mandamento do "shiluach haken" (Devarim 22): quem encontra um ninho de pássaro deve enviar embora a mãe antes de tomar os filhotes. Rabi Yehudá lê o versículo como exigindo que o envio ocorra antes da tomada — de modo que, se alguém já tomou ambos juntos, cometeu uma transgressão consumada e irreversível, sendo açoitado, sem que enviar a mãe depois resolva nada. Os sábios leem o mesmo versículo como permitindo o envio depois da tomada — de modo que a proibição de tomar a mãe junto com os filhotes é uma "proibição desviada para um positivo": se o transgressor ainda enviar a mãe embora, cumpre o mandamento positivo e evita o açoite. A mishná generaliza essa lógica na frase final, que se tornou um dos princípios mais citados de toda a legislação penal da Mishná: sempre que uma proibição vem acompanhada de uma ação positiva capaz de remediá-la, não há açoite — o sistema prefere a correção à punição.
Rambam remete diretamente à sua própria introdução em 3:1: este é exatamente o quarto tipo de proibição de sua classificação — o "lav sheniتak leasse", proibição desviada para um mandamento positivo. A halachá segue os sábios: quem toma a mãe com os filhotes deve simplesmente enviá-la embora depois, cumprindo assim o positivo, e fica isento de açoite.
Bartenura resume a base textual de cada posição: Rabi Yehudá entende que o verbo "enviar" no versículo implica necessariamente uma ação prévia à tomada dos filhotes — daí que, tomados juntos, a transgressão já está consumada. A halachá segue os sábios, para quem "enviar" pode ocorrer depois da tomada, tornando esta uma proibição desviada para um mandamento positivo, que não gera açoite.
Rashi explica com precisão a diferença estrutural entre as duas leituras: para Rabi Yehudá, o mandamento de enviar precede logicamente a proibição de tomar, de modo que a ordem "não tomarás" já pressupõe que o envio deveria ter ocorrido antes — não é um positivo que "resgata" a transgressão depois. Para os sábios, ao contrário, o envio é lido como posterior à tomada, tornando-se um verdadeiro mandamento positivo que segue e neutraliza a proibição.