Testemunhamos a respeito de fulano, que deve a seu companheiro duzentos zuz" — e foram consideradas conspiradoras — recebem açoite e pagam, pois não é o mesmo versículo que leva ao açoite que leva ao pagamento — palavras de Rabi Meir. E os Sábios dizem: todo aquele que paga não é açoitado. — Rabi Meir defende que, quando as testemunhas conspiraram para impor um dano puramente monetário (aqui, sem a complicação do caso da ketubá, um valor fixo e certo de duzentos zuz), elas devem sofrer as duas consequências cumulativamente: os quarenta açoites, decorrentes do versículo "não testemunharás contra teu próximo com falso testemunho" (Shemot 20), e o pagamento integral, decorrente do versículo "e fareis a ele como pretendia fazer" (Devarim 19) — por serem dois preceitos distintos, aplicam-se ambos. Os Sábios discordam com um princípio geral: sempre que uma transgressão gera responsabilidade tanto de pagamento quanto de açoite, aplica-se apenas o pagamento — nunca as duas penas simultaneamente sobre a mesma pessoa pelo mesmo ato.
Rambam extrai da formulação precisa da opinião dos Sábios — "todo aquele que paga não é açoitado", e não "todo aquele que é açoitado não paga" — um princípio geral que rege toda a Torá: sempre que um mesmo ato gera, por um lado, responsabilidade de açoites, e por outro, responsabilidade de pagamento, a halachá determina que a pessoa paga e não é açoitada. Esse princípio se aplica apenas a dois casos: as testemunhas conspiradoras, e quem agride outra pessoa causando dano indenizável — como explicado em Ketubot. A halachá segue os Sábios, não Rabi Meir.
Bartenura explica a lógica de Rabi Meir: ainda que os dois versículos descrevam a mesma situação, tecnicamente é "outro versículo" que gera cada consequência — um proíbe o falso testemunho em si (base do açoite), o outro impõe a equivalência de pena (base do pagamento) — por isso ambos se aplicam. E deduz, da própria formulação da opinião dos Sábios, o princípio de que, onde há conflito entre açoite e pagamento pelo mesmo ato, prevalece sempre o pagamento — halachá estabelecida, contra Rabi Meir.