Seder Tehorot · Massechet Machshirin · Perek Hei · Mishná 5 de 11

A mão, o pé, a vara e a pedra na cisterna

פָּשַׁט יָדוֹ אוֹ רַגְלוֹ אוֹ קָנֶה לְבוֹר לֵידַע אִם יֶשׁ בּוֹ מַיִם, אֵינָן בְּכִי יֻתַּן. לֵידַע כַּמָּה מַיִם יֶשׁ בּוֹ, הֲרֵי זֶה בְכִי יֻתַּן. זָרַק אֶבֶן לְבוֹר לֵידַע אִם יֶשׁ בּוֹ מַיִם, הַנִּתָּזִין, אֵינָן בְּכִי יֻתַּן. וְאֶת שֶׁבָּאֶבֶן, טְהוֹרִים:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mão, o pé, a vara e a pedra na cisterna

Estendeu a sua mão, ou o seu pé, ou uma vara, para dentro da cisterna, para saber se há nela água: não está sob quando for posta. Para saber quanta água há nela: eis que isto está sob quando for posta. Lançou uma pedra na cisterna para saber se há nela água: as (águas) que se espirram não estão sob quando for posta; e a que está na pedra, está pura.

Esta mishná continua o tema anterior: o que importa não é o contato físico com a água em si, mas se a informação buscada depende da marca que ela deixa. Quando a pergunta é apenas “há água ali?”, basta sentir o toque — não é necessário reter, ler ou examinar nenhuma marca molhada, e por isso essa água não é desejada. Mas quando a pergunta é “quanto há?”, é exatamente a marca deixada na mão, no pé ou na vara que responde — e essa água, sendo funcional à medição, conta como desejada.

O mesmo se aplica a quem lança uma pedra na cisterna apenas para ouvir o som do respingo e saber se há água: as gotas que se espirram para fora não foram buscadas por si mesmas, apenas o som delas, e por isso não tornam apto.

Quanto à água que permanece sobre a própria pedra, dentro da cisterna: mesmo que a parte molhada da pedra apareça acima da superfície, ela continua juridicamente ligada à água da cisterna — que está presa ao solo e, por isso, pura, sem poder contaminar nem tornar apto. Não se trata, portanto, de água “destacada”, e permanece pura.

פָּשַׁט יָדוֹ אוֹ רַגְלוֹ אוֹ קָנֶה לְבוֹר לֵידַע אִם יֶשׁ בּוֹ מַיִם, אֵינָן בְּכִי יֻתַּן. לֵידַע כַּמָּה מַיִם יֶשׁ בּוֹ, הֲרֵי זֶה בְכִי יֻתַּן. זָרַק אֶבֶן לְבוֹר לֵידַע אִם יֶשׁ בּוֹ מַיִם, הַנִּתָּזִין, אֵינָן בְּכִי יֻתַּן. וְאֶת שֶׁבָּאֶבֶן, טְהוֹרִים:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Machshirin 5:5
אמרו “אֶת שֶׁבָּאֶבֶן טְהוֹרִים” שהמים אשר על האבן ההיא אשר בתוך הבור דינו כדין מי הבור שהוא טהור לא יתטמא ולא יכשיר כמו שביארנו אע"פ שהאבן נראה למעלה משטח המים והדבר הנראה ממנו בלול אין דין המים אשר על החלק היוצא ממנו דין מים תלושים:

Quando dizem “e a que está na pedra, está pura”, (isso significa que) a água que está sobre aquela pedra que está dentro da cisterna tem a mesma lei da água da cisterna, que está pura — não se contamina nem torna apto, como já explicamos — ainda que a pedra pareça acima da superfície da água, e a parte dela que aparece esteja molhada: a água que está sobre a parte que sobressai não tem a lei de água separada (do solo).

Bartenura · Machshirin 5:5
לֵידַע כַּמָּה מַיִם יֶשׁ בּוֹ. רוֹצֶה בַּמַּשְׁקֶה שֶׁבָּרֹשֶׁם, כְּדַאֲמַרַן, לְפִיכָךְ הָוֵי בְּכִי יֻתַּן. אֲבָל לֵידַע אִם יֶשׁ בּוֹ מַיִם, אֵין צָרִיךְ רֹשֶׁם שֶׁל מַשְׁקֶה: וְשֶׁבָּאֶבֶן. כְּלוֹמַר, שֶׁבָּאֶבֶן נַמִּי טְהוֹרִים, שֶׁאֵין מַכְשִׁירִים:

“Para saber quanta água há nela”: ele deseja o líquido que fica na marca, como já dissemos; por isso está sob quando for posta. Mas para saber se há nela água, não precisa da marca do líquido.

“E a que está na pedra”: isto é, a que está na pedra também está pura, pois não torna apto.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Machshirin não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.