Quando isso se diz? No sacerdote que consulta. Mas no sacerdote que não consulta: uma para esta e uma para aquela, duas para esta e duas para aquela, três para esta e três para aquela — se fez todas em cima, metade é válida e metade desqualificada; todas embaixo, metade é válida e metade desqualificada; metade em cima e metade embaixo — das de cima, metade é válida e metade desqualificada, e das de embaixo, metade é válida e metade desqualificada.
O terceiro capítulo abre esclarecendo uma condição implícita nas regras dos capítulos anteriores: a fórmula “a menor quantidade é válida” (1:3) só vale quando o sacerdote consulta as mulheres antes de decidir qual ninho oferecer como chatat e qual como olá — pois, nesse caso, a mulher da quantidade menor pode reivindicar que sua parte está absorvida na porção menor de cada lado, já que não autorizou o sacerdote a decidir livremente. Mas quando o sacerdote atua por conta própria, sem consultar ninguém, essa reivindicação não tem base: mesmo que os grupos sejam iguais em número, ao oferecer metade em cima (tornando-se olot) e metade embaixo (tornando-se chatot), metade de cada porção permanece válida e metade desqualificada — um resultado idêntico ao caso de quantidades iguais, mas obtido por um raciocínio distinto, já que aqui não há a reivindicação da parte lesada para invalidar a decisão do sacerdote.
Rambam observa que esta mishná retoma e delimita a quarta halachá do primeiro capítulo, onde se disse “a menor quantidade é válida”: isso vale apenas para o sacerdote que consulta, ao fazer metade em cima e metade embaixo. Já o sacerdote que não consulta, e age livremente em cima e embaixo, tem como válida a maior quantidade — e a mishná explica o motivo.
Sempre que for possível dividir o conjunto misturado de modo que nenhuma mulher tenha aves em ambas as metades (cima e embaixo) ao mesmo tempo, então metade é válida e metade desqualificada, pois é possível que todas as aves de uma mulher estivessem, por acaso, todas em cima ou todas embaixo. Mas sempre que for impossível dividir o conjunto sem que as aves de uma mesma mulher fiquem necessariamente tanto em cima quanto embaixo, então a maioria é válida — pois necessariamente foi a dona da maior quantidade quem teve aves oferecidas nos dois lados.
Exemplo: Rachel tem dois filhotes, Lea quatro, todos se misturam, e o sacerdote oferece três em cima e três embaixo. É certo que Lea, dona dos quatro, teve aves suas oferecidas nos dois lados; por ter participado dos dois lados, todas as suas aves são válidas — as de cima como olá, as de baixo como chatat — já que o sacerdote não pediu permissão a ela, e todo este raciocínio pressupõe um sacerdote que não consulta, mas decide livremente qual fazer chatat e qual fazer olá.
Bartenura explica que esta mishná retoma o primeiro capítulo: as regras de que “todas devem morrer” (chatat misturada com olá) e de que “a menor quantidade é válida” (uma para esta, duas para aquela) valem apenas quando o sacerdote vem consultar como proceder. Mas, se o sacerdote decide por conta própria e faz um ninho inteiro em cima para uma mulher, a olá é válida e a chatat desqualificada; se faz um ninho inteiro embaixo, a chatat é válida e a olá desqualificada.
Todo o primeiro capítulo trata do procedimento ideal, lechatchilá; este capítulo trata do que já foi feito, diavad. E onde antes, com o sacerdote que consulta, dizíamos que a menor quantidade é válida, aqui, sem consulta, a maior quantidade é válida, desde que metade tenha sido feita em cima e metade embaixo.
Bartenura desenvolve exemplos numéricos detalhados (uma para esta e duas para aquela; duas para esta e três para aquela) mostrando como, em cada caso, a maioria absorve a parte da minoria e permanece válida, enquanto o restante torna-se desqualificado — inclusive nos casos de dez contra cem, onde apenas os dez ninhos completos da minoria são desqualificados, e todo o resto permanece válido, por não ser possível separar o conjunto misturado sem atribuir parte das aves da maioria a ambos os lados.