Chatat de um lado e olá do outro, e não designado no meio: se [dois filhotes] voaram do meio para os lados, um para cada lado, não se perde nada — antes, diz-se: este que foi para perto das chatot é chatat, e este que foi para perto das olot é olá. Se voltaram para o meio, os do meio devem morrer, mas estes [dos lados] são oferecidos como chatat, e aqueles como olá. Se voltaram, ou se voaram do meio para os lados [novamente], todos devem morrer. Não se trazem rolinhas em lugar de pombinhos, nem pombinhos em lugar de rolinhas. Como assim? A mulher que trouxe sua chatat como rolinha e sua olá como pombinho deve dobrar e trazer sua olá como rolinha; se sua olá era rolinha e sua chatat pombinho, deve dobrar e trazer sua olá como pombinho. Ben Azzai diz: segue-se a primeira. A mulher que trouxe sua chatat e morreu — os herdeiros trazem sua olá; se trouxe sua olá e morreu, os herdeiros não trazem sua chatat.
O capítulo se fecha com três leis distintas ligadas pelo mesmo tema geral da identidade das aves. Primeiro, um arranjo espacial: aves de chatat de um lado, aves de olá do outro, e um ninho não designado no meio. Se, do meio, um filhote voa para cada lado (um para o lado das chatot, outro para o das olot), nada se perde — simplesmente se declara que cada um pertence ao grupo para o qual voou. Mas se ambos voltarem ao meio, misturando-se novamente, os dois do meio (agora indistinguíveis entre si) devem morrer, embora os que permaneceram nos lados continuem válidos; e se houver ainda outro movimento do meio para os lados, a contaminação se espalha e tudo morre. Segundo, uma regra sobre espécies: rolinhas (aves adultas) e pombinhos (aves jovens) não podem ser pareados entre si na mesma obrigação — se uma mulher trouxe sua chatat de uma espécie e sua olá de outra, deve trazer uma nova olá da mesma espécie da chatat (a chatat sendo a base da série), dobrando o número de aves trazidas; Ben Azzai discorda, sustentando que se segue a espécie da primeira ave trazida, seja chatat ou olá — mas a lei segue a opinião anônima. Terceiro, uma regra sucessória: se a mulher trouxe sua chatat mas morreu antes de trazer sua olá, os herdeiros são obrigados a completar a olá; mas se ela trouxe a olá primeiro e morreu antes da chatat, os herdeiros não são obrigados a trazê-la, pois a chatat é pessoal, ligada ao pecado ou estado de impureza da própria pessoa, e não se transmite a quem não a cometeu.
Rambam explica: se os dois filhotes voltarem ao meio, misturam-se chatat com olá, e por isso devem morrer; e do mesmo modo, se voarem do meio para os lados novamente, todos morrem, pois é possível que a olá tenha ido para perto da chatat, e a chatat para perto da olá. “Ou se voaram do meio para os lados” refere-se a um filhote que foi para um lado (onde estão as chatot ou as olot) e depois voou dali para o outro extremo — já houve mistura de chatat com olá, e todos morrem, como se explicou no início do tratado.
A opinião anônima (tanna kama) segue a chatat, porque a Escritura a menciona primeiro, como se explicou no décimo capítulo de Zevachim; Ben Azzai segue a espécie da primeira ave separada, seja olá ou chatat. E a lei segue a opinião anônima.
Bartenura explica: “chatat de um lado” — uma ave designada para chatat de um lado, uma designada para olá do outro, e duas aves de um ninho não designado no meio. “Se voaram do meio” — uma para a direita e uma para a esquerda. “Não se perde nada”: a que se misturou com a chatat torna-se chatat, e a que se misturou com a olá torna-se olá — mas não o inverso, pois talvez a fizessem a partir da olá designada.
“Se voltaram ao meio”: se as duas aves dos lados voltaram, uma de cada lado, e se misturaram novamente juntas no meio, estas devem morrer, pois chatat e olá se misturaram; mas as que permaneceram cada uma em seu lugar são oferecidas normalmente, cada qual segundo seu tipo. “Se voltaram [novamente], ou se voaram do meio para os lados”: chatat e olá ficam misturadas, e todas devem morrer.
“Não se trazem rolinhas em lugar de pombinhos”: só se trazem ambas da mesma espécie — ambas rolinhas ou ambas pombinhos. “Deve dobrar e trazer sua olá como pombinho”: segundo a regra da chatat, que é a base, seja ela separada primeiro ou por último. “Segue-se a primeira” [Ben Azzai]: não se traz a segunda ave senão da espécie que se separou primeiro, seja chatat ou olá — mas a lei segue a opinião anônima, não Ben Azzai.
“Os herdeiros não trazem sua chatat”: porque se tornaria uma chatat cujo dono morreu [e que, portanto, não pode mais ser oferecida]. E, ainda que em toda parte a chatat preceda a olá, isso vale apenas como preceito recomendado, não como impedimento absoluto.