Uma para esta, e duas para aquela, e três para aquela, e dez para aquela, e cem para aquela: se fez todas em cima, metade é válida e metade desqualificada; todas embaixo, metade é válida e metade desqualificada; metade em cima e metade embaixo, a maior quantidade é válida. Este é o princípio geral: em todo lugar onde se pode dividir os ninhos sem que sejam de uma só mulher, seja em cima seja embaixo, metade é válida e metade desqualificada. Em todo lugar onde não se pode dividir os ninhos sem que sejam de uma só mulher, seja em cima seja embaixo, a maior quantidade é válida.
Depois de exemplificar com quantidades iguais na mishná anterior, esta mishná estende a mesma lógica — sacerdote que não consulta — a quantidades desiguais, e culmina no princípio geral que resume toda a matéria dos dois primeiros capítulos: sempre que o conjunto total de aves misturadas puder ser dividido, cima e embaixo, de modo que nenhuma mulher tenha aves designadas dos dois lados ao mesmo tempo, aplica-se a regra simples de metade válida e metade desqualificada. Mas, sempre que a distribuição numérica tornar impossível tal divisão limpa — forçando necessariamente que pelo menos uma mulher tenha aves em ambos os lados — a regra muda, e prevalece a maior quantidade, pois só a dona da maior quantidade poderia, em qualquer divisão possível, ter tido aves suas nos dois lados.
Rambam observa apenas que “tudo isto está explicado”, remetendo à mishná anterior e ao princípio geral que a própria mishná já formula com clareza.
Bartenura explica: “este é o princípio geral, em todo lugar onde se pode dividir…” significa que o ninho de uma mulher não se divide entre os dois lados — o ninho de uma mulher fica em cima, e o de outra mulher, embaixo; nesse caso, metade é válida e metade desqualificada.
E “em todo lugar onde não se pode…” refere-se, por exemplo, a uma para esta e duas para aquela, onde necessariamente parte das aves de uma mesma mulher fica em cima e parte embaixo — nesse caso, a maior quantidade é válida, como já explicado.