Seder Kodashim · Massechet Kinim · Perek Alef · Mishná 4 de 4 — última do capítulo

Mesmo nome, dois nomes: e a exceção de Rabi Yossi

כֵּיצַד מִשֵּׁם אֶחָד, לֵידָה וְלֵידָה, זִיבָה וְזִיבָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Define os termos “mesmo nome” e “dois nomes” da mishná anterior por meio de parto e zivá, e traz a opinião de Rabi Yossi sobre ninhos comprados em sociedade por duas mulheres — halachicamente aceita

Como é “do mesmo nome”? Parto e parto, zivá e zivá — do mesmo nome. De dois nomes: parto e zivá. Como é “duas mulheres”? Sobre esta, parto, e sobre aquela, parto; sobre esta, zivá, e sobre aquela, zivá — do mesmo nome. De dois nomes: sobre esta, parto, e sobre aquela, zivá. Rabi Yossi diz: duas mulheres que compraram seus ninhos em sociedade, ou que deram o valor de seus ninhos ao sacerdote, o sacerdote pode oferecer chatat pela que quiser, e olá pela que quiser — quer sejam do mesmo nome, quer de dois nomes.

A mishná fecha o primeiro capítulo esclarecendo, por meio de exemplos, os termos técnicos introduzidos antes: “mesmo nome” significa que ambas as mulheres devem ninhos pela mesma causa — ambas por parto, ou ambas por zivá; “dois nomes” significa causas diferentes — uma por parto, outra por zivá. Essa distinção, porém, não altera a regra prática de “a menor quantidade é válida” estabelecida na mishná anterior. A opinião de Rabi Yossi, aceita como lei, introduz uma exceção importante: se as duas mulheres, desde o início, compraram seus ninhos em sociedade (sem designação prévia de qual ninho pertence a qual), ou entregaram dinheiro ao sacerdote para que ele mesmo comprasse os ninhos em seu nome, então não há problema de mistura genuína — porque nunca houve, para começar, uma atribuição individualizada que pudesse se perder. Nesse caso, o sacerdote tem liberdade total para decidir qual ninho oferecer em nome de qual mulher, mesmo que as duas tenham causas diferentes.

כֵּיצַד מִשֵּׁם אֶחָד, לֵידָה וְלֵידָה, זִיבָה וְזִיבָה, מִשֵּׁם אֶחָד. מִשְּׁנֵי שֵׁמוֹת, לֵידָה וְזִיבָה. כֵּיצַד שְׁתֵּי נָשִׁים, עַל זוֹ לֵידָה וְעַל זוֹ לֵידָה, עַל זוֹ זִיבָה וְעַל זוֹ זִיבָה, מִשֵּׁם אֶחָד. מִשְּׁנֵי שֵׁמוֹת, עַל זוֹ לֵידָה וְעַל זוֹ זִיבָה. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, שְׁתֵּי נָשִׁים שֶׁלָּקְחוּ קִנֵּיהֶן בְּעֵרוּב, אוֹ שֶׁנָּתְנוּ דְמֵי קִנֵּיהֶן לַכֹּהֵן, לְאֵיזוֹ שֶׁיִּרְצֶה כֹהֵן יַקְרִיב חַטָּאת, וּלְאֵיזוֹ שֶׁיִּרְצֶה כֹהֵן יַקְרִיב עוֹלָה, בֵּין מִשֵּׁם אֶחָד, בֵּין מִשְּׁנֵי שֵׁמוֹת:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Kinim 1:4
כֵּיצַד מִשֵּׁם אֶחָד לֵידָה וְלֵידָה זִיבָה וְזִיבָה…

Rambam observa que a mishná deu exemplos válidos para todo o tratado, exceto quanto às oferendas das mulheres, porque elas são mais frequentemente obrigadas a ninhos do que os homens — estando obrigadas tanto quanto eles, e ainda, além deles, também pelo parto — e porque a zivá é muito mais frequente nas mulheres do que nos homens, como é notório. E a lei segue Rabi Yossi.

Bartenura · Kinim 1:4
רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר כוּ'. לָאו מִשּׁוּם דְּסָבַר רַבִּי יוֹסֵי יֵשׁ בְּרֵרָה…

Bartenura explica que a opinião de Rabi Yossi não se apoia na ideia de bereirá [designação retroativa] — isto é, não se diz que, quando o sacerdote oferece um ninho em nome de uma das mulheres, o assunto fica esclarecido retroativamente, como se, desde o momento da compra, aquele ninho já fosse dela. Antes, como se explica na Guemará de Eruvin (36a), Rabi Yossi fala do caso em que as mulheres condicionaram, no momento da compra, que o sacerdote poderia fazer o ninho que quisesse em nome de qualquer uma delas. E a lei segue Rabi Yossi.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Kinim não possui Guemará no Talmud Bavli — assim como Eduyot e Midot, é um tratado de mishnayot puras. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.