Uma chatat que se misturou com uma olá, e uma olá com uma chatat — mesmo que seja uma em dez mil, todas devem morrer. Uma chatat que se misturou com a obrigatória, só é válida na medida do número de chatot que há na obrigatória. E do mesmo modo, uma olá que se misturou com a obrigatória, só é válida na medida do número de olot que há na obrigatória — quer a obrigatória seja a maioria e a doação voluntária a minoria, quer a doação voluntária seja a maioria e a obrigatória a minoria, quer ambas sejam iguais.
A mishná estabelece o princípio mais severo do tratado: se uma única ave já designada como chatat se perde entre um grande número de aves designadas como olá (ou vice-versa), nenhuma delas pode ser oferecida — todas são deixadas para morrer, ainda que a proporção seja de uma em dez mil, porque animais vivos têm identidade individual e não se anulam pela maioria, ao contrário de misturas de objetos inertes. O caso seguinte é mais brando: quando uma ave já designada (chatat ou olá) se mistura não com outra designação oposta e fixa, mas com aves de ken setumá — ninhos ainda não designados, pertencentes à categoria da obrigação, dos quais metade tornar-se-á chatat e metade olá — então subsiste um número limitado de aves válidas, correspondente exatamente à quantidade que já se esperava ser chatat (ou olá) dentro desse grupo obrigatório, seja qual for a proporção entre a quantidade obrigatória e a quantidade voluntária misturada.
Rambam recorda que, se parte de uma chatat se mistura com outras oferendas, deixa-se tudo até que morram. E já se disse que a obrigatória é metade chatot e metade olot, e a doação voluntária é toda olá; por isso, se uma chatat de ave se misturar com aves todas obrigatórias — das quais metade chatot e metade olot — então, se eram cem, por exemplo, cinquenta são válidas (o número de chatot que há nelas) e as cinquenta e uma restantes são desqualificadas, pois é possível que a ave designada chatat esteja entre as cinquenta olot.
E se a mistura for maior — por exemplo, cem aves todas chatot se misturando com dez aves obrigatórias — então, das dez, apenas cinco (o número de chatot que há na obrigatória) permanecem válidas, e as cento e cinco restantes são desqualificadas, por serem olá misturada com chatat. O mesmo raciocínio vale para a olá obrigatória, se se misturar com ninhos de doação voluntária, todos olá. Por isso a mishná acrescenta: quer a obrigatória seja maioria e a doação voluntária minoria, quer o inverso. Tudo isso vale se metade foi feita em cima e metade embaixo; mas se a obrigatória for o dobro da chatat, e se fizer parte do número em cima e parte embaixo, será metade da obrigatória válida, como se explicará ao final deste tratado.
Bartenura explica: “mesmo que seja uma em dez mil, todas devem morrer” — porque não se anulam pela maioria, já que seres vivos têm importância própria e não se anulam. “Chatat que se misturou com a obrigatória”: um pombinho ou uma rolinha de chatat que se misturou com dois ninhos de obrigação — isto é, ninhos não designados de parturiente ou de zavá, em que cada ninho é uma olá e uma chatat — resultando em cinco aves misturadas juntas.
“Só é válida na medida do número de chatot que há na obrigatória”: e só se pode oferecer, dessas cinco aves, duas chatot, que é o número válido em dois ninhos obrigatórios; pois, se fizer três chatot, talvez as tenha feito dos dois ninhos originais, e de dois ninhos só se podem fazer duas chatot; e não se pode fazer sequer uma olá, pois talvez se tome a chatat misturada.
“Quer a obrigatória seja maioria e a doação voluntária minoria”: por exemplo, um ninho designado de olá se misturou com vários ninhos não designados de parturiente ou de zavá. E chama-se “doação voluntária” as olot designadas, porque votos e doações voluntárias são todos olá, como se ensinou no início do capítulo.