Aquele que conduz [dois animais de kilaim atrelados a uma carroça] recebe os quarenta [açoites], e aquele que se senta na carroça recebe os quarenta [açoites]. Rabi Meir isenta [este último]. E a terceira [besta] que está atada às correias [dos dois já atrelados] é proibida.
Depois de estabelecer, na Mishná anterior, que dois animais de espécies diferentes não podem trabalhar juntos, esta Mishná detalha quem exatamente é responsável pela transgressão — e até que ponto a mera presença na carroça já configura violação.
Por que quem apenas se senta na carroça já é responsável. A Mishná ensina que a proibição de "juntos" não exige que a pessoa realize um ato físico direto sobre os animais — basta que sua ação cause ou favoreça o trabalho conjunto deles. Por isso, tanto o condutor — que ativamente dirige os dois animais atrelados — quanto aquele que simplesmente se senta na carroça puxada por eles recebem a pena máxima de açoites (as "quarenta", que na prática são aplicadas em número de trinta e nove): pois o peso da pessoa sentada faz com que os animais precisem puxar mais, e sua presença ali contribui causalmente para o trabalho conjunto proibido — mesmo sem que ela toque as rédeas. Rabi Meir discorda quanto a este último caso, isentando quem apenas se senta, por entender que sentar-se passivamente não constitui "fazer" a transgressão; mas a opinião que prevalece é a dos Sábios anônimos, que responsabilizam ambos igualmente. A cláusula final acrescenta que, se dois animais de kilaim já estão atrelados puxando a carroça, é proibido atar um terceiro animal às mesmas correias — mesmo que este terceiro não fosse estritamente necessário para o movimento da carroça —, pois ele passa a integrar o conjunto de tração proibida.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide a lei conforme os Sábios anônimos contra Rabi Meir — quem se senta na carroça é sim responsável, não apenas quem conduz — e acrescenta um princípio importante: a responsabilidade não se divide entre múltiplos participantes; cada pessoa envolvida no ato, por menor que seja sua contribuição causal, recebe a pena completa, ainda que seja um entre cem.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Karon" (carroção): é um tipo de carroça — são duas carroças, uma atada à outra, e uma terceira carroça atada às mesmas correias que a segunda. E [a Mishná] disse que tanto o homem sentado dentro do carroção quanto o homem que conduz os dois animais que são kilaim e que puxam a carroça, cada um deles recebe chibatadas — mesmo que quem está sentado no carroção não faça nada, pois seu ato de se sentar ali auxilia o trabalho e a manutenção [do movimento].
E Rabi Meir isenta quem se senta no carroção, uma vez que ele não auxilia em nenhum movimento a conduzir a carroça ou os animais.
"E a terceira que está atada às correias": quer dizer, a terceira carroça atada ao carroção — é proibido sentar-se nela quando aquelas carroças forem puxadas por animais de kilaim. E a lei não é conforme Rabi Meir.
"E aquele que se senta na carroça": é responsável, pois, visto que [os animais] andam por causa dele, considera-se como se ele os estivesse conduzindo.
"Rabi Meir isenta": quem se senta na carroça, porque não está fazendo nada [ativamente] — e a lei não segue Rabi Meir.
"E a terceira que está atada às correias": se dois cavalos estão atados à carroça e ali se atou também um jumento, ainda que [a carroça] andasse mesmo sem o jumento, é proibido — e não consideramos o jumento como se ele não estivesse ali [isto é, sua mera presença atada já basta para proibir, mesmo que sua tração não seja necessária].