O vento que revolveu as videiras sobre o cereal — que o pode imediatamente. Se lhe sobreveio força maior, é permitido. Seu cereal, que estava inclinado sob a videira — e o mesmo com hortaliça — que o devolva, e não santifica. Desde quando o cereal se santifica? Desde que enraíze. E as uvas, desde que se tornem como grãos brancos duplos. O cereal que secou por completo, e as uvas que amadureceram por completo, não se santificam.
Esta Mishná trata de eventos acidentais e naturais — o vento que embaralha ramos de videira sobre o cereal alheio, e o próprio cereal que naturalmente se inclina sob a videira — estabelecendo em que ponto exato do crescimento cada espécie passa a estar sujeita à santificação por kilaim.
Da força maior à santificação: o momento exato em que kilaim se consuma. Quando um vento forte revolve os ramos de uma videira, lançando-os sobre um campo de cereal alheio, isso não constitui um ato deliberado de "cobrir" (como em 7:4) — mas, mesmo assim, a Mishná exige que o dono da videira a pode imediatamente, para que o cereal alheio não venha a se tornar proibido pela permanência prolongada dos ramos sobre ele. Se, porém, sobrevier uma força maior genuína (impedindo a poda imediata), é permitido — a exigência de agir de imediato não se aplica quando é impossível fazê-lo. A segunda parte trata de um fenômeno natural mais comum: o próprio cereal do dono, ao crescer, inclina-se naturalmente sob os ramos da videira que cresce ao lado. Aqui, basta devolvê-lo (endireitá-lo) à sua posição original, e ele não santifica retroativamente — pois seu crescimento sob a videira não foi um ato de "semeadura" deliberada. A Mishná então estabelece os marcos temporais precisos do versículo de Devarim 22:9 — "o produto pleno da semente" (hamleá hazera) e "o fruto da vinha" (tevuát hakerem): o cereal só se torna sujeito a santificação a partir do momento em que suas raízes se fixam no solo (mishetashrish), e as uvas, a partir do estágio de "grão branco duplo" (kefol halavan — quando o caroço interno da uva já não é visível através da casca, sinal de maturação inicial). Antes desses estágios, não há "produto" nem "fruto" no sentido pleno exigido pelo versículo, e portanto não há santificação. Do mesmo modo, no outro extremo, cereal já completamente seco e uvas já completamente maduras também não santificam mais — pois, tendo cessado seu processo de "crescimento" ativo, a plantação de kilaim ao seu lado já não os une organicamente como um único produto proibido.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam segue a Mishná sem controvérsia. A regra dos marcos temporais é fundamentada no próprio versículo de Devarim 22:9, como o Rambam explicita na mesma passagem: "כְּמוֹ שֶׁנֶּאֱמַר הַמְּלֵאָה הַזֶּרַע אֲשֶׁר תִּזְרָע וּתְבוּאַת הַכָּרֶם, עַד שֶׁיִּזְרַע זֶה וְיִהְיֶה זֶה תְּבוּאָה" (como está dito: "o produto pleno da semente que semeares e o fruto da vinha" — até que este seja semeado e aquele seja "produto"). O Rambam acrescenta ainda o caso intermediário: se o cereal ainda não atingiu o estágio de grão branco duplo (ainda é boser, agrão verde) e foi semeado ao seu lado, mesmo enraizando, "não santificou, mas ainda assim penalizam-no e proíbem a semente" (Hilchot Kilaim 5:14) — uma medida rabínica preventiva distinta da santificação bíblica plena.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Revolveu" (il'alá): verbo derivado da tradução aramaica de "costela" (tzela) como "al'a" — e o sentido é que o vento quebrou os ramos da videira e os derrubou sobre o cereal.
E a explicação de "que o pode" (yigdor) é que imediatamente ele os remove com rapidez.
"Desde que enraíze" (mishetashrish): desde o momento em que suas raízes se espalham na terra.
E o sentido de "cereal que secou por completo e uvas que amadureceram por completo não se santificam" é conforme o que se diz: isso se aplica quando alguém planta videira junto ao cereal que já secou por completo, ou semeia cereal no vinhedo cujas uvas já amadureceram por completo — não se santificam. E o mesmo quando se semeia no vinhedo e as uvas são muito finas, ainda agrão (boser), antes de se tornarem grão branco duplo — também não se santifica.
"O vento que revolveu": que tempestuou. "Vento de tempestade" traduzimos como "ruach al'ola".
"Que o pode" (yigdor): como em "aquele que poda tamareiras" — ou seja, que corte e recolha.
"E não santifica": se não o devolveu, não santifica — pois o que aprendemos acima, que "sob a videira" proíbe e santifica, refere-se a quando o cereal está enraizado principalmente sob a videira; mas quando o cereal está enraizado principalmente fora da videira, e apenas se inclina sob ela [por seu próprio crescimento natural], não santifica.
"Desde que enraíze" (mishetashrish): desde o momento em que as raízes se espalham na terra. E há quem leia "mishetashlish", ou seja, desde que traga um terço [de seu crescimento pleno] — pois a Misericordiosa disse (Devarim 22): "e o fruto da vinha" (tevuát hakerem), e menos de um terço não se chama "fruto" (tevuá).
"E as uvas, desde que se tornem grão branco duplo": pois, se alguém semeou cereal ou hortaliça num vinhedo cujas uvas ainda não chegaram a ser grão branco duplo, e arrancou a semente antes de as uvas chegarem a esse ponto, não santificou. E do mesmo modo, uvas que se tornaram grão branco duplo, e semeou ao seu lado cereal ou hortaliça, e colheu a semente antes que enraizasse, ou antes de trazer um terço [de crescimento] — não santificou.
"Cereal que secou por completo e uvas que amadureceram por completo": e plantou videira ao lado do cereal que já secou por completo, ou semeou ao lado das uvas já completamente maduras — não santificam, pois diz o versículo (Devarim 22): "para que não se torne proibido o produto pleno da semente que semeares e o fruto da vinha" — não santifica até que haja ali "produto pleno de semente" e "fruto da vinha" [ambos em processo ativo de crescimento simultâneo].