O roubador que semeou o vinhedo e se retirou de diante dele — que o colha, mesmo no Chol HaMoed (dias intermediários da festa). Até quanto se dá aos trabalhadores? Até um terço a mais. Mais que isso, colhe do seu modo habitual e prossegue, mesmo depois da festa. Desde quando se chama roubador? Desde que ele se estabeleça.
Continuando o tema de propriedade introduzido em 7:4–7:5, esta Mishná trata do caso oposto: não de alguém que planta em terra alheia por escolha, mas de um roubador (anas) que toma à força o vinhedo de outrem e nele semeia kilaim.
Por que se pode colher kilaim até no Chol HaMoed. Um anas (roubador ou usurpador violento) toma posse à força do vinhedo de outra pessoa e nele semeia cereal ou hortaliça, criando kilaim. Como já visto (7:4–7:5), "ninguém santifica algo que não é seu" — e, enquanto o roubador ainda controla o vinhedo, ele não é considerado seu de fato para efeitos de santificação (a menos que "se estabeleça" nele, como a própria Mishná esclarece no final). Mas o problema prático surge quando o roubador finalmente se retira e o vinhedo volta às mãos do dono original, com a semente do roubador ainda plantada e crescendo ali: agora, se o dono original a deixar crescer, ele mesmo passaria a "manter" (mekayem) kilaim em seu próprio vinhedo, santificando-o retroativamente. Por isso, a Mishná permite ao dono colher a semente imediatamente — mesmo durante o Chol HaMoed, quando o trabalho agrícola é normalmente restrito às atividades essenciais e urgentes —, pois evitar que o próprio vinhedo se torne proibido é considerado uma necessidade genuína (davar ha'aved, "coisa que se perde" se não for atendida a tempo). A Mishná ainda regula quanto o dono deve pagar a mais aos trabalhadores para agilizar essa colheita urgente (até um terço além do salário normal) — além desse limite, ele pode adiar a colheita para depois da festa, prosseguindo em ritmo normal.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam esclarece que "nishtak'u habealim" ("os donos se estabeleceram") tem um sentido específico: refere-se ao roubador se estabelecer no vinhedo a ponto de os donos legítimos desistirem mentalmente de recuperá-lo — daí a pergunta final da Mishná, "desde quando se chama roubador?". O Rambam continua, na mesma halachá (5:12): "Se pediram [os trabalhadores] mais que isso, ou não encontrou trabalhadores, buscará com calma e colherá. E se a semente permaneceu até chegar à época de santificar, isto santificará e ambos [semente e uvas] ficarão proibidos" — reforçando a urgência da colheita antes que a semente atinja o estágio de "mishetashrish" (enraizamento pleno), tratado na Mishná seguinte (7:7).
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Ainda se explicará, em seu lugar, que a colheita no Chol HaMoed é proibida, salvo em caso de necessidade urgente, como se explicará em seu lugar; e é permitido a ele colher o kilayim no Chol HaMoed, como disse.
E o sentido de "até um terço" é: que lhes acrescente um terço do salário para se apressarem em arrancá-lo — por exemplo, se o salário deles fosse três moedas por dia, dará quatro moedas. E se não encontrar senão por salário maior que isso, colherá devagar; e mesmo que a colheita se prolongue até depois da festa, e depois da festa buscará trabalhadores pelo salário costumeiro e colherão do seu modo habitual.
E o que disse "desde que se estabeleça" quer dizer: desde que o dono do vinhedo se esconda por medo do roubador que quer usurpá-lo.
"O roubador": aquele que roubou um vinhedo e o semeou.
"E se retirou de diante dele": ou seja, o vinhedo voltou a seus donos já semeado.
"Que o colha, mesmo no Chol HaMoed": e ainda que não seja tecnicamente "coisa que se perde" [pois ninguém proíbe algo que não é seu, e portanto o dono não perderia nada se deixasse a semente ali] — mesmo assim, por causa da aparência aos olhos [de quem vê e pensa que o dono está cultivando kilayim deliberadamente], permitiram colher no Chol HaMoed, para que não pareça que ele está mantendo kilayim em seu vinhedo. Ou, alternativamente: se ele teme que a semente venha a acrescentar um duzentos-avos [tornando-se halachicamente "crescida"] durante o Chol HaMoed, então sim se torna "coisa que se perde" de fato — pois, ainda que o roubador não a tenha proibido (já que ninguém proíbe o que não é seu), uma vez que o próprio dono a deixa crescer em seu vinhedo, ele mesmo a proíbe por mantê-la.
"Até um terço": há quem explique "até um terço" referindo-se ao salário dos trabalhadores — se não encontrar trabalhadores senão por um terço a mais que seu salário adequado, deve dar, para que arranquem o kilayim imediatamente; mais que isso, não dará, mas colhe do seu modo habitual, ainda que o kilayim permaneça no vinhedo. E há quem explique "até um terço" como a proporção entre o valor dos frutos do vinhedo e o cereal do campo.
"Desde quando se chama roubador?": ou seja, desde quando o vinhedo passa a ser atribuído ao nome do roubador, a ponto de ser considerado como seu para proibi-lo por semeadura.
"Desde que se estabeleça": o nome dos donos se afasta do vinhedo e ele passa a ser chamado pelo nome do usurpador — a partir desse momento o vinhedo é considerado como seu, e santifica tudo o que nele semear.