Aquele que treliça a videira sobre parte de uma árvore frutífera — é permitido trazer semente sob o restante. E se os ramos novos avançaram, deve devolvê-los. Aconteceu que Rabi Yehoshua foi à casa de Rabi Yishmael, em Kfar Aziz, e este lhe mostrou uma videira treliçada sobre parte de uma figueira. Perguntou-lhe: "Posso trazer semente sob o restante?" Respondeu-lhe: "É permitido." E levou-o dali à Bet HaMagniá, e mostrou-lhe uma videira treliçada sobre parte de uma viga — o tronco de uma sicômoro, que tinha muitas vigas. Disse-lhe: "Sob esta viga é proibido, e o restante é permitido."
Em contraste direto com a Mishná anterior (videira sobre árvore não frutífera), esta Mishná trata do caso oposto: a videira treliçada sobre parte de uma árvore que produz frutos — trazendo uma distinção fundamental ao princípio de "anulação".
Por que uma árvore frutífera não é "anulada" em favor da videira. A Mishná anterior ensinou que, quando a videira é treliçada sobre parte de uma armação de apiperot ou sobre parte de uma árvore não frutífera, todo o restante — mesmo sem ramos — já é tratado como proibido a princípio, pois a pessoa "anula" (mevatel) aquela estrutura ou árvore inútil em favor de sua videira, tratando-a como uma extensão dela. Mas ninguém "anula" uma árvore frutífera (como a figueira) em favor de sua videira — pois a árvore tem valor próprio e independente. Por isso, o restante da árvore frutífera, onde não há ramos de videira, é tratado como uma entidade separada, e é permitido semear ali desde o início. Se, porém, os ramos novos da videira crescerem e avançarem sobre a parte semeada, deve-se "devolvê-los" (removê-los ou direcioná-los de volta) — pois agora há uma videira real sobre a semente, mas isso não santifica retroativamente o que já foi plantado, apenas exige a correção. O episódio de Rabi Yehoshua e Rabi Yishmael em Kfar Aziz ilustra o princípio na prática: quanto ao tronco da sicômoro com muitas vigas, cada viga é tratada isoladamente — proibindo-se apenas sob aquela específica sobre a qual a videira está treliçada.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam codifica exatamente a distinção da Mishná entre árvore não frutífera (proibido semear sob o excedente, por analogia à armação de apiperot) e árvore frutífera (permitido, pois não é "anulada" em favor da videira). Não há dissidência registrada sobre este ponto — a distinção entre ilan serak e ilan maachal é consensual entre os Sábios, embora a definição exata do que conta como "árvore não frutífera" seja objeto de disputa na Mishná seguinte (6:5).
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
O aris é feito de varas e semelhantes, e assim também os ramos de uma árvore não frutífera — a intenção é treliçar os ramos sobre ele. E por isso proibimos toda semente semeada sob ele, pois está pronto para que os ramos se treliçem sobre ele todo, e é com essa finalidade que se pensou nele. Mas uma árvore frutífera, ninguém faz dela um aris com a intenção de prejudicá-la — e por isso disse-se: "ninguém anula sua figueira em favor de sua videira", e por essa razão permitiram-lhe semear sob o excedente. E se os ramos se alongarem e se emaranharem sobre o que foi semeado, deve levantar os ramos estendidos e devolvê-los para o outro lado.
E quanto ao que disse "e assim também muitas vigas" — refere-se ao tronco de uma sicômoro; e já explicamos que a sicômoro é da espécie das figueiras. E é proibido o que foi semeado sob aquela viga [específica], mesmo que os ramos estejam apenas sobre parte dela, pois são apiperot; mas permitiu-se semear sob as demais vigas que saem do próprio tronco da sicômoro, pois é uma árvore frutífera.
"Deve devolvê-los": ao lugar onde estavam originalmente, e semeia o restante.
"Aziz": nome de um lugar.
"Disse-lhe: é permitido": pois ninguém anula sua figueira em favor de sua videira.
"Bet HaMagniá": nome de um lugar.
"O tronco da sicômoro": a raiz de uma árvore de sicômoro, que é uma árvore de figo que cresce nas florestas, e dela se cortam vigas para construção.
"Sob esta viga é proibido, e o restante é permitido": pois considero cada viga como uma árvore independente por si mesma.