Um aris que sai de uma escarpa — Rabi Eliezer ben Yaacov diz: se, estando de pé no chão, é possível colher toda ele, proíbe-se quatro côvados; e se não, proíbe-se apenas o que está sob ele. Rabi Eliezer diz: também aquele que planta uma fileira no chão e uma fileira na escarpa — se a escarpa tem dez palmos de altura em relação ao chão, não se juntam; e se não, juntam-se.
Esta Mishná continua o tema do aris introduzido em 6:1, tratando agora de um caso especial: o aris que projeta sobre uma escarpa (madrega) — um degrau ou terraço elevado no terreno.
Quando a possibilidade prática de colher determina a extensão da proibição. Um aris que se projeta de uma escarpa elevada estende-se sobre o campo abaixo, dando sombra e alcançando distâncias que uma videira comum não alcançaria. Rabi Eliezer ben Yaacov introduz um critério prático e não meramente geométrico: se uma pessoa, ficando de pé no nível do chão (sem subir na escarpa), consegue colher todos os cachos daquele aris — então a área abaixo dele é tratada como se fosse a própria base das videiras, e a proibição se estende quatro côvados a partir da borda do aris. Mas se não é possível colher todos os cachos sem subir à escarpa ou usar uma escada, a proibição se limita ao espaço diretamente sob o aris — pois, sendo inacessível pelo chão, aquele espaço não é tratado como "vinhedo" pleno para quem está embaixo. A segunda parte, atribuída a Rabi Eliezer, trata de um caso relacionado mas distinto: duas fileiras de videiras, uma no chão e outra sobre a escarpa — elas só se combinam para formar um verdadeiro vinhedo (exigindo duas fileiras, como no Perek Dalet) se a escarpa tiver menos de dez palmos de altura; caso contrário, a diferença de nível as separa, e cada fileira é julgada isoladamente.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam codifica integralmente a opinião de Rabi Eliezer ben Yaacov, sem opinião divergente registrada na Mishná quanto a este primeiro caso — tratando-se de halachá aceita sem controvérsia prática. Quanto à segunda parte da Mishná (a fileira no chão versus na escarpa, atribuída a Rabi Eliezer), o Rambam não a codifica como halachá autônoma separada no mesmo capítulo, mas seu princípio — de que uma diferença de dez palmos de altura impede que duas fileiras se combinem como vinhedo — já está implícito nas leis gerais sobre "vinhedo pobre" e configurações irregulares tratadas em Hilchot Kilaim, capítulo 7.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Ele diz: quando o aris sair de um lugar elevado, ainda que seu tronco esteja distante, sobre esta forma — se é possível a alguém ficar de pé no chão e colher todos os cachos pendentes do aris, será proibido quatro côvados para todos os lados, mesmo que o tronco das videiras esteja no lugar do aris e defronte dele; e não se chama aris com menos de cinco videiras, o que já adiantamos e você deve guardar sempre em seu coração. E se não é possível colher todos os cachos a menos que se segure nos ramos do aris ou suba a uma escarpa, não será proibido senão os quatro côvados apenas defronte dele — quero dizer, no lugar defronte do tronco das videiras, a partir do fim do aris se mede quatro côvados naquela direção, e então semeia.
E quanto ao que disse "uma no chão e uma na escarpa" — quer dizer, uma fileira no chão e uma fileira na escarpa; e se a escarpa for dez palmos mais alta que o chão, as duas fileiras não se combinam e não se torna vinhedo. E a halachá é como Rabi Eliezer ben Yaacov, e não é a halachá como Rabi Eliezer.
"Da escarpa": de um monte elevado, feito como uma espécie de degrau.
"Se, estando de pé embaixo no chão": consegue colher os cachos pendentes do aris, vê-se todo o aris como se fosse o lugar do tronco e raízes das videiras, e proíbe-se quatro côvados no campo, para todos os lados, a partir da borda do aris para fora — e é apenas a princípio (lechatchilá) que se proíbe semear ali, mas não torna proibido [o que já foi semeado] senão dentro de seis palmos, tal como o excedente das "porções separadas do aris" que se verá adiante, no Perek Zayin.
"E se não": ou seja, não consegue colher todos os cachos até subir na escarpa ou na escada — não é proibido semear senão sob o próprio aris, e fora dele é permitido, mesmo dentro dos quatro côvados do tronco das videiras do aris, uma vez que [para colher] é necessário subir à escarpa — e assim é a halachá.
"Também aquele que planta uma fileira no chão e uma fileira na escarpa": das duas fileiras necessárias para que se considerem vinhedo — e aqui não se fala do aris, mas de duas fileiras de videiras, duas contra duas com uma saindo em cauda. Se a escarpa é dez [palmos] mais alta que o chão, as duas fileiras não se combinam para formar vinhedo, mas cada fileira tem a lei de uma videira isolada. E não é a halachá como Rabi Eliezer.