Aquele que planta hortaliça no vinhedo, ou a mantém, torna proibidas quarenta e cinco videiras. Quando? Quando estavam plantadas a quatro por quatro côvados, ou a cinco por cinco. Se estavam plantadas a seis por seis, ou a sete por sete, torna proibido dezesseis côvados para cada lado — em círculos, e não em quadrados.
Depois de tratar de espaços e estruturas dentro do vinhedo, a Mishná passa a medir o alcance da própria proibição: quantas videiras ficam "contaminadas" quando alguém planta hortaliça no meio delas.
Um círculo de dezesseis côvados ao redor da transgressão. A regra central desta Mishná é que a proibição de kilaei hakerem não se limita à hortaliça em si, nem apenas às videiras vizinhas mais próximas — ela se estende, a partir do ponto onde a hortaliça foi plantada, por um raio de dezesseis côvados em todas as direções, formando um círculo (e não um quadrado, pois um quadrado alcançaria cantos desnecessariamente distantes). Quando o vinhedo está plantado numa grade regular de quatro por quatro ou cinco por cinco côvados entre videiras, esse círculo de dezesseis côvados de raio contém, em cálculo geométrico exato, quarenta e cinco videiras — e por isso a Mishná prefere expressar a medida em número de videiras proibidas, uma forma mais concreta e verificável no campo do que a abstração de "dezesseis côvados". Já quando as fileiras são mais espaçadas (seis ou sete côvados entre videiras), o número de videiras dentro do mesmo círculo de dezesseis côvados varia (pois a proporção entre a grade e o círculo muda), de modo que a Mishná abandona a contagem fixa e volta à medida geométrica direta: dezesseis côvados de raio, em círculo.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam segue o texto da Mishná quase literalmente, mas acrescenta uma condição importante retirada de outra fonte (Mishná Kilayim 5:6, discutida na próxima página): a proibição pelo plantio ilícito só se aplica plenamente depois que a hortaliça "aumentar em duzentas partes" — isto é, crescer o suficiente para se considerar que houve um enraizamento e desenvolvimento reais, e não um mero acidente passageiro. Essa condição une esta halachá à seguinte (6:1 e a base de 5:6), mostrando que o Rambam lê as duas mishnayot como uma só unidade legal.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná — cujo raciocínio geométrico completo ocupa páginas de diagramas nas edições clássicas.
"Aquele que planta hortaliça": é o que a semeia. "E a mantém": é quando a vê brotar e a deixa.
E o que disse "torna proibidas quarenta e cinco videiras" é conforme o que vai explicar: a base é que sempre se torna proibido dezesseis côvados para cada lado, em círculos — de modo que o círculo cujo interior inteiro se torna proibido é um círculo cujo diâmetro tem trinta e dois côvados.
O Rambam desenvolve, com diagramas geométricos detalhados, por que a Mishná escolheu expressar a medida em número de videiras (quarenta e cinco) quando o espaçamento é de quatro ou cinco côvados: nessas duas configurações, o círculo de trinta e dois côvados de diâmetro sempre contém exatamente quarenta e cinco videiras — um número fixo e facilmente verificável no campo, mais prático do que medir a distância exata. Já para espaçamentos de seis ou sete côvados, o número de videiras dentro do mesmo círculo varia, tornando necessário voltar à medida direta de dezesseis côvados de raio.
"Aquele que planta hortaliça no vinhedo, ou a mantém": quando a vê brotar e a deixa.
"Torna proibidas...": a regra geral desta nossa Mishná é que sempre se torna proibido dezesseis côvados para cada lado, em círculos. E ainda que tenhamos ensinado anteriormente [4:4] que aquele que semeia nos quatro côvados do cultivo do vinhedo só torna proibidas duas fileiras, aqui — onde semeia entre as próprias videiras — torna proibidos dezesseis côvados, a medida de um grande vinhedo, pois se estende até esse limite.
Bartenura reproduz então, seguindo o Rambam, o desenvolvimento geométrico completo: por que um vinhedo plantado a quatro por quatro ou cinco por cinco côvados, ao se traçar um círculo de trinta e dois côvados de diâmetro a partir do ponto da hortaliça, sempre resulta em exatamente quarenta e cinco videiras proibidas — enquanto vinhedos mais espaçados (seis ou sete côvados) exigem a medida direta de dezesseis côvados de raio, pois o número de videiras deixa de ser constante. Cita ainda a objeção do Rosh sobre por que não se proíbem também as videiras adjacentes às sete fileiras centrais, e a resposta de que a medida de quatro côvados entre videiras já exclui as próprias raízes do cálculo.