Um vinhedo que é plantado com fileiras a menos de quatro côvados umas das outras — Rabi Shimon diz: não é vinhedo. E os Sábios dizem: é vinhedo, e vê-se as fileiras intermediárias como se não existissem.
A Mishná continua a examinar as configurações de plantio que definem se um terreno é, ou não, um vinhedo para os fins da proibição de Devarim 22:9.
Fileiras demasiado próximas: excesso, e não escassez. Se a Mishná anterior tratou de vinhedos com poucas videiras ou mal alinhadas, esta trata do extremo oposto: fileiras plantadas tão próximas entre si — a menos de quatro côvados — que, segundo Rabi Shimon, ninguém plantaria assim com a intenção de manter um vinhedo produtivo (pois as videiras se prejudicariam mutuamente, competindo por espaço, luz e nutrientes); um plantio tão apertado só faz sentido se a intenção original era, mais cedo ou mais tarde, arrancar parte das videiras. Por isso, para Rabi Shimon, isso não é "vinhedo" — é tratado como se cada fileira fosse uma videira isolada. Os Sábios discordam: reconhecem que é comum plantar mais fileiras do que o necessário, deixando para depois a decisão de quais preservar e quais arrancar como lenha; por isso ainda é um vinhedo — mas, para efeitos práticos de kilayim, as fileiras "extras" (intermediárias, mais próximas do que quatro côvados permitiriam) são desconsideradas, e apenas as fileiras externas, mais distantes, contam para determinar os limites do vinhedo.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide como os Sábios, contra Rabi Shimon: mesmo fileiras plantadas a menos de quatro côvados uma da outra formam um vinhedo pleno — desde que haja ao menos três fileiras, de modo que as fileiras externas (as mais distantes) definam os limites do vinhedo, e as intermediárias sejam desconsideradas para o cálculo, embora continuem fisicamente ali e sejam parte do próprio vinhedo, sem exigir afastamento adicional para semeadura.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Quando houver entre duas fileiras menos de quatro côvados, elas se apertarão mutuamente e se prejudicarão umas às outras; e disse Rabi Shimon: com a intenção de depois arrancar, as pessoas não costumam plantar — e isso não é vinhedo, mas como uma videira isolada.
E os Sábios dizem: há quem plante um vinhedo assim, com a intenção de depois arrancar o que se estragou e deixar o restante — e assim disseram [no Talmud]: "a que ficar bem, ficará bem; e a que não ficar bem, servirá de lenha".
E o sentido de "vê-se as intermediárias como se não existissem" já foi explicado na Guemará [do Yerushalmi]: é permitido pendurá-las por cima das sementes, pois são como quaisquer outras árvores — este é o sentido de "como se não existissem". E "pendurá-las" significa estendê-las e inclinar suas ramas sobre as sementes. E não é a halachá segundo Rabi Shimon.
"Um vinhedo plantado a menos de quatro côvados": que não há entre uma fileira e outra quatro côvados.
"Não é vinhedo": e afasta-se seis palmos e semeia-se o restante — pois, uma vez que não se pode lavrar com bois entre elas, não recai sobre ele o nome de vinhedo.
"E os Sábios dizem: é vinhedo": pois vê-se as intermediárias como se não existissem, e as externas se juntam para formar o vinhedo, se houver entre elas o espaço adequado. Isso porque é costume das pessoas plantar muitas fileiras contínuas juntas, e as que forem adequadas para permanecer e se tornar vinhedo permanecerão como vinhedo, e o restante servirá de lenha. Por isso, essas intermediárias, plantadas dentro do espaço que seria adequado entre uma fileira e outra, são vistas como se fossem meras árvores, e as externas se juntam para constituir o vinhedo.