Um vinhedo que devastou: se há nele dez videiras para colher por bet seá, plantadas segundo sua norma, isso se chama vinhedo pobre. Um vinhedo que é plantado em desordem: se há nele como alinhar duas contra três, é um vinhedo; e se não, não é vinhedo. Rabi Meir diz: uma vez que tem a aparência de vinhedo, é vinhedo.
Esta Mishná abre o Perek Heh, que continua a tratar do kilaei hakerem — mas agora perguntando não sobre a medida de um espaço vazio dentro do vinhedo, e sim sobre o que, afinal, define um "vinhedo" como tal.
Quando um vinhedo esparso ainda é um vinhedo. O Perek Dalet tratou de vinhedos íntegros que se degradaram parcialmente (a calva, o espaço de contorno). Esta Mishná vai além: pergunta se um vinhedo tão esvaziado, ou tão desordenado, ainda merece ser chamado de "vinhedo" para os fins da proibição severa de Devarim 22:9 — pois só um verdadeiro vinhedo produz o kilaei hakerem, que proíbe até o uso do produto. Primeiro caso: um vinhedo devastado, mas que ainda conserva ao menos dez videiras plantadas corretamente (na disposição padrão) por bet seá (uma área de referência), continua sendo um vinhedo — apenas "pobre" (dal) por ter poucas videiras, mas ainda vinhedo pleno. Segundo caso: um vinhedo cujas videiras nunca foram plantadas em fileiras organizadas, mas espalhadas irregularmente — este só é considerado vinhedo se, apesar da desordem aparente, for possível traçar um alinhamento de duas videiras contra três (uma diagonal que revela uma estrutura geométrica latente). Rabi Meir dispensa até esse teste geométrico: basta a aparência visual de vinhedo.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide a halachá segundo a opinião anônima da Mishná (os Sábios), e não segundo Rabi Meir: mesmo um vinhedo de aparência desordenada só é tratado como vinhedo pleno — com a proibição estendida a toda a área — se for possível traçar nele o alinhamento geométrico exigido (duas contra três). Sem esse alinhamento, cada videira é tratada isoladamente, exigindo apenas seis palmos de afastamento.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Colher dez videiras por bet seá": que haja, na medida de um bet seá, dez videiras. "E plantadas segundo sua norma": isto é, duas contra duas, com uma saindo em cauda. "Vinhedo pobre": é o esvaziado — quero dizer, que suas videiras são poucas — e ainda assim se chama vinhedo.
Já adiantamos no capítulo anterior qual a utilidade de o lugar onde estão plantadas as videiras ser vinhedo, e este nome recair sobre ele, ou de não ser vinhedo. E não é a halachá segundo Rabi Meir.
"Um vinhedo que devastou": "dez videiras por bet seá" — que há na terra de um bet seá dez videiras, não menos que isso.
"E plantadas segundo sua norma": isto é, duas contra duas com uma saindo em cauda, e não estão distantes umas das outras dezesseis côvados nem menos que quatro côvados.
"Vinhedo pobre": cujas videiras são poucas, e ainda assim tem a lei de vinhedo. E isto não é a calva do vinhedo, pois aquela devastou a partir de seu meio, e este foi devastado de todos os lados.
"Irbuvia" (em desordem): quando as videiras não estão alinhadas em fileira.