Aquele que planta duas fileiras — se não há entre elas oito côvados, não se deve trazer semente para lá. Se havia entre uma fileira e a outra dezesseis côvados, dá-se a ele o espaço da calva, e ele semeia o restante. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: mesmo que a fileira do meio tenha devastado, se havia ali dezesseis côvados, dá-se a ele o espaço da calva, e ele semeia o restante — pois se desde o início as tivesse plantado assim, seria permitido.
A Mishná retoma o tema do espaço entre fileiras, agora tratando de um vinhedo de três fileiras — o "vinhedo grande" — e a diferença entre plantá-lo já espaçado e vê-lo devastado depois.
Duas fileiras próximas ainda são "um só vinhedo". A primeira parte desta Mishná estabelece que duas fileiras separadas por menos de oito côvados são tratadas como um único vinhedo contínuo — reforçando a regra vista na Mishná anterior, mas agora para duas fileiras do mesmo dono. Se a distância chega a dezesseis côvados, esse espaço central passa a ser tratado como uma calva do vinhedo (karachat hakerem, vista na Mishná 4:1): dá-se ao proprietário o espaço do cultivo (quatro côvados de cada lado) e ele pode semear o restante. A parte final da Mishná traz a opinião de Rabi Eliezer ben Yaakov sobre um caso ainda mais específico: um vinhedo originalmente plantado com três fileiras, cuja fileira central foi depois destruída. Ele argumenta que, mesmo nesse caso — em que tecnicamente restam apenas duas fileiras, como no caso comum —, se a distância entre as fileiras remanescentes é de dezesseis côvados, aplica-se a mesma leniência da calva do vinhedo, pois o resultado final é idêntico ao de um vinhedo que tivesse sido plantado dessa forma desde o princípio.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam codifica o princípio de oito côvados como limite de separação entre duas fileiras (Hilchot Kilaim 7:2) e a regra de três fileiras "vendo a do meio como inexistente" (7:3), correspondendo ao conteúdo geral desta Mishná; ele não cita explicitamente a opinião de Rabi Eliezer ben Yaakov, sinal de que não a aceita como halachá — conforme observa também o Bartenura.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Duas fileiras não são um vinhedo, a menos que haja ali uma videira "saindo como cauda", como já explicamos antes; e por isso não é necessário haver dezesseis côvados como se disse a respeito do vinhedo que devastou em seu meio, mas quando há entre as fileiras oito côvados, dá-se a cada fileira o seu cultivo, que são seis palmos, pois são como uma videira isolada, e o restante é semeado. E se há três fileiras, é um vinhedo sem dúvida...
E disse Rabi Eliezer ben Yaakov: mesmo que a fileira do meio tenha devastado, uma vez que já era um vinhedo, o lugar que resta entre as duas fileiras externas tem a lei de um vinhedo que devastou em seu meio [exigindo apenas dezesseis côvados, e não a medida maior de um vinhedo comum de duas fileiras separadas desde o início]... E não é halachá como Rabi Eliezer ben Yaakov.
"Aquele que planta duas fileiras": de duas videiras cada, sem nenhuma "saindo como cauda".
"Se não há entre elas oito côvados, não se deve trazer semente para lá": pois se somam para formar um vinhedo; mas se estão distantes oito côvados, além do espaço das próprias videiras, não se somam, e são como uma videira isolada — afasta-se seis palmos desta fileira e seis palmos daquela fileira, e semeia-se as seis côvados do meio.
"Entre uma fileira e a outra dezesseis côvados": pois, havendo três fileiras, tornam-se como um vinhedo grande, e o lugar entre cada duas fileiras é julgado segundo a lei da calva do vinhedo, que é de dezesseis côvados. Mas se a fileira do meio devastou, segundo o primeiro tana não se exige entre elas a medida da calva, já que não restou um vinhedo [de três fileiras]; e não se compara a um vinhedo de quatro ou cinco fileiras, em que, mesmo devastando a do meio, ainda resta um vinhedo — por isso ali se exige que o espaço devastado tenha dezesseis côvados.
"Rabi Eliezer ben Yaakov diz: mesmo que a fileira do meio tenha devastado": visto que já havia sido um vinhedo, ainda agora tem a lei de vinhedo, e exige dezesseis côvados.
"Pois se desde o início as tivesse plantado assim": isto é, se elas nunca tivessem chegado à categoria de vinhedo, e desde o início tivesse plantado apenas duas fileiras, não seria necessário que houvesse entre elas mais que oito côvados, como dissemos acima; agora que as plantou como três, e chegaram à categoria de vinhedo, ainda que a do meio tenha devastado e restem apenas duas, eis que são como um vinhedo que devastou em seu meio, e é necessário haver dezesseis côvados. E não é halachá como Rabi Eliezer ben Yaakov.