Aquele que planta duas contra duas, e uma saindo como cauda — eis que é um vinhedo. Duas contra duas, e uma no meio delas — eis que é um vinhedo. Uma no centro, e quatro ao seu redor, nos quatro lados — Rabi Yehudá diz: eis que é um vinhedo. E os Sábios dizem: não é um vinhedo, até que haja duas fileiras.
A Mishná continua a explorar a definição de "vinhedo pequeno" (kerem katan), examinando agora arranjos de cinco videiras que não formam duas fileiras retas e completas.
Configurações que "parecem" um vinhedo mesmo sem duas fileiras completas. A Mishná anterior estabeleceu que, para Bet Hilel (cuja opinião prevalece na halachá), são necessárias duas fileiras completas para constituir um vinhedo. Esta Mishná examina três arranjos alternativos com apenas cinco videiras, perguntando se cada um se qualifica como as "duas fileiras" exigidas. Nos dois primeiros casos — duas fileiras de duas videiras cada, com uma quinta videira "saindo como cauda" de uma delas, ou posicionada entre as duas fileiras — todos concordam que se trata de um vinhedo, pois o olho ainda reconhece duas linhas paralelas de plantio. Já no terceiro arranjo — uma única videira central cercada por quatro videiras nos quatro lados, formando uma espécie de estrela ou losango, sem nenhuma linha reta de duas videiras — surge a controvérsia: Rabi Yehudá ainda vê ali duas "fileiras" (cada diagonal formando uma linha), mas os Sábios discordam, insistindo que sem uma fileira reta e contínua não há vinhedo algum, mesmo com cinco videiras plantadas próximas.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
Nota importante: a decisão do Rambam aqui diverge do texto explícito desta Mishná. A Mishná declara que tanto "duas contra duas com uma saindo como cauda" quanto "duas contra duas com uma no meio" são consideradas vinhedo; o Rambam, contudo, decide que apenas o primeiro arranjo (a "cauda") constitui vinhedo, enquanto o segundo (uma no meio das duas fileiras) não o constitui — a decisão do Rambam aqui segue a leitura do Talmud Yerushalmi da Mishná, que distingue esses casos com mais rigor do que sugere a leitura simples do texho. Quanto ao terceiro caso (uma no centro, quatro ao redor), o Rambam não o codifica explicitamente neste capítulo, mas sua omissão, somada à regra geral de que a halachá segue os Sábios contra um indivíduo (aqui, Rabi Yehudá), indica que ele decide como os Sábios: não é vinhedo.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Saindo como cauda": explica-se: como uma cauda, conforme esta figura [o Rambam ilustra com um diagrama no manuscrito original]. "Duas contra duas, e uma no meio delas": significa que a quinta videira fica entre duas quaisquer das quatro videiras, formando esta outra figura. "Duas e duas contra, e uma no meio [centro]": conforme esta terceira figura.
[O Rambam ilustra os três arranjos geometricamente, mostrando visualmente a diferença entre a "cauda" que se estende para fora da linha, a videira "entre" duas fileiras paralelas, e a videira central cercada nos quatro lados.]
"E uma saindo como cauda": por exemplo, três videiras plantadas em uma fileira, e duas em uma segunda fileira, contra duas das três — de modo que a terceira videira da primeira fileira "sai" para fora, como uma cauda.
"E uma no meio delas": que as duas [de uma fileira] estão contra as duas [da outra], e a quinta videira está no espaço aéreo entre elas.
"Uma no centro": por exemplo, uma videira plantada com quatro videiras nos seus quatro lados.