Rabi Yehudá diz: isto não é senão o muro do vinhedo. E o que é o espaço de contorno do vinhedo? Entre dois vinhedos. O que é o muro? Aquele que permite deixar o vinhedo de um lado e semear do outro. E igualmente uma vala.
Rabi Yehudá discorda da terminologia da Mishná anterior, propondo uma redefinição dos termos "mechol hakerem" e "gader" (muro).
Uma segunda opinião sobre o vocabulário técnico. Enquanto a Mishná anterior (segundo o tana anônimo) chamava de "mechol hakerem" o espaço entre o vinhedo e o muro que o cerca, Rabi Yehudá discorda dessa terminologia: para ele, o espaço entre o vinhedo e um muro já constitui, ele mesmo, uma espécie de "muro do vinhedo" — pois o muro, ainda que físico, já demarca visualmente onde o vinhedo termina, dispensando uma medida especial de doze côvados. O verdadeiro "mechol hakerem", segundo Rabi Yehudá, é outra coisa: o espaço entre dois vinhedos distintos — onde não há um muro físico separando-os, apenas a distância entre as fileiras de um e as fileiras do outro. E o "muro" (gader), para Rabi Yehudá, é qualquer estrutura — inclusive uma simples vala — que permita, de modo visível e inequívoco, distinguir onde o vinhedo acaba e o campo de sementes começa.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide a halachá segundo o tana anônimo — mantendo o termo mechol hakerem para o espaço entre o vinhedo e o muro (como na Mishná 4:2) — e não segundo a redefinição de Rabi Yehudá; sua discussão em Hilchot Kilaim 7:12–13 usa exatamente a terminologia da mishná anônima, sinal de que a halachá segue essa opinião, e não a de Rabi Yehudá.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná. O Rambam não redigiu comentário para esta mishná em seu Perush HaMishná; trazemos apenas o Bartenura.
"Isto não é senão o muro do vinhedo": o lugar entre o muro e o vinhedo é chamado de "muro do vinhedo" — e mesmo que haja ali apenas seis côvados, afasta-se quatro côvados e semeia-se o restante (diferentemente da mishná anterior, que exigia doze côvados para poder semear ali).
"E o que é o mechol hakerem, que exige doze côvados": é o lugar entre dois vinhedos. E o primeiro tana entende que o lugar entre dois vinhedos tem a mesma lei do vinhedo que devastou em seu meio (a karachat hakerem, exigindo dezesseis côvados). E no Talmud Yerushalmi se demonstra que Rabi Yehudá não disse que o mechol hakerem fica entre dois vinhedos senão quando as fileiras dos dois vinhedos não estão alinhadas uma com a outra — por exemplo, quando as fileiras do vinhedo de um lado do mechol vão de leste a oeste, e as do outro lado vão de norte a sul; pois se estivessem alinhadas, Rabi Yehudá concordaria que pareceria uma calva do vinhedo (karachat hakerem) e exigiria dezesseis côvados. E não é halachá como Rabi Yehudá.
"O que é o muro": o que separa o vinhedo de modo que se pode deixar o vinhedo de um lado e semear do outro; e igualmente uma vala.