E o que é o espaço de contorno do vinhedo? Entre o vinhedo e o muro. Se não há ali doze côvados, não se deve trazer semente para lá. Rabi Yehudá diz: dá-se ao campo, quanto ele tiver, o cultivo do vinhedo — quatro côvados.
Esta Mishná dá continuidade à anterior, tratando de um segundo tipo de espaço vazio junto ao vinhedo — desta vez, na sua borda externa, entre as últimas videiras e o muro que o circunda.
Um espaço menor, exigindo uma faixa menor. Diferentemente da calva do vinhedo — cercada de videiras em todos os lados, e por isso exigindo dezesseis côvados —, o espaço de contorno (mechol hakerem) tem a proibição apenas de um lado, o lado das videiras; do outro lado há apenas o muro, que não planta nada. Por essa razão sua medida mínima é menor: doze côvados, dos quais quatro se destinam ao cultivo do vinhedo junto às videiras, e outros quatro são considerados terreno "perdido" por estarem junto ao muro (necessário para a manutenção de sua base), restando quatro côvados livres para semear — o mínimo que a Mishná considera "um campo" que não se anula perante o vinhedo.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide a halachá segundo a mishná anônima (doze côvados), e não segundo Rabi Yehudá, que dispensava qualquer medida mínima. O texto do Rambam corresponde diretamente a esta Mishná, mantendo a mesma medida de doze côvados citada aqui.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
O mechol hakerem é o lugar vazio afastado do vinhedo, onde não há videiras, e é um termo dos Sábios, relacionado à palavra "mechilá" — isto é, o abandono da coisa. Dá-se-lhe o seu cultivo: afasta-se das árvores quatro côvados, que é o cultivo do vinhedo, e semeia-se até os muros, o que perfaz oito côvados. E o que disse — que quando resta entre as árvores e os muros menos de doze côvados não se deve trazer semente para lá — é porque o que resta junto aos muros é considerado abandonado, tendo o proprietário em mente deixá-lo de lado.
"Mechol do vinhedo": um lugar vazio entre o vinhedo e o muro que o cerca por todos os lados — a palavra é do mesmo campo semântico das "danças em roda" (mecholot) das mulheres, quando dançam girando, como em "então a jovem se alegrará na dança" (Jeremias 31).
"Se há ali doze côvados": conforme as palavras de Bet Hilel, dá-se quatro côvados para o cultivo do vinhedo e semeia-se o restante. Mas se não há ali doze côvados, não se deve trazer semente para lá — pois as quatro côvados junto ao vinhedo são o seu cultivo, e as quatro côvados junto ao muro, como não são semeadas por causa da manutenção do muro (para que uma pessoa possa caminhar sobre o solo próximo ao muro, pisando a terra e fortalecendo seus alicerces), são consideradas abandonadas por seu dono. E, se as quatro côvados centrais existirem, são consideradas relevantes; se não, anulam-se perante o vinhedo. E aqui não se exige dezesseis côvados, pois a proibição existe apenas de um lado. E todas essas medidas são em côvados de seis palmos.