Se seu campo estava semeado de cebolas, e ele deseja plantar dentro dele fileiras de abóboras — Rabi Ishmael diz: arranca-se duas fileiras e planta-se uma fileira, deixando-se de pé duas fileiras de cebolas no lugar de duas fileiras, e arranca-se [novamente] duas fileiras e planta-se uma fileira. Rabi Akiva diz: arranca-se duas fileiras e planta-se duas fileiras, deixando-se de pé duas fileiras de cebolas no lugar de duas fileiras, e arranca-se duas fileiras e planta-se duas fileiras. Mas os sábios dizem: se não houver entre uma fileira e a outra doze côvados, não se deve deixar subsistir a semente que está entre elas.
Esta Mishná retorna ao tema da fileira dentro de um campo já plantado, mas com uma das espécies mais problemáticas do tratado: a abóbora, cujas folhas largas se estendem amplamente.
Por que a abóbora exige distância tão maior que outras hortaliças. Enquanto uma fileira de hortaliça comum dentro de outro campo se contenta com um simples sulco (Mishná 3:3), as abóboras — como já vimos na Mishná 3:4 — têm folhas que se espalham e se enroscam de forma extraordinária. Por isso, ao introduzir fileiras de abóboras num campo já semeado de cebolas, é necessário criar um espaçamento muito mais generoso entre uma fileira de abóboras e a próxima, para que as folhas de ambas as fileiras, mesmo crescendo e se estendendo com o tempo, não se encontrem no meio do caminho e deem a impressão de uma mistura contínua. Os sábios fixam essa distância em doze côvados — o dobro da distância de seis côvados que cada fileira de abóbora tende a ocupar com sua expansão natural de cada lado.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide a halachá como os sábios, adotando a medida de doze côvados entre fileiras de abóboras, e dispensando o método específico de "arrancar e substituir" proposto por Rabi Ishmael e Rabi Akiva — o essencial é apenas a distância final entre as fileiras, e um sulco simples entre a fileira de abóboras e a hortaliça vizinha.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Deves entender que uma fileira de abóboras [com sua folhagem] ocupa quatro côvados de largura. Por isso, Rabi Ishmael disse que se arranca a medida de duas fileiras de abóboras, que são oito côvados, e planta-se delas uma fileira, que é de quatro côvados de largura; e deixa-se de pé cebolas na medida de duas fileiras, que são oito côvados...
Assim se descobre que, para Rabi Ishmael, entre duas fileiras de abóboras há doze côvados: pois as duas fileiras arrancadas ocupavam oito côvados de largura, plantou nelas uma fileira de quatro côvados no meio, restando duas amot de terra baldia entre a fileira de abóboras e as cebolas de pé, e as cebolas de pé ocupam oito côvados, e mais duas amot de terra baldia até a próxima fileira de abóboras — chegando a doze côvados no total.
E, segundo a opinião de Rabi Akiva, que diz que se arrancam duas fileiras e se plantam duas fileiras, o espaço entre duas fileiras de abóboras será apenas a largura da fileira de cebolas de pé, que é de oito côvados.
A diferença entre os sábios e Rabi Ishmael: Rabi Ishmael exige duas amot de terra baldia entre a fileira de abóboras e a fileira de cebolas de pé; os sábios permitem encostar a fileira de abóboras junto às cebolas de pé, exigindo apenas o sulco costumeiro, como as demais hortaliças. Mas os sábios exigem que haja doze côvados entre uma fileira de abóboras e a outra, pois as folhas das abóboras são largas e se estendem muito, para que todo o campo não pareça misturado de cebolas e abóboras. E a halachá é como os sábios.
"Arranca-se duas fileiras e planta-se uma fileira": a medida da fileira não é menos de quatro côvados de largura. E, quando arranca duas fileiras de cebolas, que são oito côvados, e planta em seu meio uma fileira de abóboras, que é de quatro côvados, sobram duas amot baldias de cada lado.
"Rabi Akiva diz: arranca-se duas fileiras e planta-se duas fileiras": ele entende que não é necessário separar entre as duas fileiras de abóboras e as cebolas de pé senão pelo sulco [comum], como se ensinou anteriormente sobre as demais hortaliças.
"Mas os sábios dizem: se não houver entre uma fileira e a outra doze côvados...": os sábios concordam com Rabi Ishmael quanto à medida final — que deve haver doze côvados entre uma fileira de abóboras e a outra — mas Rabi Ishmael exige, além disso, um afastamento de duas amot baldias entre a fileira de abóboras e as cebolas de pé, enquanto os sábios permitem encostar a fileira de abóboras junto às cebolas de pé, exigindo apenas um único sulco, como as demais hortaliças. Contudo, exigem os doze côvados entre uma fileira de abóboras e a outra, porque as folhas das abóboras são largas e se estendem muito, para que todo o campo não pareça misturado de cebolas e abóboras. E a halachá é como os sábios.