Quem planta duas fileiras de pepinos, duas fileiras de abóboras, duas fileiras de fava egípcia, é permitido. Uma fileira de pepinos, uma fileira de abóboras, uma fileira de fava egípcia, é proibido. Uma fileira de pepinos, uma fileira de abóboras, uma fileira de fava egípcia, e [novamente] uma fileira de pepinos — Rabi Eliezer permite, mas os sábios proíbem.
Esta Mishná trata de três espécies de folhagem particularmente expansiva, que exigem uma regra própria, mais rigorosa que a das hortaliças comuns.
Quando a fileira precisa de companhia para ser reconhecida. Pepinos, abóboras e fava egípcia têm uma característica em comum: suas folhas se estendem muito e se enroscam facilmente nas plantas vizinhas. Por isso, embora um sulco simples já baste para separar duas hortaliças comuns (como visto na Mishná anterior), essas três espécies exigem mais: apenas duas fileiras da mesma espécie lado a lado formam uma massa reconhecível como "um campo" daquela espécie, tornando visível a separação em relação à fileira vizinha de espécie diferente. Uma única fileira de cada, ainda que separadas por sulcos, parece — aos olhos de quem observa — uma mistura desordenada, porque os ramos se estendem e se entrelaçam de um lado a outro, mascarando a separação original.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam segue a posição dos sábios contra Rabi Eliezer, decidindo que mesmo quatro fileiras alternadas — duas de pepinos separadas por uma de abóboras e uma de fava egípcia — não bastam, pois as duas fileiras de pepinos não estão contíguas entre si.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Quando planta duas fileiras de cada espécie, e o local parece um campo de pepinos, um campo de abóboras e um campo de fava egípcia, é permitido, contanto que haja um sulco entre cada duas fileiras de espécie diferente. Mas se cada fileira for uma única fileira de cada uma dessas três espécies, é proibido, porque tudo parece misturado, como se tivesse sido semeado "a esmo" (de mão desordenada). E, como diz a Guemará [de Shabat, sobre o tratado paralelo], "aqui é diferente porque há entrelaçamento" — pois as folhas dessas espécies se estendem muito e penetram umas nas outras, misturando as duas fileiras.
E, se alguém plantou uma fileira de pepinos, uma de abóboras, uma de fava egípcia, e uma quarta fileira de pepinos [novamente]: Rabi Eliezer diz que, já havendo duas fileiras de pepinos, consideram-se como se estivessem unidas, formando um "campo de pepinos", e as fileiras de abóboras e fava egípcia entre elas seriam como se plantadas dentro de um campo de pepinos, bastando o sulco de separação, como explicamos na halachá anterior. Mas os sábios discordam, pois, não estando as duas fileiras de pepinos contíguas, não se consideram unidas. E a halachá é como os sábios.
"Duas fileiras de pepinos... é permitido": porque cada duplo de fileiras parece um campo por si só, há reconhecimento visual e não há mistura — desde que haja um sulco separando entre uma espécie e outra.
"Mas uma única fileira de pepinos...": é proibido, mesmo que haja um sulco separando cada espécie, porque essas três espécies têm folhas que se estendem e se misturam umas com as outras; e, quando há apenas uma fileira de cada, parece que tudo foi semeado junto, "de mão desordenada" — e a separação do sulco não é perceptível entre elas.
"E [se plantou também] uma fileira de pepinos [novamente], Rabi Eliezer permite": ele considera que, havendo duas fileiras de pepinos (mesmo não contíguas), contam-se como se estivessem unidas, formando um campo de pepinos; então as fileiras de abóboras e fava egípcia entre elas seriam como plantadas dentro de um campo de pepinos, bastando o sulco de separação, como visto na Mishná anterior sobre uma fileira de hortaliça diferente dentro de um campo já semeado.
"Mas os sábios proíbem": porque, não estando as duas fileiras de pepinos contíguas uma à outra, não se consideram um campo de pepinos, e parecem kilayim; há aqui mistura, e a separação do sulco não é eficaz para elas. E a halachá é como os sábios.