Um canteiro de seis palmos por seis palmos: pode-se semear nele cinco tipos de sementes — quatro nos quatro lados do canteiro, e um no meio. Se tinha uma borda elevada de um palmo, pode-se semear nele treze — três em cada borda, e um no meio. Não se deve plantar a cabeça de um nabo dentro da borda, porque ele a preenche por completo. Rabi Yehudá diz: seis no meio.
Esta Mishná abre o terceiro perek, que passa da proibição de misturar espécies de sementes no campo para o caso especial e permitido do canteiro de hortaliças (arugá).
Como cinco espécies convivem sem violar a proibição. Os dois primeiros perakim tratam da proibição de misturar espécies distintas no campo aberto, seja pela proximidade, seja pela proporção. Este terceiro perek introduz uma estrutura peculiar da agricultura da época: o canteiro pequeno e delimitado (a arugá), tradicionalmente usado para o cultivo doméstico de hortaliças variadas. Como a proibição de kilayim, segundo a tradição, é essencialmente uma questão de aparência — evitar que o campo pareça uma mistura desordenada —, a Mishná ensina que um canteiro pequeno o bastante, com sementes plantadas nos cantos e no centro, de modo que cada uma permaneça visualmente distinta das demais, não constitui uma transgressão, mesmo contendo cinco espécies diferentes num espaço mínimo. Uma borda elevada de um palmo em torno do canteiro amplia ainda mais essa possibilidade, permitindo até treze tipos de sementes.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam explica que a estrutura desta Mishná está codificada em Hilchot Kilaim, capítulo 4, dedicado especificamente às leis do canteiro (arugá) — distintas das leis de separação entre campos plantados, tratadas nos capítulos anteriores.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Fazem-se nos jardins canteiros quadrados para semear neles as hortaliças... e a proibição de kilayim se refere apenas à aparência; por isso, quando a outra planta parece separada, é permitido... E o modo de separá-las se dá de um dos três caminhos: o primeiro é cavar entre elas uma vala... ou colocar entre elas uma borda de um palmo de altura e um palmo de largura; o segundo caminho é afastá-las a um palmo e meio uma da outra, que é a medida suficiente para que não se alimentem uma da outra; e o terceiro caminho é virar as folhas de uma semente para um lado e as folhas da outra semente para o lado oposto...
E é permitido semear neste canteiro, que é de seis por seis, cinco tipos de sementes, e não constituirão kilayim, pois cada semente, quando colocada nos cantos do quadrado, tem entre si e a semente adjacente uma distância maior que um palmo e meio, respeitando assim a medida necessária para que uma não sugue nutrientes da outra.
E quando o canteiro tem uma borda de um palmo de altura, semeiam-se nele treze — três em cada borda e um no meio —, pois a borda em si já demonstra a separação visual entre as sementes de um lado e as do outro. Rabi Yehudá afirma que se pode semear seis sementes no meio (além das doze da borda), totalizando dezoito espécies, pois a borda soma-se à medida da separação necessária. E a halachá é como Rabi Yehudá.
"Um canteiro de seis palmos por seis palmos... semeia-se..." O que se deve antecipar para o entendimento da Mishná é que precisamos que haja entre cada plantio e o próximo uma distância de um palmo e meio... para que não se alimentem um do outro. E a Guemará (no capítulo "Rabi Akiva" de Shabat) ensina que esta lei se aplica a um canteiro isolado num terreno baldio; mas um canteiro entre outros canteiros, é proibido semear nele cinco espécies — pois, se semear em cada lado deste canteiro e em cada lado dos canteiros ao redor, tudo parecerá misturado.
"Se tinha uma borda elevada": segundo o Yerushalmi, a largura da borda também é de um palmo, resultando num canteiro de oito por oito.
"Semeia-se nele treze": três em cada borda e um no meio.
"Não se deve plantar a cabeça do nabo dentro da borda": porque ele a preencheria por completo, e não seria mais possível semear três sementes em cada lado da borda.
"Rabi Yehudá diz: seis no meio": ele acrescenta seis sementes no centro (além das doze das bordas), totalizando dezoito. E a halachá é como Rabi Yehudá.