Se seu campo estava semeado de trigo, e ele mudou de ideia e quis semeá-lo de cevada, deve esperar até que [o trigo] apodreça, então virar [a terra], e só depois semear. Se [o trigo] já germinou, não pode dizer: "semearei e depois virarei" — mas deve virar e só depois semear. Quanto se deve arar? Como os sulcos [feitos] depois da [primeira] chuva. Aba Shaul diz: de modo que não reste um quarto [de kav] para um bet seah [sem ser virado].
Esta Mishná trata de um caso prático derivado diretamente da proibição de "não semearás teu campo com semente diversa" — como proceder ao trocar a espécie plantada num mesmo campo.
Evitar a mistura no momento da troca de cultivo. A preocupação prática aqui é simples: se um agricultor semeou trigo e depois decide substituí-lo por cevada, há o risco real de que sementes do trigo original ainda germinem entre a nova plantação de cevada, criando kilayim de fato mesmo sem intenção. A Mishná exige, portanto, que ele espere o trigo já semeado apodrecer na terra (ou, se já brotou, que vire a terra com o arado) antes de semear a nova espécie — eliminando fisicamente a possibilidade de mistura antes mesmo de plantar. É a proibição de "teu campo não semearás com mistura de espécies" aplicada não a um único ato de semeadura, mas à sequência de atos ao longo do tempo.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam esclarece um ponto que a Mishná deixa implícito: a exigência não é de uma aragem exaustiva que garanta o arrancamento de cada semente individual, mas de uma aragem no padrão normal, agrícola, que efetivamente impede o crescimento do trigo remanescente — a mesma medida usada antes das chuvas para preparar a terra.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Quanto se deve arar? Como os sulcos [feitos] depois da chuva": porque o obrigamos a virar a terra, ele [o Tana] disse que não é obrigado a virá-la toda, sulco por sulco, até completar toda a viragem, mas deve arar do modo como se vira a terra antes da chuva, para que a chuva desça nela e penetre em sua profundidade — e essa viragem é leve, e não se aprofunda nela. E o significado de telem é o sulco que o arado faz ao passar pela terra.
E disse Aba Shaul que deve virar até que não reste nela lugar não virado senão menos de uma parte de vinte e quatro da área da terra — que é a medida de um rova para um bet seah, como já explicamos algumas vezes. E a halachá não é como Aba Shaul.
"Até que apodreça": e sua medida é quando permanecer na terra três dias em solo úmido; em solo seco, é necessário mais tempo.
"E virará": virará a terra com o arado, para que a semente não germine.
"Quanto se deve arar": para que não se diga que é necessário arar sulcos pequenos, próximos uns dos outros, mas sim como os sulcos da [primeira] chuva — como os sulcos que as pessoas costumam arar depois que cai a primeira chuva da estação, quando aram sulcos grandes.
"De modo que não reste um quarto para um bet seah": que não reste na terra um lugar não virado maior que uma parte de vinte e quatro da área que ele ara, que é um rova de kav para um bet seah. E a halachá não é como Aba Shaul.