Não se plantam hortaliças dentro do tronco de um sicômoro. Não se enxerta arruda sobre cássia branca, pois isso é hortaliça sobre árvore. Não se planta uma muda jovem de figueira dentro de uma cebola-do-mar para que lhe dê sombra. Não se insere um ramo de vinha dentro de um melão para que este lance sua umidade para o ramo, pois isso é árvore sobre hortaliça. Não se coloca semente de abóbora dentro de uma anchusa com o propósito de preservá-la, pois isso é hortaliça sobre hortaliça.
A mesma proibição de "teu campo não semearás com mistura de espécies", agora ilustrada com casos concretos de aplicação prática.
Do princípio geral aos casos concretos. Depois de enunciar a regra na Mishná anterior (não se enxerta árvore em hortaliça nem hortaliça em árvore), esta Mishná ilustra o princípio com quatro exemplos práticos, cobrindo todas as combinações possíveis: hortaliça dentro de árvore (hortaliças no tronco vazio de um sicômoro cortado; arruda sobre cássia), árvore usando hortaliça como suporte (figueira jovem plantada dentro de uma cebola-do-mar, para sombra), árvore fornecendo nutrientes a hortaliça (ramo de vinha inserido em melão) e hortaliça preservando outra hortaliça (semente de abóbora dentro de anchusa). Nota-se que, mesmo quando a intenção não é obter fruto da combinação, mas apenas usar uma planta como suporte físico, sombra ou proteção para a outra, a Mishná já classifica isso como uma forma de kilayim proibida — porque o contato próximo e a absorção de nutrientes entre as duas plantas já configuram a mistura vedada pela Torá.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam formaliza os quatro casos da Mishná como halachá, deixando claro que a punição de açoites se aplica mesmo quando o propósito da combinação é apenas físico (sombra, resfriamento, absorção de umidade), sem intenção de produzir um fruto híbrido.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Pigam" (arruda): chamada em língua ismaelita árabe serav. "Kidah" (cássia): um tipo de árvore de bom aroma; o Targum traduz "e cássia" (Êxodo 30) como "uktzi'ata", e está escrito "mirra, aloés e cássia, todas as tuas vestes" (Salmos 45). "Tronco de sicômoro": o próprio corpo da árvore do sicômoro.
"Chatzuv" (cebola-do-mar): uma planta cujas raízes descem em linha reta na profundidade da terra, sem se desviar para os lados; e com elas Josué demarcou as porções das tribos, e por isso se chama chatzuv ("cortado/demarcado").
"Para que lhe dê sombra" (mekiro): para que a resfrie e modere a natureza quente daquela planta.
"Chalamit" (anchusa): um tipo de hortaliça, cujo significado exato não nos é conhecido com certeza.
"Sicômoro": uma árvore de figo que cresce nos bosques.
"Tronco de sicômoro": depois que a árvore é cortada e suas raízes permanecem na terra, o que resta se chama sadan; e não se planta hortaliça dentro dele, pois isso é hortaliça sobre árvore.
"Pigam" (arruda): erva chamada roda. "Kidah" (cássia): um tipo de árvore de especiarias; o Targum traduz "cássia" como ketzi'ah.
"Chatzuv": um tipo de hortaliça cujas raízes descem na profundidade da terra em linha reta, sem se desviar para os lados; e com ele Josué demarcou a terra.
"Que lhe dê sombra" (mekiro): do sentido de frio — para que a figueira resfrie o chatzuv, que é excessivamente quente por natureza.
"Suas águas para dentro dela": pois a melancia é úmida e cheia de água.
"Chalamit" (anchusa): em árabe, kubbuza.