“Desposei uma mulher em terras ultramarinas, esta é ela e estes são seus filhos” — traz prova sobre a mulher, mas não precisa trazer prova sobre os filhos. Se ela morreu, e estes são seus filhos — precisa trazer prova sobre a mulher e sobre os filhos. — Aqui o homem partiu solteiro e, ao voltar, anuncia que se casou no exterior. Diferentemente do caso da mishná anterior, a linhagem dessa mulher nunca foi investigada por ninguém em Israel — por isso ele precisa, agora, trazer prova de que ela é de fato apta ao casamento. Os filhos, porém, dispensam prova adicional, pois, uma vez estabelecida a identidade e a linhagem da mãe, eles simplesmente a seguem, sendo vistos junto dela. Mas se ele retorna sem a mulher — dizendo que ela morreu no exterior, e apresentando os filhos como sendo dela — a situação se agrava: agora é necessário provar tanto a linhagem da mulher quanto o vínculo dos filhos com ela, pois nenhum dos dois fatos foi jamais estabelecido nem confirmado visualmente por testemunhas em Israel.
Rambam considera também esta mishná autoexplicativa, sem necessidade de comentário adicional: o contraste com a mishná anterior — onde o casamento já havia ocorrido antes da viagem — deixa claro por que aqui, tendo o casamento ocorrido no exterior sem testemunhas conhecidas em Israel, a prova sobre a própria mulher se torna necessária.