Aquele que saiu, ele e sua esposa, para terras ultramarinas, e voltou ele com sua esposa e seus filhos, e disse: “esta é a mulher que saiu comigo para terras ultramarinas, e estes são seus filhos” — não precisa trazer prova, nem sobre a mulher, nem sobre os filhos. Se ela morreu, e disse: “estes são seus filhos” — traz prova sobre os filhos, mas não traz prova sobre a mulher. — Quando um homem parte já casado, com sua esposa, e retorna posteriormente acompanhado dela mesma e dos filhos que tiveram no exterior, nenhuma prova adicional de linhagem é necessária: a esposa já teve sua linhagem investigada no momento do casamento original, e os filhos, sendo dela, herdam automaticamente essa mesma condição já estabelecida. Mas se ele retorna sem a esposa — informando que ela morreu no exterior — e apresenta os filhos como sendo dela, a situação muda: como ninguém pode mais confirmar visualmente que aquela era de fato sua esposa original, ele precisa trazer prova de que esses filhos realmente nasceram dela; quanto à própria identidade da mulher falecida, porém, não é necessário prová-la, pois isso já havia sido estabelecido antes da viagem.
Rambam considera esta mishná suficientemente clara em si mesma, dispensando explicação adicional — o próprio texto já estabelece com precisão quando é necessária prova e quando ela é dispensável.
Bartenura explica que não é necessário trazer prova sobre a mulher precisamente porque sua linhagem já havia sido investigada no momento do casamento original — não é uma linhagem nova a ser confirmada. E, quanto aos filhos, esclarece que a mishná trata de filhos pequenos, que naturalmente se apegam e seguem sempre junto à mãe — de modo que sua identificação com ela, quando ela mesma os apresenta e os reconhece, é suficientemente confiável sem prova adicional.