Tudo que se torna avaliado em outro (usado como permuta) — assim que este adquire, aquele se obriga por sua permuta. Como assim? Permutou um boi por uma vaca, ou um jumento por um boi — assim que este adquire, aquele se obriga por sua permuta. No domínio do Alto (o Templo), por dinheiro; e no domínio do comum, por chazaká. Sua declaração ao Alto é como sua entrega ao comum. — A mishná descreve o mecanismo da permuta simbólica (chalifin): quando duas partes trocam um objeto por outro cujo valor precisa ser "avaliado em relação ao outro" — isto é, qualquer bem móvel, exceto moeda —, basta que uma das partes puxe (trace) o objeto que está recebendo para que a outra parte se torne automaticamente obrigada a entregar o seu, esteja este onde estiver, mesmo sem ter sido fisicamente movimentado. É esse mesmo mecanismo simbólico que, historicamente, deu origem ao costume de selar acordos "tirando a sandália" (chalitzat na'al), ainda vivo, por exemplo, no rito de encerramento do casamento levirato. A mishná então contrasta esse princípio com dois domínios distintos: quando o Templo (a "autoridade Alta") adquire algo — por exemplo, quando o tesoureiro do Hekdesh compra um animal para um sacrifício —, a simples entrega do dinheiro já basta, mesmo sem que o animal tenha sido fisicamente puxado ou levado; mas quando um particular comum (a "autoridade comum") faz a mesma compra, o dinheiro sozinho não basta — é necessário chazaká, a tração ou tomada de posse física do bem. E, encerrando a mishná, uma equivalência notável: a simples declaração verbal de alguém consagrando um objeto ao Templo ("este boi é oferenda", "esta casa é hekdesh") já produz efeito jurídico total, exatamente como a entrega física produziria entre particulares.
Rambam explica por que a moeda, ao contrário de qualquer outro bem, não pode servir como objeto de permuta; Bartenura detalha as consequências práticas de cada regime de aquisição.
Rambam explica que a moeda é a única exceção ao mecanismo da permuta: como o valor de uma moeda está ligado à sua própria forma cunhada — e essa forma pode ser invalidada ou desvalorizada pela autoridade a qualquer momento —, a intenção de quem a recebe está voltada para o desenho gravado nela, não apenas para o metal; por isso, ela não pode servir como objeto simbólico de permuta para adquirir outra coisa, a menos que seja recebida "a granel", sem se importar com o peso ou a contagem exata — caso em que ela é tratada como um simples pedaço de metal, e não como moeda propriamente dita. A única forma de transferir uma moeda ausente é vinculando-a a um imóvel (agav karka).
Bartenura ilustra o contraste com um caso concreto: se o tesoureiro do Templo entrega dinheiro por um animal destinado a uma oferta, o Hekdesh o adquire de imediato, mesmo que o animal esteja no extremo do mundo; um comprador comum, na mesma situação, não adquire nada até que efetivamente traga o animal para si (chazaká) — e, enquanto isso não ocorrer, ambas as partes ainda podem desistir livremente da transação, embora aquele que recuar tenha de arcar com a censura de "quem pagou" (mi shepará), a reprovação moral por não cumprir a palavra dada.
Rashi sobre a Guemará (Kidushin 28a-28b) explica o mecanismo da permuta com o exemplo do boi e da vaca, e a distinção clara entre o domínio do Templo e o domínio comum.
Rashi explica que "tudo que se torna avaliado em outro" refere-se a bens cujo costume é serem trocados por avaliação de valor quando se adquire um objeto por meio deles. Confirma o mecanismo central: assim que o vendedor puxa para si o objeto simbólico entregue pelo comprador em regime de permuta (chalifin) — mesmo que seja um único zuz —, o comprador já se torna responsável pelos riscos daquilo que está adquirindo, esteja onde estiver. No exemplo prático, assim que o dono da vaca puxa o boi que lhe foi oferecido em troca, a vaca já pertence ao comprador do boi, e os riscos dela recaem sobre ele — mesmo antes de qualquer entrega física da própria vaca. E confirma que, no caso do domínio Alto, é o dinheiro do Hekdesh que efetivamente realiza a aquisição por si só.