A que espera pelo levirato, a quem caíram bens, Bet Shamai e Bet Hilel concordam que ela vende e dá, e é válido. Morreu, o que se fará com sua ketubá e com os bens que entram e saem com ela? Bet Shamai dizem: dividirão os herdeiros do marido com os herdeiros do pai. E Bet Hilel dizem: os bens ficam na posse de quem os detém, a ketubá na posse dos herdeiros do marido, e os bens que entram e saem com ela na posse dos herdeiros do pai. — A shomeret yavam está em uma posição intermediária: seu marido morreu sem deixar filhos, e ela aguarda que o irmão dele decida se fará o levirato (tornando-se seu marido) ou a liberará por chalitzá. Enquanto esse período de espera dura, quanto aos bens que caem a ela por herança, tanto Bet Shamai quanto Bet Hilel concordam que ela tem liberdade plena para vendê-los — pois ela ainda não está tecnicamente casada com o cunhado, e por isso ele não tem, ainda, direito de veto sobre esses bens. A dificuldade surge se ela morre nesse ínterim, antes que o levirato se concretize: como se sabe se ela já era, de algum modo, "esposa" do cunhado (o que daria a ele direito de herdá-la) ou ainda não? Bet Shamai resolve a dúvida por meio-a-meio: como o estado dela é incerto, tanto a ketubá quanto os nichsei melog são divididos igualmente entre os herdeiros do marido falecido e os herdeiros do pai dela. Bet Hilel prefere resolver caso a caso, mantendo cada bem com quem já o detém e aplicando lógica diferenciada: a ketubá, presume-se, pertence aos herdeiros do marido (pois é uma dívida que ele contraiu); já os bens que "entram e saem com ela" — os nichsei melog, que sempre acompanham a pessoa da mulher — presumem-se dos herdeiros do pai dela, já que o vínculo com o cunhado ainda não se consumou plenamente.
A própria instituição da shomeret yavam nasce diretamente do mandamento bíblico do levirato: é a espera pela decisão do cunhado, ordenada pela Torá, que produz a situação jurídica incerta discutida nesta mishná.
A Torá ordena que, quando um homem morre sem filhos, seu irmão tome a viúva por esposa através do levirato — e é exatamente o intervalo entre a morte do marido e a concretização (ou recusa) desse levirato que gera o status intermediário de "shomeret yavam", nem plenamente casada nem plenamente livre. É essa ambiguidade bíblica de status que obriga Bet Shamai e Bet Hilel a debaterem como tratar seus bens caso ela morra antes de o processo se resolver — um problema que simplesmente não existiria sem o mandamento do levirato.
Rambam remete à sua própria explicação sobre o tema em Yevamot, tratado que aborda o levirato em profundidade e ao qual esta mishná é paralela.
Rambam observa que esta mesma mishná, palavra por palavra, já aparece no quarto perek do tratado Yevamot — o tratado que trata extensamente das leis do levirato e da chalitzá —, e remete o leitor à sua explicação detalhada ali. A presença dessa mishná em Ketubot se justifica por seu conteúdo específico sobre nichsei melog e ketubá, temas centrais deste perek; sua origem temática mais natural, porém, é o regime do levirato tratado em Yevamot.
Bartenura detalha os termos técnicos da mishná — ketubá, nichsei melog, e a lógica de cada posição — e situa a mishná paralela em Yevamot.
Bartenura define "sua ketubá" como a soma-base de duzentos zuz (para uma virgem) ou cem (para as demais), mais qualquer acréscimo voluntário e o dote (nedunyá) que ela trouxe ao marido e sobre o qual ele assumiu responsabilidade de garantia. Já os "bens que entram e saem com ela" são os nichsei melog: quando ela entra no casamento, esses bens entram com ela; e quando ela sai — seja por divórcio, seja aqui pela morte —, eles saem com ela, retornando à sua linhagem original. Bartenura explica a lógica de Bet Shamai: como há dúvida se ela já era, de algum modo jurídico, "casada" com o cunhado no momento de sua morte, o cunhado herda a metade de sua herança por força dessa dúvida — daí a divisão meio-a-meio de ambos os tipos de bens.