Ele lhe dá uma moeda de prata para suas necessidades, e ela come com ele da noite de sexta-feira à noite de sexta-feira. E se não lhe dá a moeda de prata para suas necessidades, o trabalho de suas mãos é dela. E o que ela faz para ele? O peso de cinco selaim de fiação de urdidura na Judeia, que são dez selaim na Galileia, ou o peso de dez selaim de fiação de trama na Judeia, que são vinte selaim na Galileia. E se estava amamentando, reduz-se-lhe do trabalho de suas mãos e acrescenta-se-lhe ao seu sustento. Em que caso se disse isso? No pobre de Israel; mas no abastado, tudo segundo sua honra. — Além do sustento básico detalhado na mishná anterior, o marido deve dar à esposa uma pequena moeda de prata semanal para despesas pessoais menores, e refeições conjuntas semanais, da sexta à noite seguinte — um sinal de proximidade e convivência regular, mesmo quando o sustento diário é administrado por terceiros. Se ele deixa de pagar essa moeda semanal, ela é liberada da obrigação de entregar-lhe o excedente de seu trabalho, que passa a pertencer inteiramente a ela. A mishná então especifica a quantidade exata de fiação devida — que varia conforme se trata do fio de urdidura (mais difícil de fiar, por isso menor quantidade exigida) ou do fio de trama (mais fácil, por isso o dobro), e conforme a região: na Judeia, onde o sistema de pesos era diferente, os valores são a metade dos exigidos na Galileia. Se a mulher está amamentando, sua cota de trabalho é reduzida e, em compensação, seu sustento alimentar é aumentado, reconhecendo o esforço adicional da amamentação. A mishná fecha com o princípio geral que rege toda esta seção sobre sustento: todas essas quantidades mínimas aplicam-se ao israelita pobre; mas para o casal de posição social mais elevada, tudo deve se ajustar de acordo com sua honra e costume.
Esta mishná final do perek fecha o ciclo aberto em 5:5 sobre a troca entre sustento e trabalho, mostrando como os sábios equilibraram cuidadosamente os dois lados dessa obrigação recíproca.
O princípio geral que fecha esta mishná — "tudo segundo sua honra" — reflete a natureza flexível das obrigações rabínicas construídas sobre a base bíblica. Os sábios fixaram valores mínimos absolutos para proteger o israelita pobre, mas deixaram claro que essas quantidades são um piso, não um teto: entre famílias de maior posição social, o sustento, a vestimenta e todos os demais direitos da esposa devem se ajustar ao padrão de vida ao qual ela está habituada — um princípio que se tornará ainda mais central nos perakim seguintes do tratado, especialmente na determinação dos alimentos devidos à viúva e aos filhos.
Rambam, no Perush HaMishná, resume a estrutura da obrigação e confirma que a refeição da sexta à noite é devida em qualquer caso, mesmo quando o sustento diário é entregue por meio de terceiro.
Rambam explica que, embora o marido tenha o direito de não conviver diariamente com a esposa — sustentando-a por meio de um administrador terceiro, como visto na mishná anterior —, ele deve, em qualquer caso, cumprir com ela a oná devida no momento apropriado, e comer com ela pessoalmente na refeição da noite de sexta-feira, que marca o início do repouso semanal e da proximidade conjugal regular, independentemente de como o restante do sustento é organizado.
Bartenura detalha a diferença entre o fio de urdidura e o de trama, e a razão dos pesos regionais; Rashi, sobre a Guemará, confirma os mesmos pontos com foco nos termos técnicos da fiação.
Bartenura explica que a moeda de prata semanal serve para pequenas despesas pessoais da esposa, distintas do sustento regular. Mesmo que o marido opte por sustentá-la através de um terceiro no restante da semana, a noite de sexta-feira — que é a noite tradicional da oná — exige sua presença pessoal para a refeição conjunta. Sobre a fiação, ele explica que o fio de urdidura (o fio fixo, esticado no tear) é mais difícil de fiar do que o fio de trama (o fio que passa por cima e por baixo), por isso a quantidade exigida de urdidura é a metade da de trama; e o sistema de pesos usado na Judeia era o dobro do usado na Galileia, o que explica a diferença nos números. Por fim, ele confirma que a regra final — "tudo segundo sua honra" — também depende do costume de cada região.
Rashi confirma que a moeda semanal é para pequenas despesas, e que a refeição conjunta da sexta à noite se justifica por ser a noite da oná devida. Ele esclarece, remetendo à mishná 5:4, que "o trabalho de suas mãos" que passa a pertencer a ela quando o marido deixa de pagar a moeda refere-se especificamente ao excedente do trabalho — a quota além do necessário para o sustento básico, que normalmente pertenceria ao marido. E confirma que o fio de urdidura é mais trabalhoso de fiar do que o de trama, e que o sistema de pesos da Judeia equivale ao dobro do sistema usado na Galileia.