Ela diz: "eu sou ferida por madeira", e ele diz, "não é assim, mas tu és possuída por homem". Rabán Gamliel e Rabi Eliezer dizem: ela é confiável. E Rabi Yehoshua diz: não vivemos pela boca dela, mas ela está sob presunção de ser possuída por homem, até que traga prova para suas palavras. — Aqui a disputa não é mais sobre o momento da perda da virgindade, mas sobre sua causa: ela afirma que a ausência de sinais se deve a uma lesão acidental — a mesma categoria de mucat etz discutida na mishná três, que não compromete seu status de virgem para efeitos de ketubá —, enquanto ele afirma que ela já teve relação sexual com outro homem antes do casamento, o que, além de anular a ketubá, poderia ter implicações ainda mais graves caso ele seja kohen. Rabán Gamliel e Rabi Eliezer, mantendo a linha de raciocínio da mishná anterior, confiam nela: como ela estava sob presunção de virgem no momento do erusin, essa presunção prevalece sobre a mera alegação contrária do marido. Rabi Yehoshua, consistente com sua posição anterior, insiste que a presunção física observável — a ausência de sinais — é ambígua entre as duas explicações, e por isso ela precisa de prova concreta que sustente especificamente a versão do acidente, e não da relação proibida.
Este versículo é o pano de fundo da gravidade acrescida na alegação do marido nesta mishná: se ele for kohen, a acusação de que ela é "derusat ish" — já possuída por outro homem em relação proibida — não afeta apenas o valor da ketubá, mas potencialmente a própria permissão de permanecerem casados, pois a Torá proíbe ao kohen a mulher que teve relação de zenut. É por isso que Bartenura observa, adiante, que mesmo quando o marido é vencido na disputa quanto à ketubá, ele pode ainda assim ser obrigado a divorciá-la se ele mesmo, kohen, já declarou publicamente essa suspeita sobre ela — pois suas próprias palavras já criaram uma dúvida que ele não pode mais desfazer.
Como Rambam trata esta mishná em conjunto com a anterior no Perush HaMishná, trazemos Bartenura como fonte principal para o detalhe específico do caso do kohen, devidamente identificado.
Bartenura explica que, embora ela seja confiável quanto à ketubá — recebendo-a integralmente, conforme a decisão de Rabán Gamliel —, se o marido for kohen, a situação é diferente quanto à permissão do casamento em si: uma vez que ele mesmo declarou "tu és possuída por homem", ele já "tornou-se, com sua própria boca, um pedaço de proibição" — isto é, sua própria afirmação já estabelece uma dúvida vinculante mesmo contra seu interesse. E como está estabelecido que a esposa de kohen que foi violentada, mesmo contra sua vontade, torna-se proibida a seu próprio marido kohen, ele é obrigado a divorciá-la, ainda que pagando a ketubá integral.
Bartenura define os termos técnicos da mishná; Rashi, na Guemará, explica a raiz da expressão "derusat ish".
Bartenura define "derusat ish" simplesmente como "possuída por um homem" — isto é, tendo já tido relação sexual completa. E confirma que, seguindo Rabán Gamliel, ela é confiável e não perde sua ketubá, exceto no caso específico em que o marido é kohen, quando a própria alegação dele, mesmo vencida quanto ao dinheiro, ainda assim os obriga a se divorciar.
Rashi explica o princípio de que, uma vez que uma pessoa admite verbalmente algo que a proíbe, ela mesma "se transforma, com sua própria boca, num pedaço de proibição" — e depois já não pode voltar atrás dessa admissão apenas para se beneficiar. Aplicado aqui: o marido kohen, ao alegar que sua esposa é "derusat ish" para escapar do pagamento da ketubá, cria, com essa mesma alegação, uma proibição real que passa a vinculá-lo — mesmo que, no tribunal, ele acabe perdendo a disputa quanto ao dinheiro e seja forçado a pagar a ketubá completa, a proibição que ele mesmo declarou permanece, e ele deve divorciá-la.