Aquele que come na casa de seu sogro na Judeia sem testemunhas não pode alegar falta de virgindade, pois se isola com ela. Tanto a viúva de um israelita quanto a viúva de um kohen, sua ketubá é de uma maneh. O tribunal dos kohanim cobrava para a virgem quatrocentos zuz, e os sábios não os impediram. — Na Judeia havia o costume de o noivo participar de uma refeição de noivado na casa do sogro, ficando a sós com sua futura esposa sem testemunhas presentes. Como esse isolamento cria a oportunidade real de relação sexual, os sábios estabeleceram que, se depois o casamento se consumar e o marido alegar não ter encontrado sinais de virgindade, ele já não é confiável nessa alegação — pois a oportunidade de tê-la desvirginado ele mesmo, antes do casamento formal, já existia. A mishná esclarece também que a condição sacerdotal, por si só, não altera o valor-base da ketubá da viúva: tanto faz se o primeiro ou o segundo marido é israelita ou kohen, o valor continua sendo cem zuz. Mas, à parte esse valor obrigatório, os tribunais compostos por famílias sacerdotais tinham o costume de exigir, para suas próprias virgens, o dobro do valor-padrão — quatrocentos zuz em vez de duzentos —, prática que os sábios, embora não a tenham instituído, também não impediram, por reconhecerem-na como uma medida legítima de honra à distinção sacerdotal.
Este versículo, que restringe o Sumo Sacerdote exclusivamente à virgem, ilustra a atenção especial que a Torá dá à condição sacerdotal em matéria de casamento — o pano de fundo cultural sobre o qual se apoia o costume, aceito pelos sábios, de os tribunais sacerdotais cobrarem o dobro do valor da ketubá para suas próprias virgens. Embora essa lei específica se aplique apenas ao Sumo Sacerdote, o valor simbólico atribuído à pureza da linhagem sacerdotal permeia também as práticas comuns das famílias de kohanim, que a mishná reconhece como legítimas mesmo sem exigi-las.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o costume de isolamento na Judeia e sua consequência jurídica.
Rambam explica que o costume nas cidades da Judeia era que, quando um homem desposava uma mulher (erusin), fazia-se para ele uma refeição de noivado na casa do pai dela, e o noivo se isolava com sua noiva durante essa ocasião. Por isso, se depois ele a desposasse formalmente (nissuin) e alegasse não ter encontrado nela sinais de virgindade, essa alegação não seria aceita — pois ele mesmo teve, antes, a oportunidade de tê-la desvirginado, e não pode agora culpar terceiros ou a própria noiva por algo que talvez tenha sido sua própria responsabilidade.
Bartenura confirma o costume da Judeia e explica os quatrocentos zuz do tribunal sacerdotal.
Bartenura confirma que, na Judeia, o próprio costume era permitir esse isolamento para que o noivo se familiarizasse com sua futura esposa — e por isso, precisamente por ser um costume normal e conhecido, ele perde o direito de alegar depois que não a encontrou virgem, já que a comunidade sabia da oportunidade de relação que ele mesmo teve. Quanto ao tribunal dos kohanim: cobravam quatrocentos zuz para suas virgens — o dobro do valor-padrão — como forma de honrar a linhagem sacerdotal, e os sábios, mesmo sem terem instituído essa prática, reconheceram-na como válida e não a anularam.