O adulto que teve relação com a menor, e o menor que teve relação com a adulta, e a ferida por madeira — sua ketubá é de duzentos, palavras de Rabi Meir. Mas os sábios dizem: a ferida por madeira, sua ketubá é de uma maneh. — Quando um homem adulto tem relação com uma menina menor de três anos, a relação não deixa marca permanente, e ela continua sendo, halachicamente, uma virgem completa. Da mesma forma, quando um menino menor de nove anos tem relação com uma mulher adulta, sua relação não é considerada uma relação plena, e ela também permanece virgem para efeitos de ketubá. Rabi Meir estende o mesmo raciocínio à mulher cuja virgindade se perdeu por acidente — uma pancada ou ferimento, não por relação sexual — considerando-a igualmente uma virgem completa, com direito a duzentos zuz. Os sábios discordam apenas nesse último caso: como o resultado físico é indistinguível do de uma relação sexual real, temem que se confunda com o caso comum, e por isso reduzem sua ketubá para cem zuz, como a de qualquer mulher que já não é fisicamente virgem — ainda que sua perda de virgindade não tenha ocorrido por meio proibido.
Assim como no caso da sedução, a Torá fixa aqui um pagamento padronizado vinculado especificamente à condição de virgem da mulher — a base sobre a qual os sábios construíram a soma fixa de duzentos zuz da ketubá. A mishná refina essa categoria: o que importa, tecnicamente, não é a ausência total de qualquer contato físico prévio, mas a preservação do status jurídico de "virgem" — que persiste mesmo após uma relação que, por circunstâncias específicas (idade da menor, idade do menor, ou lesão sem relação), não é reconhecida pela halachá como uma consumação capaz de alterar esse status.
Rambam explica no Perush HaMishná os fundamentos técnicos dos três casos e por que a halachá segue os sábios quanto à mucat etz.
Rambam explica que o princípio fundamental é que toda mulher que teve relação sexual antes dos três anos e um dia de idade é considerada, halachicamente, como se não tivesse tido relação alguma. Aqui, "o adulto" refere-se ao homem que já passou dos nove anos e um dia — cuja relação já é considerada relação plena, como se explica em diversos lugares do tratado de Yevamot —, e "o menor" é aquele que ainda não chegou a essa idade, cuja relação não é considerada relação. E como a cativa, a convertida e a escrava são sempre presumidas como já tendo tido relação anterior, o costume nas cidades da Judeia era que o noivo se isolasse com sua noiva na refeição de erusin na casa do pai dela — de modo que, se depois ele alegasse falta de virgindade, não poderia mais alegá-la, pois já houvera oportunidade de relação antes do casamento formal. A halachá segue os sábios quanto à mucat etz.
Bartenura detalha cada um dos três casos e confirma a decisão halachica conforme os sábios.
Rambam observa que a cativa, a convertida e a escrava são presumidas, por padrão, como já tendo tido relação sexual — a menos que se prove o contrário, ou que a conversão, resgate ou libertação tenham ocorrido antes dos três anos de idade, quando essa presunção deixa de ter relevância prática, pois qualquer relação anterior já não deixaria vestígio.
Bartenura define a mucat etz como a mulher em cujo local íntimo se cravou um pedaço de madeira, causando lesão sem relação sexual. A halachá segue os sábios: sua ketubá é de cem zuz, mesmo que o marido, ao consumar o casamento, sequer tenha percebido que ela já não apresentava sinais físicos de virgindade — pois, como a lesão não decorreu de proibição alguma, e ela não o enganou quanto à sua condição moral, isso não constitui uma aquisição enganosa que o isentasse até mesmo desse valor reduzido.