Aquele que separa sua chatat e morre — não a trará seu filho depois dele. E não a trará de um pecado para outro pecado — mesmo sobre a gordura proibida que comeu ontem à noite não a trará sobre a gordura proibida que comeu hoje, pois foi dito (Vayicrá 4): “seu sacrifício sobre sua chatat” — que seu sacrifício seja em nome do seu pecado.
— A primeira cláusula desta mishná, esclarece o Rambam, não trata do caso óbvio de que a chatat separada pelo pai não pode mais ser oferecida em nome do próprio pai depois de sua morte — isso já é sabido, pois uma chatat cujo dono morreu deve simplesmente morrer com ele, sendo deixada para perecer sem uso. O caso aqui é distinto e mais sutil: mesmo que o próprio filho, por coincidência, tenha cometido inadvertidamente exatamente o mesmo tipo de transgressão pela qual o pai havia separado sua chatat, ele não pode aproveitar o animal já consagrado do pai para expiar seu próprio pecado — cada obrigação de chatat nasce e se liga unicamente à pessoa e ao pecado específico que a gerou, sem transferência possível, mesmo entre pai e filho e mesmo diante de identidade de circunstância. A segunda cláusula generaliza esse princípio para qualquer pessoa em relação a si mesma: mesmo que tenha sobrado, por algum motivo, uma chatat já separada para um pecado anterior, ninguém pode redirecioná-la para expiar um pecado posterior e distinto — e a mishná escolhe deliberadamente o exemplo mais extremo possível para ilustrar o rigor da regra: mesmo que se trate da mesmíssima categoria de transgressão, gordura proibida, comida em dois momentos consecutivos, uma noite e o dia seguinte, a chatat separada para a primeira ingestão não pode ser redirecionada para expiar a segunda. A base textual, extraída do versículo sobre a chatat do indivíduo comum, ensina que a expressão redundante “seu sacrifício sobre sua chatat” vem precisamente para exigir que cada sacrifício seja trazido em nome exato do pecado que o originou — sem generalidade nem substituição, por mais próxima que a nova transgressão pareça da antiga.
“Ou lhe for conhecido o seu pecado que pecou, e trará seu sacrifício, uma cabra sem defeito, fêmea, sobre seu pecado que pecou” — a mishná lê a repetição aparentemente redundante, “seu sacrifício... sobre seu pecado”, como exigência de correspondência exata: que o sacrifício de cada pessoa seja trazido especificamente em nome do pecado que o gerou, sem que uma chatat já separada para um pecado possa servir, ainda que por semelhança de categoria, para expiar outro.
המפריש חטאתו ומת לא יביאנה בנו אחריו כו': מה שאמר לא יביאנה בנו אחריו אינו ר"ל שלא יקריבנה על אביו לפי שזה פשוט שחטאת שמתו בעליה תמות וכבר בארנו זה אבל רוצה לומר שלא יקריבנו בנו על חטאת עצמו:
Bartenura explica: “não a trará seu filho depois dele” — se o filho pecou inadvertidamente com um pecado de chatat, não trará a chatat que seu pai havia separado, para que se expie com ela sua própria transgressão.