Estas não trazem: a que aborta um saco fetal cheio de água, cheio de sangue, cheio de tons variados; a que aborta algo semelhante a peixes, gafanhotos, répteis abomináveis e coisas rastejantes; a que aborta no quadragésimo dia; e a que sai pelo flanco. Rabi Shimon obriga no caso da que sai pelo flanco.
— A terceira e última categoria da série completa o esquema aberto em 1:3: os casos em que não há obrigação alguma de trazer oferenda de parturiente, porque o que saiu do corpo da mulher não é reconhecido pela Torá como nascimento. O primeiro grupo são os sacos fetais sem forma alguma de feto dentro deles — cheios apenas de líquido, de sangue, ou de matéria de cores variadas, sem estrutura de membros. O segundo grupo são as criaturas cuja forma se assemelha a peixes, gafanhotos, répteis abomináveis ou coisas rastejantes — formas de vida que, mesmo tendo alguma organização corporal, não se aproximam da forma humana exigida pelos Sábios em 1:3, nem mesmo da forma animal aceita por Rabi Meir, pois estas categorias ficam fora até da lista de Rabi Meir. O terceiro caso é o aborto ocorrido antes de completados quarenta dias de gestação, período em que o embrião ainda é considerado “mera água”, sem status de feto. O quarto caso é o parto por cesariana, no qual a criança nasce sem passar pelo canal natural — a opinião anônima da mishná isenta, pois a Torá fala em “parir” a partir do lugar de onde a mulher concebe; Rabi Shimon, porém, obriga, lendo o versículo “e se parir fêmea” como incluindo um segundo tipo de parto além do usual, precisamente a cesariana.
Rambam explica que todo feto que a mulher aborta dentro dos quarenta dias desde que foi fecundada não é feto, pois nele não se completou a forma humana; e no terceiro capítulo de Nidá disseram: a que aborta no dia quarenta é isenta, e, ainda que seja o último dos quarenta, sua lei é como a do dia anterior. E os Sábios dizem “e parir”, até que dê à luz pelo lugar do nascimento. E Rabi Shimon traz prova do que se disse “e se parir fêmea”, dizendo: “e se” para incluir outro tipo de parto, e qual é? O que sai pelo flanco. E a lei segue os Sábios. E “gueninim” são sanguessugas, vermes e semelhantes.
Bartenura explica que “gueninim” são tons variados; mas eu ouvi que são como vermes. Sobre “a que aborta no dia quarenta”: pois até que passem quarenta dias de sua gravidez, é mera água. Sobre “Rabi Shimon obriga no caso da que sai pelo flanco”: pois está escrito “e se parir fêmea”, quando deveria ter escrito “e se for fêmea”; mas acrescentou-lhe outro tipo de parto, e qual é? O que sai pelo flanco. E o primeiro Tana entende que o versículo diz “quando uma mulher conceber e parir”, até que dê à luz pelo lugar de onde concebe.
Rashi explica que “gueninim” são tons variados. Sobre “a que aborta no dia quarenta”: em Massechet Nidá, no capítulo “A que aborta”, ensina-se que até que passem quarenta dias da gestação, é mera água. Sobre “e se parir fêmea”: deveria ter escrito “e se for fêmea”.