Como se medem eles? Rabán Shimon ben Gamliel diz: coloca-se a kaná entre eles; da kaná para fora, é puro; da kaná para dentro, e o lugar da kaná mesmo, é impuro.
A mishná anterior deixou em aberto uma dificuldade prática: como, na realidade, medir com exatidão se um pitput — ou a parte dele que excede os três dedos, ou que ultrapassa a borda — está dentro ou fora da distância que o liga à kirá, sobretudo quando os pitputin estão afastados uns dos outros e não é óbvio, à primeira vista, qual parte do espaço entre eles pertence a cada um? Rabán Shimon ben Gamliel propõe um instrumento de medição concreto: a kaná, uma espécie de régua ou vara de medir, como a que se usa para pautar rolos de livros. Coloca-se essa kaná entre dois pitputin vizinhos; tudo o que fica de um lado da kaná, mais próximo da borda, dentro da distância que a torna parte da kirá, é impuro — e o próprio espaço ocupado pela kaná também é considerado impuro, pois ainda está dentro do alcance do pitput; já tudo o que fica do outro lado da kaná, mais afastado, é puro, por já não pertencer à área de influência de nenhum dos dois pitputin. Com este método objetivo de medição, encerra-se o Perek Zayin.
Disse: como medimos esses pitputin, até sabermos se estão a menos de três dedos da borda da kirá e se ligam a ela, como dissemos, ou se entre eles e a borda da kirá há uma distância maior, e então não são considerados junto com ela, e não se tornam impuros pela impureza da kirá por ar, segundo Rabi Meir, ou são puros de qualquer modo, segundo a opinião de Rabi Shimon?
E disse que, quando tomamos a base da kirá — que, sem dúvida, excede a largura do ar da kirá na medida de três dedos —, e montamos essa base sobre a kirá, acima dos pitputin: se a base alcançar, acima dos pitputin, uma superfície cuja altura ultrapassa a superfície da altura dos pitputin em uma linha, então os pitputin ficam dentro da base, e ela é considerada parte da kirá, e tornam-se impuros pela impureza da kirá de qualquer modo que seja. Mas, se a base alcançar apenas o que está entre os pitputin, e os pitputin ficarem fora dela, não se tornam impuros pela impureza da kirá, a menos que a kirá se tenha tornado impura por contato, segundo a opinião de Rabi Meir, como precedeu. E essa base se chama “kaná” — nome hebraico que também aparece em “e a bacia e sua base [kanó]” (Êxodo 35:16).
Sobre “como se medem eles?”: porque os pitputin estão distantes um do outro, e, quando se encontra um sheretz entre eles, não podemos saber se está dentro de três dedos da borda — e é impuro —, ou fora de três — e é puro —, segundo Rabi Meir quanto ao ar, e segundo Rabi Shimon tanto quanto ao contato como quanto ao ar. Por isso, mede-se para este pitput três dedos a partir da borda, e do mesmo modo para o segundo, e coloca-se entre eles a régua com a qual se pautam os livros; e ela se chama “kaná”, e se traça a régua; e do traço para dentro é impuro — que é também o lugar da kaná —, e do traço para fora é puro.
Com esta sexta mishná, encerra-se o Perek Zayin de Massechet Keilim, capítulo dedicado às estruturas complementares da kirá — a kalatut (base de apoio), o dachon (prateleira lateral), e o pátio e os pitputin (pés) da própria kirá —, com suas medidas precisas para a suscetibilidade à impureza por contato e por ar.
O capítulo abriu (7:1) com a kalatut dos donos de casa, cuja fenda de até três palmos mantém a kirá impura, mas cuja fenda maior a torna pura — a menos que se reboque com barro uma pedra colocada sobre a fenda, restaurando a impureza; regra que serviu de base à resposta de Rabi Yehudá quanto ao forno colocado sobre a boca de um poço ou de uma cova (cf. 5:6). A mishná 7:2 tratou do dachon, a prateleira que recebe as panelas ao lado da kirá: pura quanto à lei da kirá, mas impura quanto à lei de vaso receptor; com seus lados sempre isentos, e sua parte larga em disputa entre Rabi Meir e Rabi Yehudá — e a mesma regra para a cesta invertida sob uma kirá construída. A mishná 7:3 introduziu o pátio da kirá (chatzer): a divisão da kirá ao longo do comprimento a purifica, mas ao longo da largura a mantém impura, enquanto o kupach, de assentamento único, se purifica com qualquer divisão; e o pátio, quando tem três dedos de altura, contamina-se com a kirá tanto por contato quanto por ar, com o método de medição de Rabi Yishmael e a dependência mútua defendida por Rabi Eliezer ben Yaakov. As mishnayot 7:4 e 7:5 desenvolveram longamente os pitputin — os pés da kirá —, com suas medidas de três dedos, os casos de remoção parcial, de pares opostos, de alturas excedentes e de afastamento da borda, sempre na disputa entre Rabi Meir, que tende a impurificar, e Rabi Shimon, que tende a purificar. E esta última mishná (7:6) fechou o capítulo com o método prático de medição desses pitputin, por meio da “kaná” de Rabán Shimon ben Gamliel, que demarca com precisão o que é impuro e o que é puro entre eles.
O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Chet, que continuará a explorar, com o mesmo rigor casuístico, as leis dos vasos de barro e de outros materiais — ao longo dos vinte e três perakim que ainda restam deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.