Cortou-o em anéis pela largura, [cada um] menos de quatro tefachim, é puro. Se o rebocou com barro, recebe impureza a partir de quando o acende o suficiente para nele assar sufganin. Se afastou dele o reboco e pôs areia ou uma pedrinha entre eles, sobre isso disseram: a nidá e a pura podem assar nele, e ele é puro.
Esta mishná continua o tema da purificação do forno pela mishná anterior, aplicando o critério de Rabi Meir: se o forno for cortado horizontalmente em anéis (chuliot), cada um com altura inferior a quatro tefachim, cada anel, isoladamente, já não constitui um forno apto a receber impureza, e por isso todos se tornam puros, mesmo que continuem empilhados uns sobre os outros na forma original do forno. Mas se, depois disso, alguém rebocar esses anéis com barro por fora, reconstituindo-os funcionalmente como um único forno inteiro, ele volta a ser um forno completo, sujeito ao mesmo critério de toda peça de barro recém-fabricada: só se torna suscetível à impureza a partir de um novo aquecimento suficiente para assar sufganin. A mishná descreve, porém, um terceiro método de reconstituição, que produz um resultado permanentemente distinto: em vez de rebocar os anéis diretamente uns sobre os outros, constrói-se ao redor deles uma estrutura externa separada, mantendo areia ou uma pedra fina como espaçador entre essa estrutura e os anéis do forno propriamente dito. Esse arranjo permite assar pão normalmente — o calor se conserva o suficiente —, mas, como não há barro algum ligando fisicamente as partes do forno entre si, ele nunca é considerado um vaso reconstituído, e permanece puro para sempre, qualquer que seja o uso que dele se faça. A mishná ilustra essa permanência com uma expressão vívida: tanto a mulher em estado de nidá quanto a mulher pura podem assar nele indiferentemente, sem nenhuma preocupação de impureza, pois ele simplesmente nunca deixa de ser puro.
“Pela largura”: que o dividiu em anel após anel (chuliá chuliá), sendo a altura de cada anel menor que quatro tefachim — já se purificou todo o anel, ainda que tenha colocado uma parte sobre a outra até completar a forma do forno, como era, depois de o rebocar com barro — e é o sentido de “o rebocou com barro” —, e volta a ser como a obra do forno desde o início do assunto, que se tornará impura no futuro; mas depois do aquecimento com o qual se completa sua fabricação, segundo o que precedeu. Eis que aquele que montou esse anel depois construiu uma construção redonda sobre esse forno, separada, distante dele, e pôs a areia ou a pedra fina entre essa construção e o forno, até que o forno se sustentasse e fosse possível assar nele; e ainda que esteja separado, essa forma nunca se tornará impura, pois nela não há barro que ligue suas partes separadas — e por isso a nidá e a pura assam nele, e ele é puro.
Sobre “cortou-o em anéis pela largura”: como quem corta um tubo de cana [em segmentos].