Um forno que foi aceso por trás, ou que foi aceso sem o conhecimento de seu dono, ou que foi aceso na casa do artesão, é impuro. Aconteceu que caiu um incêndio nos fornos de Kfar Signá, e o caso veio a Yavne, e Rabán Gamliel os declarou impuros.
Esta mishná esclarece a natureza do critério de “término da fabricação” estabelecido na primeira mishná do capítulo: o forno se torna suscetível à impureza a partir de um aquecimento suficiente, e esse critério é puramente físico, não dependendo da intenção nem do conhecimento de seu dono. Por isso, mesmo que o forno tenha sido aceso de maneira incomum — por trás, e não pela boca destinada a isso —, ou sem que o dono soubesse ou pretendesse aquecê-lo, ou ainda enquanto ainda se encontrava na oficina do artesão que o fabricou, antes mesmo de chegar às mãos de seu comprador, o aquecimento já basta para completar sua fabricação e torná-lo suscetível à impureza. A mishná ilustra essa regra com um caso histórico real: houve um incêndio que atingiu os fornos da aldeia de Kfar Signá — fornos ainda novos, presumivelmente não intencionalmente acesos por seus donos —, e quando a questão foi levada perante os sábios reunidos em Yavne, Rabán Gamliel declarou esses fornos impuros, confirmando que o calor acidental do incêndio já havia sido suficiente para completar sua fabricação.
Já se afirmou anteriormente que o forno não se torna impuro até que seja aceso, e esse é o término de sua fabricação. E disseram que, quando foi aceso por fora, ou sem intenção, ou o artesão que o fez o acendeu — ainda que não o tenha aceso para assar nele —, ele se torna impuro, pois foi aceso de qualquer maneira. E o relato do caso ensina que, se foi aceso sem conhecimento [do dono], é impuro; e esta é uma afirmação verdadeira.
Sobre “um forno que foi aceso por trás”: pois o forno não recebe impureza até que seja aceso; e se não foi aceso por dentro, mas apenas por fora, isso já é considerado aceso.