A coroa da kirá é pura. A cerca do forno: quando tem quatro tefachim de altura, torna-se impura por contato e por ar; menor que isso, é pura. Se a ligou a ele, ainda que sobre apenas três pedras, é impura. O lugar do frasco de óleo, o lugar dos temperos e o lugar da lâmpada que há na kirá tornam-se impuros por contato, mas não se tornam impuros por ar — palavras de Rabi Meir. Rabi Yishmael purifica.
Esta mishná trata de estruturas acessórias ligadas ao forno e à kirá. A coroa da kirá (ateret kirá) é uma construção redonda erguida sobre o topo da kirá para conservar seu calor; por não ter função própria de recipiente, permanece sempre pura, mesmo quando a kirá a que está presa se torna impura. Já a cerca do forno (tirat hatanur) — um espaço cercado diante do forno, onde se coloca o pão ao ser retirado — segue um critério diferente: se tem ao menos quatro tefachim de altura, é considerada apta a receber pão e, por isso, torna-se impura junto com o forno tanto por contato quanto por ar; sendo mais baixa que isso, permanece pura, por não ser funcionalmente apta. E se essa cerca foi de fato ligada ao forno — ainda que apenas apoiada sobre três pedras, uma ligação estruturalmente frágil — a intenção de uni-la ao forno já basta para que ela se torne impura junto com ele, independentemente de sua altura. Por fim, a mishná trata de pequenos nichos construídos nas laterais da kirá para guardar o frasco de óleo, os temperos e a lâmpada: segundo Rabi Meir, esses nichos se tornam impuros apenas quando algo impuro os toca diretamente, mas não quando a impureza apenas paira em seu ar — distinguindo-os, nesse ponto, do restante da kirá; Rabi Yishmael, mais radicalmente, declara-os sempre puros, não os considerando parte integrante da kirá.
Coroa da kirá (ateret hakirá): fazem uma construção redonda sobre o topo da kirá, para nela colocar a panela, de modo que não escape nada do calor do fogo; e essa construção se chama “coroa da kirá”, porque está sobre ela como uma coroa sobre a cabeça. E quando a kirá se torna impura, não se torna impura essa construção adicional por cima dela. E fazem, diante do forno, um lugar cercado por paredes, onde se coloca o pão no momento em que sai do forno; esse lugar se chama “a cerca do forno” (tirat hatanur), e é como um pátio, derivado da expressão “em seus pátios e em suas cercas” (Bereshit 25:16). E disse “torna-se impura por contato e por ar”, isto é, que quando o forno se torna impuro — seja por o sheretz alcançá-lo por dentro, seja por alcançar seu ar sem tocá-lo —, essa cerca se torna impura, pois é uma necessidade do forno e parte de suas partes. E se era menor que quatro tefachim de altura, não se torna impura, pois não é apta a receber o pão nela; e quando a ligou ao forno, já se mostra por sua feitura que foi feita para essa finalidade e que ele quis ligá-la ao forno — por isso se torna impura junto com ele, seja qual for a medida, ainda que a ligação seja fraca, como se dispôs três pedras ao lado do forno e a apoiou sobre essas pedras. E fazem, aos lados da kirá, um lugar onde se põe o frasco de óleo, chamado “lugar do frasco”; e um lugar onde se põem os temperos, chamado “lugar dos temperos”; e um lugar onde se põe a lâmpada, chamado “lugar da lâmpada”. E quando a kirá se torna impura por contato de um sheretz que a tocou por dentro, já se tornam impuros todos esses lugares, por estarem ligados à kirá; mas se a kirá se torna impura apenas por ar, quando o sheretz alcança seu ar, torna-se impura a kirá, mas não se tornam impuros esses lugares. E já se explicou no Talmud (Shabat 48b) que Rabi Meir estabelece essas distinções por serem parte da kirá, e que a impureza desses lugares é de origem rabínica, e são considerados ligados, e não se queima por causa deles a teruma — pois, se fossem parte essencial da kirá por lei da Torá, tornar-se-iam impuros com a impureza da kirá de qualquer forma, seja por contato seja por ar. E a lei segue Rabi Meir.
Sobre “a coroa da kirá”: construção redonda feita sobre o topo da kirá, para conservar seu calor.