Seder Tehorot · Massechet Keilim · Perek Tet-Zayin · Mishná 8 de 8 — última do capítulo

Os estojos de armas e instrumentos, e o encerramento do Perek Tet-Zayin

תִּיק הַסַּיִף וְהַסַּכִּין וְהַפִּגְיוֹן, הֲרֵי אֵלּוּ טְמֵאִים
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · המִשְׁנָה

A última mishná do capítulo enumera os estojos de armas, instrumentos de escrita e de música, todos impuros, contrasta o estojo da sinfonia e das flautas conforme o modo de inserção, e fecha com a regra que distingue o estojo do simples revestimento

O estojo da espada, e da faca, e do punhal; o estojo da tesoura pequena, da tesoura grande e da navalha; o estojo do pincel de colírio, e o recipiente do colírio; o estojo do estilete de escrever, e o trunentec; o estojo da tábua, e a escórtia; o carcás de flechas, e o carcás de dardos largos, eis que estes são impuros. O estojo da sinfonia, quando se introduz por cima, é impuro; pelo lado, é puro. O estojo de flautas, Rabi Yehudá declara puro, porque se introduz pelo lado. O revestimento do porrete, do arco e da lança, eis que estes são puros. Esta é a regra: o que é feito como estojo é impuro; o que é feito como revestimento é puro.

A mishná final do capítulo enumera uma longa série de estojos de couro feitos para instrumentos cortantes, de escrita, de beleza e de guerra — da espada ao estilete, do pincel de colírio ao carcás de flechas —, todos declarados impuros, por serem vasos receptores destinados a guardar e proteger o objeto que neles se introduz por completo. Em seguida, a mishná examina um caso intermediário: o estojo da sinfonia (instrumento musical de metal) é impuro apenas quando o instrumento é introduzido por cima, como em um verdadeiro estojo; mas se é introduzido pelo lado, é puro, pois este modo de inserção o rebaixa à condição de mera cobertura. O mesmo raciocínio leva Rabi Yehudá a declarar puro o estojo de flautas, já que estas se inserem lateralmente. Por fim, a mishná contrasta esta longa lista de estojos com o revestimento do porrete, do arco e da lança — puro, por não envolver o objeto por completo, mas apenas cobri-lo externamente —, e fecha com a regra geral que resume esta distinção: tudo o que é feito como estojo, recebendo o objeto em seu interior, é impuro; tudo o que é feito apenas como revestimento externo é puro.

תִּיק הַסַּיִף וְהַסַּכִּין וְהַפִּגְיוֹן, תִּיק מִסְפֶּרֶת וּמִסְפָּרַיִם וְהַתַּעַר, תִּיק מִכְחוֹל, וּבֵית הַכּוֹחַל, תִּיק מַכְתֵּב, וּתְרוּנְתֵּק, תִּיק טַבְלָא וּסְקֹרְטְיָא, בֵּית הַחִצִּים, בֵּית הַפָּגוֹשׁוֹת, הֲרֵי אֵלּוּ טְמֵאִים. תִּיק סִמְפּוֹנְיָא, בִּזְמַן שֶׁהוּא נוֹתֵן מִלְמַעְלָה, טָמֵא. מִצִּדּוֹ, טָהוֹר. תִּיק חֲלִילִין, רַבִּי יְהוּדָה מְטַהֵר, מִפְּנֵי שֶׁהוּא נוֹתְנוֹ מִצִּדּוֹ. חִפּוּי הָאַלָּה, הַקֶּשֶׁת, וְהָרֹמַח, הֲרֵי אֵלּוּ טְהוֹרִין. זֶה הַכְּלָל, הֶעָשׂוּי לְתִיק, טָמֵא. לְחִפּוּי, טָהוֹר:

Halachot · הַלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Keilim 16:8
תיק. הוא נרתק: וכבר קדם לנו שפגיון סכין מעוות…

Sobre “estojo”: é o invólucro. E já vimos antes que “pigyon” é uma faca torta [de dois gumes].

Sobre “e mispéret”: isto é, aquilo com que se apara [o cabelo]; e navalha e tesouras são conhecidas.

Sobre “e o recipiente do colírio”: o vaso no qual se coloca o colírio.

Sobre “e machtev”: cálamo de ferro ou de bronze, e já explicamos isso.

Sobre “trunentec”: é o que se faz de couro, com bases reunidas num só corpo, e nele há lugares para o cálamo, para a faca e para as tesouras; e é o que chamamos “pinariu”; e quer dizer que se chama “trunentec” porque é “terein tik” [dois estojos]; e seu nome é conhecido entre nós.

Sobre “o carcás de flechas”: filhas da aljava.

Sobre “e o carcás de dardos largos”: estojo de couro no qual se colocam as flechas largas; em aramaico, se traduz “e feriu Cabalo” — “e machat pagoshohi”.

Sobre “sinfonia e flauta”: tipos de instrumentos musicais, como já explicamos. E disseram, que “revestimento é puro”, porque todos os revestimentos são como os que se revestem com placa de ouro, ou como os revestimentos de metal, sendo muitos vasos revestidos de couro; e todos os revestimentos não se tornam impuros, pela mesma raiz já mencionada, que é o que se disse: “poderia eu incluir o revestimento dos vasos? Ensina o versículo: aquilo com que se faz trabalho neles — exceto o revestimento dos vasos”.

Bartenura · Keilim 16:8
הַפִּגְיוֹן. סַכִּין שֶׁיֶּשׁ לוֹ שְׁתֵּי פִיּוֹת…

Sobre “pigyon”: faca que tem duas lâminas.

Sobre “estojo do pincel de colírio”: o estojo do vaso com o qual se pinta o olho de colírio.

Sobre “e o recipiente do colírio”: o vaso no qual se guarda o colírio.

Sobre “machtev”: cálamo de bronze e de ferro.

Sobre “trunentec”: “terein tik” [dois estojos]. É um único vaso que contém muitos estojos separados: para o cálamo, para a faca e para as tesouras. E os médicos de feridas usam muito este vaso. Em língua estrangeira, “pinarol”.

Sobre “pagoshot”: flechas largas. E “e feriu Cabalo” (Ezequiel 26) traduzimos “e machat pagoshohi”.

Sobre “sinfonia”: instrumento musical de metal.

Sobre “pelo lado é puro”: porque tudo o que se introduz pelo lado não é considerado um estojo, mas apenas uma cobertura qualquer.

Sobre “a alá”: cetro de ferro, com uma bola redonda na ponta, do qual saem pinos semelhantes a amêndoas; em árabe chamam-lhe “dabus”, e em língua estrangeira, “maça”.

Sobre “feito para revestimento”: para cobertura. Em aramaico, “cobertura” se traduz “chofaá”.

Sobre “é puro”: pois se ensinou: poderia eu incluir o revestimento dos vasos para a impureza? Ensina o versículo (Levítico 11): “aquilo com que se faz trabalho neles” — excluindo o revestimento dos vasos.

Perush — os Mefarshim · הַמְפָרְשִׁים

Massechet Keilim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.

Encerramento do Perek Tet-Zayin · סיום הפרק

כְּלֵי עֵץ, כְּלֵי עוֹר, וּמְשַׁמְּשֵׁי מְשַׁמְּשָׁיו שֶׁל אָדָם

Com esta oitava mishná, encerra-se o Perek Tet-Zayin de Massechet Keilim, que deu continuidade ao estudo dos vasos de madeira e de couro iniciado no capítulo anterior, dedicando-se sobretudo à pergunta central: a partir de que momento de sua fabricação um vaso se torna suscetível à impureza.

O capítulo abriu (16:1) com a regra do vaso de madeira partido em dois — puro, salvo exceções cujas metades continuam a funcionar como vasos completos —, e com o critério de acabamento da cama e do berço, lixados com pele de peixe, incluindo a opinião de Rabi Meir sobre os três compartimentos de corda. As mishnayot 16:2 e 16:3 trataram do acabamento dos cestos e recipientes trançados de vime, junco e cortiça — dos pequenos cestos comuns aos grandes kenonim, sugin, peneiras, balanças, kupot e o eraq —, medindo a suscetibilidade em vedações, aparos, voltas e tranças. A mishná 16:4 voltou-se aos vasos de couro — o turmel, a escórtia, a catabólia, o travesseiro e a almofada —, com a disputa constante entre os sábios e Rabi Yehudá sobre o passo final de acabamento. A mishná 16:5 contrastou pares de vasos trançados semelhantes de julgamento oposto, como a patiliá e a chassiná, e o chotal cuja impureza depende do modo de retirar seu conteúdo. A mishná 16:6 examinou a luva de couro dos trabalhadores, distinguindo o que é feito para receber do que serve apenas contra o suor. A mishná 16:7 reuniu uma extensa lista de vasos e acessórios puros, culminando na regra de Rabi Yosei sobre os servidores dos servidores do homem. E esta última mishná, 16:8, fechou o capítulo com os estojos de armas, instrumentos de escrita e de música, e a regra final que distingue o estojo do simples revestimento.

O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Yud-Chet, que continuará explorando as leis de impureza dos vasos ao longo dos catorze perakim que ainda restam deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.