A luva dos que joeiram nas eiras, dos viajantes, dos que trabalham o linho, é impura. Mas a dos tintureiros e a dos ferreiros é pura. Rabi Yosei diz: também a dos moedores de grão é semelhante a estas. Esta é a regra: o que é feito para receber, é impuro; o que é apenas por causa do suor, é puro.
Esta mishná examina um único tipo de vaso — a luva ou manopla de couro — e mostra como sua função determina se ela recebe impureza, ainda que sua forma externa seja idêntica em todos os casos. A luva usada pelos que joeiram nas eiras, pelos viajantes e pelos trabalhadores do linho é impura, porque sua finalidade é ajudar a mão a segurar firmemente aquilo que carrega, ou a protegê-la de espinhos; nesse caso, o objeto seguro se apoia sobre a luva e é, em certo sentido, recebido por ela, o que a qualifica como vaso receptor. Já a luva dos tintureiros e dos ferreiros é pura, porque sua única função é absorver o suor e proteger a pele, sem que nada seja propriamente recebido por ela. Rabi Yosei estende esta mesma impureza à luva dos moedores de grão. E a mishná fecha com a regra geral que resume toda a distinção: todo vaso feito para receber algo é suscetível à impureza; todo vaso feito apenas como proteção contra o suor é puro, por se tratar de uso meramente provisório.
Sobre “ksaiá”: é um couro costurado no qual entra a mão, e tem a forma da palma da mão. E se a intenção nela é que se traga com ela a mão, para que não entre em sua mão o espinho ou as lascas de madeira e a machuquem, é impura. E se a intenção nela é apenas para que não sue e estrague o que está em sua mão por causa do suor, ou que o suor a incomode ao segurar o vaso com o qual trabalha, eis que não se torna impura, pois é semelhante aos vasos de couro simples, e, ainda que seja oca, não foi feita para receber.
Sobre “ksaiá”: manopla de couro.
Sobre “a dos que joeiram nas eiras, dos viajantes e dos que trabalham o linho, é impura”: porque, sendo feita para segurar bem a coisa em sua mão, que não escorregue dela, ou para que não se lhe crave um espinho na mão, é chamada “feita para receber”, pois a coisa que ele segura se apoia sobre a manopla e é recebida por ela.
Sobre “dos moedores de grão”: os que fazem grãos partidos de fava no moinho.
Sobre “por causa do suor”: para absorver o suor, a fim de refrescar sua carne para que não sue; ou ainda, para que o suor de suas mãos não suje a coisa que segura.
Sobre “é puro”: pois é considerado uso provisório.