Seder Tehorot · Massechet Keilim · Perek Tet-Zayin · Mishná 6 de 8

A luva de couro dos trabalhadores e a regra do que é feito para receber

קְסָיָה שֶׁל זוֹרֵי גְרָנוֹת, שֶׁל הוֹלְכֵי דְרָכִים, שֶׁל עוֹשֵׂי פִשְׁתָּן, טְמֵאָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · המִשְׁנָה

A mishná trata da luva de couro usada por diferentes trabalhadores, distinguindo aquela feita para segurar objetos, que é impura, daquela feita apenas para proteger do suor, que é pura, e conclui com a regra geral que fundamenta esta distinção

A luva dos que joeiram nas eiras, dos viajantes, dos que trabalham o linho, é impura. Mas a dos tintureiros e a dos ferreiros é pura. Rabi Yosei diz: também a dos moedores de grão é semelhante a estas. Esta é a regra: o que é feito para receber, é impuro; o que é apenas por causa do suor, é puro.

Esta mishná examina um único tipo de vaso — a luva ou manopla de couro — e mostra como sua função determina se ela recebe impureza, ainda que sua forma externa seja idêntica em todos os casos. A luva usada pelos que joeiram nas eiras, pelos viajantes e pelos trabalhadores do linho é impura, porque sua finalidade é ajudar a mão a segurar firmemente aquilo que carrega, ou a protegê-la de espinhos; nesse caso, o objeto seguro se apoia sobre a luva e é, em certo sentido, recebido por ela, o que a qualifica como vaso receptor. Já a luva dos tintureiros e dos ferreiros é pura, porque sua única função é absorver o suor e proteger a pele, sem que nada seja propriamente recebido por ela. Rabi Yosei estende esta mesma impureza à luva dos moedores de grão. E a mishná fecha com a regra geral que resume toda a distinção: todo vaso feito para receber algo é suscetível à impureza; todo vaso feito apenas como proteção contra o suor é puro, por se tratar de uso meramente provisório.

קְסָיָה שֶׁל זוֹרֵי גְרָנוֹת, שֶׁל הוֹלְכֵי דְרָכִים, שֶׁל עוֹשֵׂי פִשְׁתָּן, טְמֵאָה. אֲבָל שֶׁל צַבָּעִין וְשֶׁל נַפָּחִין, טְהוֹרָה. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, אַף שֶׁל גָּרוֹסוֹת כַּיּוֹצֵא בָהֶן. זֶה הַכְּלָל, הֶעָשׂוּי לְקַבָּלָה, טָמֵא. מִפְּנֵי הַזֵּעָה, טָהוֹר:

Halachot · הַלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Keilim 16:6
קסייה. עור תפור יכנס בו היד והוא על דמיון כף האדם…

Sobre “ksaiá”: é um couro costurado no qual entra a mão, e tem a forma da palma da mão. E se a intenção nela é que se traga com ela a mão, para que não entre em sua mão o espinho ou as lascas de madeira e a machuquem, é impura. E se a intenção nela é apenas para que não sue e estrague o que está em sua mão por causa do suor, ou que o suor a incomode ao segurar o vaso com o qual trabalha, eis que não se torna impura, pois é semelhante aos vasos de couro simples, e, ainda que seja oca, não foi feita para receber.

Bartenura · Keilim 16:6
קְסָיָה. בֵּית יָד שֶׁל עוֹר…

Sobre “ksaiá”: manopla de couro.

Sobre “a dos que joeiram nas eiras, dos viajantes e dos que trabalham o linho, é impura”: porque, sendo feita para segurar bem a coisa em sua mão, que não escorregue dela, ou para que não se lhe crave um espinho na mão, é chamada “feita para receber”, pois a coisa que ele segura se apoia sobre a manopla e é recebida por ela.

Sobre “dos moedores de grão”: os que fazem grãos partidos de fava no moinho.

Sobre “por causa do suor”: para absorver o suor, a fim de refrescar sua carne para que não sue; ou ainda, para que o suor de suas mãos não suje a coisa que segura.

Sobre “é puro”: pois é considerado uso provisório.

Perush — os Mefarshim · הַמְפָרְשִׁים

Massechet Keilim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.