Seder Tehorot · Massechet Keilim · Perek Tet-Zayin · Mishná 2 de 8

Quando os cestos de madeira e vime começam a receber impureza

הַסַּלִּים שֶׁל עֵץ, מִשֶּׁיַּחְסֹם וִיקַנֵּב
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · המִשְׁנָה

A mishná trata do momento em que os cestos de madeira e de vime se tornam suscetíveis à impureza: os cestos comuns, os de ramos de tamareira, o cesto caleá, e os recipientes para jarros e para copos

Os cestos de madeira, a partir de quando se veda a borda e se apara. E os de ramos de tamareira, ainda que não se apararam por dentro, são impuros, porque assim os deixam. A caleá, a partir de quando se veda a borda, se apara, e se completa a alça de suspensão. O recipiente para jarros, e o recipiente para copos, ainda que não se apararam por dentro, são impuros, porque assim os deixam.

Depois de estabelecer, na mishná anterior, o critério de acabamento para a cama e o berço, esta mishná aplica o mesmo tipo de pergunta — a partir de quando um vaso recém-fabricado se torna suscetível à impureza — aos cestos tecidos de vime e materiais semelhantes. Os cestos de madeira comuns tornam-se suscetíveis quando se lhes veda a borda, isto é, quando se completa a orla que prende toda a tecedura, e quando se aparam as pontas e lascas salientes que restaram do trançado. Já os cestos feitos de ramos de tamareira dispensam este segundo passo: tornam-se suscetíveis mesmo sem o aparo interno, porque é costume deixá-los assim, sem incomodar quem os usa. A caleá — um cesto de junco — exige um terceiro requisito além da vedação e do aparo: que se complete também a corda pela qual se pendura. E, por fim, os recipientes usados para guardar jarros e copos seguem a mesma regra dos cestos de ramos de tamareira: tornam-se suscetíveis ainda que não tenham sido aparados por dentro, pois este é o seu acabamento costumeiro.

הַסַּלִּים שֶׁל עֵץ, מִשֶּׁיַּחְסֹם וִיקַנֵּב. וְשֶׁל תְּמָרָה, אַף עַל פִּי שֶׁלֹּא קִנֵּב מִבִּפְנִים, טָמֵא, שֶׁכֵּן מְקַיְּמִין. כַּלְכָּלָה, מִשֶּׁיַּחְסֹם וִיקַנֵּב וְיִגְמֹר אֶת הַתְּלוֹיָה. בֵּית הַלְּגִינִין, וּבֵית הַכּוֹסוֹת, אַף עַל פִּי שֶׁלֹּא קִנֵּב מִבִּפְנִים, טָמֵא, שֶׁכֵּן מְקַיְּמִין:

Halachot · הַלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Keilim 16:2
משיחסום. הוא מאשר יעשה השפה אשר תחבר האריגה כולה ותמנענה מלהפסיד ולהתפרד…

Sobre “a partir de quando se veda a borda”: é quando se faz a orla que une toda a tecedura e a impede de se estragar e se desfazer; e é da mesma expressão de (Deuteronômio 25) “não vedarás a boca do boi”, que é o atar de sua boca. E o costume dos vasos que se tornam impuros é serem de junco, ou palha, ou vime, e semelhantes a estes, como os cestos; e os demais deixam uma parte daquilo com que se tece o vaso saliente sobre sua superfície, por dentro do vaso ou por fora; e quando o artesão termina de fazer este vaso, cortam-se todas estas pontas com ferro; e o corte destas pontas se chama “kenivá”, como se diz “yekanev” ou “kinev”. E o que se usa destes exemplos quer dizer o corte das pontas do vime e do junco depois de completo o vaso, e não precisaremos voltar a nos ocupar da explicação do sentido destas palavras. E saibas que o cesto, a caleá e a colmeia têm todos a mesma forma, que nós chamamos “o cesto”, e apenas variam pela diferença da matéria de que são feitos, e pelo tamanho, grande ou pequeno.

Sobre “e o de tâmara”: quer dizer o que se faz de ramos de tamareira; e o sentido de “porque assim os deixam” é que é costume das pessoas deixá-los assim, e não é costume das pessoas cortar estas pontas.

Sobre “e o recipiente para jarros”: é semelhante ao que chamam no Egito de “os kenonim”; e “leguinin” é o plural de “legin”; e “recipiente para copos” é a base para copos.

Bartenura · Keilim 16:2
הַסַּלִּים שֶׁל עֵץ. מֵאֵימָתַי גְּמַר מְלַאכְתָּן…

Sobre “os cestos de madeira”: a partir de quando se completa sua fabricação.

Sobre “a partir de quando se veda a borda”: quando a pessoa faz um cesto grande ou pequeno e completa sua orla, isto é a “vedação”.

Sobre “e se apara”: depois de completar a orla, e restam lascas — pontas de cascas salientes —, corta-as e apara-as; isto é o “aparo”.

Sobre “de tâmara”: cestos feitos de ramos de tamareira.

Sobre “porque assim os deixam”: sem aparo.

Sobre “caleá”: cesto de junco.

Sobre “a alça de suspensão”: que se complete a corda com a qual se pendura.

Sobre “recipiente para jarros”: vaso no qual se colocam jarros para guardar.

Sobre “recipiente para copos”: vaso no qual se guardam copos.

Perush — os Mefarshim · הַמְפָרְשִׁים

Massechet Keilim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.