Um brinco feito como panela por baixo e como lentilha por cima, e se separou: [a parte] como panela é impura por ser vaso com receptáculo, e [a parte] como lentilha é impura por si mesma. O ganchinho é puro. [O brinco] feito à semelhança de um cacho, e se separou, é puro.
A última mishná do capítulo retorna aos ornamentos femininos, detalhando dois modelos de brincos compostos. O primeiro tem duas partes distintas: uma inferior, oca à semelhança de uma panela — com verdadeiro receptáculo —, e uma superior, um caroço sólido de ouro ou prata em forma de lentilha. Quando essas duas partes se separam, ambas permanecem impuras, mas por razões diferentes: a “panela” por ter, ela mesma, um receptáculo — e não por ser ornamento de mulher, pois desmontada já não serve como adorno —, e a “lentilha” por ter nome próprio como peça reconhecível. O tzinorá — a haste curva, em forma de gancho, que atravessa o furo da orelha ou do nariz para prender o brinco — é puro, por não ter nome próprio independente. O segundo modelo, o brinco em forma de cacho de uvas, é composto de quatro ou cinco pequenos grãos de ouro empilhados uns sobre os outros; quando esses grãos se separam, todos se tornam puros, pois nenhum grão isolado tem nome próprio, nenhum serve mais como ornamento desmontado, e nenhum possui receptáculo que justifique a impureza — encerrando assim o capítulo com o princípio recorrente de que um vaso de metal só recebe impureza sob as condições já estabelecidas: ter nome próprio, ou ter receptáculo, ou servir de fato ao uso humano.
Sobre “como panela por baixo”: que tenha uma construção oca como a panela, e em sua parte superior um único caroço rígido, semelhante a uma lentilha, nesta forma; e quando essa “lentilha” se separa da “panela”, a “panela” se torna um vaso que tem receptáculo, sem dúvida, e ela é impura por ser vaso — não por ser ornamento de mulher — e também a “lentilha” será impura, por ter nome próprio.
E o tzinorá é a extremidade da haste do brinco que entra no furo da orelha ou do nariz; e por ser torta, chamam-na tzinorá — traduzido “seus garfos, seus tzinorot”.
E disse “feito como um cacho”: quer dizer um brinco feito à semelhança de um cacho, isto é, quando há caroços de ouro reunidos à semelhança de um cacho de uvas; e quando esses caroços se separam, não se tornam impuros, pois já não são ornamento de mulher, e nenhum desses caroços tem nome próprio, e tampouco há neles receptáculo por causa do qual se tornassem impuros — e nenhum vaso de metal se torna impuro senão nas condições já mencionadas.
Sobre “como panela por baixo”: largo por baixo, e tem receptáculo.
Sobre “e como lentilha por cima”: no alto do brinco há um caroço de ouro ou de prata, feito como lentilha.
Sobre “e se separou”: a lentilha, da panela.
Sobre “a panela é impura”: pois tem receptáculo — e não por ser ornamento de mulher, pois ela não é própria para ornamento tal como está.
Sobre “e a lentilha é impura”: pois tem nome próprio.
Sobre “tzinorá”: a extremidade do brinco que entra no furo da orelha ou no furo do nariz. E por ser feito como um garfo, chama-se tzinorá; traduzido “seus garfos”, “seus tzinoriata”.
Sobre “é pura”: pois não tem nome próprio.
Sobre “feito como um cacho”: um brinco feito de quatro ou cinco grãos, um sobre o outro, à semelhança de um cacho.
Sobre “e se separou, é puro”: pois nenhum dos grãos tem nome próprio, e ele já não serve para uso depois de separado.
Com esta nona mishná, encerra-se o Perek Yud-Alef de Massechet Keilim, o primeiro capítulo dedicado inteiramente aos vasos de metal — a segunda grande divisão do tratado, após os dez capítulos sobre vasos de barro que abriram Seder Tehorot.
O capítulo abriu (11:1) com o princípio geral que distingue o metal do barro: tanto os vasos simples quanto os receptáculos de metal recebem impureza, com base no versículo sobre o espólio de Midian; e estabeleceu a regra da refusão, pela qual vasos de metal quebrados e refeitos retornam à impureza antiga, restrita por Rabban Shimon ben Gamliel à impureza do cadáver. A mishná 11:2 acrescentou o critério do nome próprio, excetuando as peças fixas à porta e ao chão. A mishná 11:3, a mais longa do capítulo, distinguiu os “esboços” de vasos de metal — lingotes, discos, chapas, restos de fabricação — dos vasos feitos de fragmentos já usados, com a disputa de Bet Shamai e Bet Hilel sobre pregos de origem incerta. A mishná 11:4 tratou da mistura de ferro puro e impuro pela regra da maioria, do trinco da porta e da disputa entre Rabi Yehoshua e Rabi Tarfon sobre seu manuseio em Shabat. As mishnayot 11:5 a 11:7 percorreram os arreios de animais, os instrumentos de fiação e de música, e o chifre-trombeta e a candeia articulados, sempre voltando ao mesmo eixo: nome próprio, receptáculo, e a união de partes que devolve a impureza ao conjunto. A mishná 11:8 reuniu o elmo, as armas de guerra e os ornamentos femininos, com o caso detalhado do colar de contas metálicas. E esta última mishná, 11:9, fechou o capítulo com o brinco composto de panela e lentilha, e o brinco em cacho de uvas que se desmancha em grãos puros.
O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Yud-Bet, que continuará explorando as leis dos vasos de metal — joias, selos e outros pequenos objetos — ao longo dos dezenove perakim que ainda restam deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.