Seder Tehorot · Massechet Keilim · Perek Alef · Mishná 7 de 9

As cidades muradas

עֲיָרוֹת הַמֻּקָּפוֹת חוֹמָה מְקֻדָּשׁוֹת מִמֶּנָּה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Segundo grau de santidade: as cidades cercadas por muralha desde os tempos de Josué, de onde se enviam os leprosos e para dentro das quais se pode conduzir um morto até se decidir onde sepultá-lo — mas, uma vez retirado, não se pode reintroduzi-lo

As cidades cercadas por muralha são mais sagradas que ela [a Terra de Israel comum], pois delas se enviam para fora os metzoraim, e se pode conduzir um morto dentro delas até que queiram [decidir onde sepultá-lo]. Uma vez saído, não o fazem voltar.

O segundo grau de santidade eleva-se sobre o primeiro: as cidades de Eretz Israel que já estavam cercadas por muralha desde os dias de Josué bin Nun recebem um estatuto especial, equiparando-se, para efeitos de pureza, ao antigo acampamento de Israel no deserto. É delas — e não apenas do território rural comum — que os metzoraim (leprosos) devem ser enviados para fora, não podendo permanecer dentro dos muros durante seu período de impureza ativa. A mishná acrescenta uma flexibilidade importante quanto ao corpo de um falecido: dentro dessas cidades muradas, é permitido transportar o morto de um lugar para outro, conforme desejarem os líderes da cidade, até que se decida o local definitivo do sepultamento — sem que essa movimentação viole a proibição de introduzir impureza no espaço sagrado. Mas, uma vez que o corpo tenha sido efetivamente retirado da cidade, a regra se inverte por completo: não é mais permitido reintroduzi-lo, ainda que todos os moradores da cidade concordem — pois a impureza que já saiu do recinto sagrado não pode ser trazida de volta.

עֲיָרוֹת הַמֻּקָּפוֹת חוֹמָה מְקֻדָּשׁוֹת מִמֶּנָּה, שֶׁמְּשַׁלְּחִים מִתּוֹכָן אֶת הַמְּצֹרָעִים, וּמְסַבְּבִין לְתוֹכָן מֵת עַד שֶׁיִּרְצוּ. יָצָא, אֵין מַחֲזִירִין אוֹתוֹ:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Keilim 1:7
אמר השם במצורע בדד ישב מחוץ למחנה מושבו ולזה יצא מכל המדינה…

Rambam explica: o Eterno disse a respeito do metzora, “só habitará, fora do acampamento será sua morada”, e por isso ele deve sair de toda a cidade — entendendo-se “cidade” aqui como equivalente ao antigo acampamento de Israel. Quanto ao morto, explica que, enquanto ele permanecer dentro da cidade murada, pode ser transportado de um lugar a outro conforme desejarem os habitantes da cidade em geral, ou os sete notáveis da cidade, como já se explicou em Meguilá — se decidirem sepultá-lo em determinado local da cidade, podem fazê-lo. Mas, uma vez que o morto tenha saído da cidade, não é permitido reconduzi-lo para sepultá-lo lá dentro, ainda que todos concordem, pois as impurezas que já se afastaram da cidade e saíram dela não devem ser reintroduzidas nela.

Bartenura · Keilim 1:7
עֲיָרוֹת הַמֻּקָּפוֹת חוֹמָה. מִימוֹת יְהוֹשֻׁעַ בִּן נוּן…

Bartenura explica: “as cidades cercadas por muralha” refere-se àquelas assim cercadas desde os dias de Josué bin Nun. Pois, a respeito do metzora, está escrito “fora do acampamento será sua morada”, isto é, fora do acampamento de Israel; e, quando Josué conquistou a terra, ele consagrou as cidades que estavam cercadas por muralha em seus dias, para que fossem como o acampamento de Israel, de onde se enviam os metzoraim.

Sobre “e se pode conduzir um morto dentro delas”: é permitido transportá-lo pela cidade, de um lugar a outro, até o local onde os notáveis da cidade decidirem sepultá-lo. Sobre “uma vez saído”: o morto, para fora da cidade. Sobre “não o fazem voltar”: para sepultá-lo lá dentro, mesmo que os notáveis da cidade concordem — pois, uma vez que a impureza saiu da cidade, não a reintroduzem nela.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Keilim não possui Guemará no Talmud Bavli. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.