As cidades cercadas por muralha são mais sagradas que ela [a Terra de Israel comum], pois delas se enviam para fora os metzoraim, e se pode conduzir um morto dentro delas até que queiram [decidir onde sepultá-lo]. Uma vez saído, não o fazem voltar.
O segundo grau de santidade eleva-se sobre o primeiro: as cidades de Eretz Israel que já estavam cercadas por muralha desde os dias de Josué bin Nun recebem um estatuto especial, equiparando-se, para efeitos de pureza, ao antigo acampamento de Israel no deserto. É delas — e não apenas do território rural comum — que os metzoraim (leprosos) devem ser enviados para fora, não podendo permanecer dentro dos muros durante seu período de impureza ativa. A mishná acrescenta uma flexibilidade importante quanto ao corpo de um falecido: dentro dessas cidades muradas, é permitido transportar o morto de um lugar para outro, conforme desejarem os líderes da cidade, até que se decida o local definitivo do sepultamento — sem que essa movimentação viole a proibição de introduzir impureza no espaço sagrado. Mas, uma vez que o corpo tenha sido efetivamente retirado da cidade, a regra se inverte por completo: não é mais permitido reintroduzi-lo, ainda que todos os moradores da cidade concordem — pois a impureza que já saiu do recinto sagrado não pode ser trazida de volta.
Rambam explica: o Eterno disse a respeito do metzora, “só habitará, fora do acampamento será sua morada”, e por isso ele deve sair de toda a cidade — entendendo-se “cidade” aqui como equivalente ao antigo acampamento de Israel. Quanto ao morto, explica que, enquanto ele permanecer dentro da cidade murada, pode ser transportado de um lugar a outro conforme desejarem os habitantes da cidade em geral, ou os sete notáveis da cidade, como já se explicou em Meguilá — se decidirem sepultá-lo em determinado local da cidade, podem fazê-lo. Mas, uma vez que o morto tenha saído da cidade, não é permitido reconduzi-lo para sepultá-lo lá dentro, ainda que todos concordem, pois as impurezas que já se afastaram da cidade e saíram dela não devem ser reintroduzidas nela.
Bartenura explica: “as cidades cercadas por muralha” refere-se àquelas assim cercadas desde os dias de Josué bin Nun. Pois, a respeito do metzora, está escrito “fora do acampamento será sua morada”, isto é, fora do acampamento de Israel; e, quando Josué conquistou a terra, ele consagrou as cidades que estavam cercadas por muralha em seus dias, para que fossem como o acampamento de Israel, de onde se enviam os metzoraim.
Sobre “e se pode conduzir um morto dentro delas”: é permitido transportá-lo pela cidade, de um lugar a outro, até o local onde os notáveis da cidade decidirem sepultá-lo. Sobre “uma vez saído”: o morto, para fora da cidade. Sobre “não o fazem voltar”: para sepultá-lo lá dentro, mesmo que os notáveis da cidade concordem — pois, uma vez que a impureza saiu da cidade, não a reintroduzem nela.