A Mishná · הַמִּשְׁנָה
Síntese: para todos os preceitos da Torá cuja transgressão deliberada acarreta carét e cujo erro acarreta sacrifício expiatório, a escala de oferendas conforme a categoria de quem transgride.
Todos os preceitos da Torá cuja transgressão deliberada acarreta carét e cujo erro acarreta sacrifício expiatório: o indivíduo traz uma cordeira ou uma cabra; o príncipe, um bode; e o sacerdote ungido e o tribunal trazem um touro.
כָּל הַמִּצְוֹת שֶׁבַּתּוֹרָה שֶׁחַיָּבִין עַל זְדוֹנָן כָּרֵת וְעַל שִׁגְגָתָן חַטָּאת, הַיָּחִיד מֵבִיא כִשְׂבָּה וּשְׂעִירָה, וְהַנָּשִׂיא שָׂעִיר, וּמָשִׁיחַ וּבֵית דִּין מְבִיאִין פָּר.
A mesma síntese aplicada especificamente ao caso da idolatria, com a escala de oferendas própria a essa transgressão.
E quanto à idolatria: o indivíduo, o príncipe e o sacerdote ungido trazem uma cabra; e o tribunal, um touro e um bode — o touro como oferta de elevação e o bode como sacrifício expiatório.
— Esta mishná resume, de modo sistemático, toda a escala de responsabilidade estabelecida ao longo do Perek Bet, organizando-a por categoria de transgressor. Para as trinta e uma mitzvot cuja transgressão deliberada acarreta carét e cujo erro acarreta sacrifício expiatório fixo (o critério estabelecido na mishná 2:3): o indivíduo comum traz uma cordeira ou uma cabra fêmea, conforme sua escolha; o rei (נָשִׂיא), sendo removido da categoria de indivíduo comum, traz especificamente um bode macho; e tanto o sacerdote ungido quanto o tribunal — equiparados entre si ao longo de todo este perek — trazem um touro, cada um o seu, conforme os requisitos já estabelecidos. Já quanto à idolatria, cuja fonte bíblica está em parashat Shelach Lechá e cujas regras foram parcialmente distintas das demais mitzvot (como visto na mishná 1:5 do perek anterior, e na condição de “anular parte e manter parte” da mishná 2:2): o indivíduo, o rei e o sacerdote ungido trazem todos uma cabra — sem distinção entre eles, ao contrário do que ocorre nas demais mitzvot, onde o rei se distingue do indivíduo comum; e o tribunal traz dois animais distintos, um touro como oferta de elevação (עוֹלָה) e um bode como sacrifício expiatório (חַטָּאת), conforme o versículo de Bemidbar 15.
וּבַעֲבוֹדָה זָרָה, הַיָּחִיד וְהַנָּשִׂיא וְהַמָּשִׁיחַ מְבִיאִין שְׂעִירָה, וּבֵית דִּין פַּר וְשָׂעִיר, פַּר לְעוֹלָה וְשָׂעִיר לְחַטָּאת:
Fontes bíblicas · מְקוֹרוֹת
Vayikrá 4:22
אֲשֶׁר נָשִׂיא יֶחֱטָא וְעָשָׂה אַחַת מִכָּל מִצְוֹת ה' אֱלֹהָיו אֲשֶׁר לֹא תֵעָשֶׂינָה בִּשְׁגָגָה וְאָשֵׁם.
“Quando um príncipe pecar, e fizer, por erro, uma de todas as mitzvot do Eterno seu Deus, que não se devem fazer, e for culpado” — este é o versículo que introduz, em Vayikrá 4, a categoria própria do rei (נָשִׂיא), removida tanto da categoria do indivíduo comum quanto da do tribunal. É dele que a Guemará deriva, por meio de uma inferência do menor ao maior (קַל וָחֹמֶר) e por comparações textuais, que o rei traz especificamente um bode macho pelo seu erro — distinto tanto da cordeira ou cabra do indivíduo quanto do touro do sacerdote ungido e do tribunal, resumo que esta mishná sistematiza.
Halachot · הֲלָכוֹת
Rambam · Perush HaMishná, Horayot 2:6
כל המצוה שבתורה וכו': כל זה מבואר והם מקראות התורה וכבר קדם ביאורם:
Rambam, de forma sucinta, remete o leitor às explicações já dadas anteriormente: esta mishná é, em sua totalidade, um resumo direto dos versículos da Torá quanto às diferentes escalas de oferenda — cordeira ou cabra para o indivíduo, bode para o rei, touro para o sacerdote ungido e para o tribunal nas demais mitzvot; cabra para o indivíduo, o rei e o sacerdote ungido, e touro com bode para o tribunal, no caso específico da idolatria — cujos fundamentos bíblicos e lógicos já foram desenvolvidos nas mishnayot precedentes deste tratado.
Bartenura · Horayot 2:6
וּבַעֲבוֹדָה זָרָה הַיָּחִיד וְהַנָּשִׂיא וְהַמָּשִׁיחַ מְבִיאִין שְׂעִירָה. בְּפָרָשַׁת שְׁלַח לְךָ (במדבר טו) בְּקָרְבַּן עֲבוֹדָה זָרָה כְּתִיב וְאִם נֶפֶשׁ אַחַת תֶּחֱטָא בִשְׁגָגָה וְגוֹ' וְהִקְרִיבָה עֵז, וּכְתִיב בַּתְרֵיהּ תּוֹרָה אַחַת יִהְיֶה לָכֶם, הִשְׁוָה אֶת כֻּלָּן לְקָרְבָּן זֶה:
Bartenura explica que, na parashat Shelach Lechá, o versículo sobre a oferenda da idolatria individual diz “e se uma pessoa pecar por erro... e trará uma cabra”, seguido logo depois por “uma só lei haverá para vós” — expressão que iguala, no caso específico da idolatria, o indivíduo, o rei e o sacerdote ungido a essa mesma oferenda de cabra, diferentemente do que ocorre nas demais mitzvot, onde cada categoria tem sua própria escala.
Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים
Rashi רַשִׁ״י
Rashi sobre a Guemará de Horayot, 9a
מתני' כל המצות שבתורה שחייבין על זדונן כרת ועל שגגתן וכו' משיח וב"ד מביאין פר — כדאמרינן לעיל (הוריות דף ח.) נאמר כאן עליה ונאמר להלן לגלות ערותה עליה וכו' ונשיא יליף ממצות יחיד ואם נפש ילמוד תחתון מעליון:
ובעבודת כוכבים יחיד ונשיא ומשיח מביאים שעירה — דכתיב בפרשת שלח לך בעבודת כוכבים ואם נפש וגו' וכולן בכלל נפש אחת הן:
וב"ד מביאין פר ושעיר — כדכתיב בפרשת שלח לך ואמר לעיל (הוריות דף ז:) יליף מעיני מעיני מה להלן ב"ד אף כאן ב"ד:
Rashi remete às derivações já explicadas anteriormente na Guemará para justificar cada elemento desta mishná resumo: que o sacerdote ungido e o tribunal trazem touro nas demais mitzvot, aprendido da igualação verbal entre “sobre ela” (עָלֶיהָ) escrito a respeito do sacerdote ungido e o mesmo termo escrito a respeito de outra lei; que o rei aprende sua obrigação a partir do preceito do indivíduo, pelo princípio de que “o inferior aprende do superior”; que, no caso da idolatria, o indivíduo, o rei e o sacerdote ungido trazem todos uma cabra, pois o versículo de parashat Shelach Lechá, “e se uma pessoa pecar”, os inclui a todos igualmente sob a mesma categoria de “uma pessoa”; e que o tribunal traz touro e bode, aprendido da igualação verbal entre “dos olhos” (מֵעֵינֵי) escrito a respeito da idolatria e o mesmo termo escrito a respeito das demais mitzvot — de modo que, assim como ali é o tribunal quem traz a oferenda comunitária, também aqui é o tribunal.