E do mesmo modo, dois andares um defronte ao outro: se parte deles fez fossa e parte não fez, os que fizeram fossa estão permitidos, e os que não fizeram fossa estão proibidos. — fechando o Perek Chet, a mishná aplica ao caso de dois andares superiores situados frente a frente, ambos despejando sua água no mesmo pátio pequeno abaixo deles, a mesma lógica das mishnayot anteriores sobre fossas e partições compartilhadas: se apenas os moradores de um dos andares tomaram a iniciativa de construir sua própria fossa no pátio, isso os libera para despejar ali sua água com segurança; mas os moradores do outro andar, que não construíram fossa alguma, continuam proibidos de despejar no mesmo pátio, mesmo que a fossa do vizinho já exista fisicamente ali, pois aquela fossa não foi feita para eles nem lhes pertence — e assim continuarão proibidos até que os dois grupos de moradores façam eiruv entre si, unindo formalmente seu direito de uso do pátio comum.
O Perek Chet inteiro — do poço entre pátios ao andar sem fossa — é uma longa aplicação de um único princípio: nenhum arranjo físico, por mais engenhoso, substitui o consentimento compartilhado que só o eiruv proporciona. A partição do poço, a cobertura da vala, a fossa do pátio pequeno — todas essas soluções técnicas resolvem o problema físico da água que se move entre domínios, mas nenhuma delas, por si só, une as pessoas que compartilham esse espaço. É por isso que a mishná final volta a exigir explicitamente o eiruv: a fossa de um vizinho, por mais bem construída que seja, nunca é suficiente para o outro que não fez a sua — assim como "vossas casas", em Yirmiyahu, permanecem sempre no plural, pertencendo a cada morador o seu próprio direito, que só o eiruv consegue reunir num só domínio.
O Rambam codifica esta mishná final quase palavra por palavra em Hilchot Eruvin, fechando o mesmo assunto.
Dois andares um defronte ao outro, com um único pátio embaixo deles em que se despeja a água, não despejarão água ali até que ambos façam um único eiruv. Se parte deles fez uma fossa no pátio para ali despejar a água e parte não fez — os que fizeram despejam em sua própria fossa, e os que não fizeram não despejarão no pátio até que façam eiruv. E se estes fizeram uma fossa e aqueles fizeram outra fossa, cada um dos dois despeja em sua própria fossa, mesmo que não tenham feito eiruv.
Fecho do Perek Chet: os comentadores explicam por que apenas quem construiu a fossa está livre, e por que o receio de que os moradores sem fossa acabem pisando no pátio comum sem eiruv está na raiz da proibição final.
"E do mesmo modo, dois andares um defronte ao outro: se parte deles fez fossa..." — "andares" é conhecido, e são moradias. E fala-se aqui de dois andares um defronte ao outro, com um pátio entre eles, para onde ambos despejam sua água; quando o dono de um andar fez uma fossa — uma escavação — no pátio, do seu lado, não é permitido aos moradores do outro andar despejar água junto com seu companheiro nessa mesma fossa até que façam eiruv.
Pois há que temer que os moradores acabem usando o pátio sem eiruv, se lhes permitirmos o despejo de água de suas casas naquela escavação — e essa é a intenção desta halachá.
"Andares" — moradias superiores uma defronte à outra, com um pátio menor que quatro covados diante delas, onde despejam suas águas.
"Parte deles" — os moradores de um andar fizeram fossa no pátio, e os do outro não fizeram.
"E os que não fizeram fossa estão proibidos" — enquanto não fizerem eiruv. Pois, se permitíssemos a estes despejar por meio da fossa daqueles, eles acabariam por tirar seus utensílios junto com a água que despejam de suas casas, descendo-os ao pátio abertamente até a borda da fossa, com os próprios pés — e isso seria carregar num pátio em que não fizeram eiruv.
Sobre a mishná — "andares" são moradias superiores, com um pátio menor que quatro covados diante delas, onde despejam suas águas.
"Parte deles" — os moradores de um andar fizeram fossa no pátio, e os moradores do outro não fizeram — encerrando, com este caso final, o Perek Chet inteiro, dedicado à água que se tira e à água que se despeja entre domínios que só o eiruv consegue unir.